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    Incêndio da boate Kiss completa 4 anos sem nenhum acusado condenado

    Um integrante da banda Gurizada Fandangueira acendeu um artefato pirotécnico que colocou fogo na casa noturna - Reprodução

    A tragédia da boate Kiss, incêndio que matou 242 pessoas em Santa Maria (RS), completa quatro anos nesta sexta-feira (27) sem que nenhum acusado tenha sido condenado por homicídio.

    Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, já domingo, um integrante da banda Gurizada Fandangueira acendeu um artefato pirotécnico e colocou fogo na casa noturna, que estava cheia.

    Quatro pessoas ainda respondem em liberdade por homicídio: dois donos da boate, Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann, o músico Marcelo dos Santos e o produtor da banda, Luciano Leão. Em julho de 2016, a Justiça determinou que os quatro réus vão a júri popular por homicídio duplamente qualificado (242 vezes consumado e 636 vezes tentado). A defesa dos acusados entrou com recurso.

    Os advogados de Leão e Santos dizem que seus clientes não devem ir a júri popular porque não tinham a intenção de matar. A defesa de Spohr argumenta que entrou com recurso porque entende que a Prefeitura de Santa Maria, o Ministério Público e os Bombeiros não podem ficar de fora da ação penal. A defesa de Hoffmann diz que só vai se manifestar após julgamento do recurso.

    Três bombeiros foram condenados pela Justiça Militar por descumprimento da lei de expedição de alvarás, e outro bombeiro foi condenado pela Justiça comum por fraude processual.

    No último dia 18, a Justiça gaúcha decidiu que a Prefeitura de Santa Maria, o Estado e os donos da Kiss devem pagar R$ 20 mil de indenização a uma sobrevivente do incêndio. Na última segunda (23), o município foi condenado também a indenizar a família de uma vítima em R$ 200 mil.

    OEA

    A Aassociação de familiares e sobreviventes do incêndio (AVTSM) encaminhou no último dia 18 uma petição à Organização dos Estados Americanos (OEA) pedindo a responsabilização "do Estado brasileiro pela violação dos direitos à vida, integridade física, liberdade e segurança pessoais, honra, proteção à família e garantias e proteção judiciais".

    Em 2015, o Ministério Público denunciou parentes de vítimas por calúnia e difamação, depois que familiares protestaram contra a decisão da Promotoria de arquivar os indiciamentos de agentes da prefeitura que participaram da outorga de alvarás.

    "É possível que os primeiros condenados no caso da boate Kiss sejam os pais que perderam seus filhos no incêndio", afirma o texto da petição.

    Sobrevivente

    Há quatro anos, a vida da terapeuta Kelen Ferreira, 23, dava uma guinada brusca. Além de perder três de suas melhores amigas no incêndio, Kelen, então com 20 anos e estudante universitária, teve uma perna amputada e o 18% do corpo queimado.

    "Ainda é uma dor muito forte. A do corpo era grande, mas a emocional era ainda pior", diz.

    Agora, formada em terapia ocupacional, ela quer trabalhar na reabilitação física de pessoas afetadas por queimaduras em Alegrete, sua cidade natal. "Hoje, os atendimentos mais graves desse tipo são feitos em Porto Alegre, o que faz com que as pessoas tenham de viajar mais de 500 km. Sei o quanto isso é difícil para a vítima".

    "Cheguei a ter contato com um paciente que sofreu choque elétrico e teve o corpo queimado. Com a minha história, ajudei-o. Acho que com tudo o que passei posso levar um lado muito mais humano para a profissão", diz ela.

    Nesta sexta-feira (27), familiares de vítimas farão uma homenagem na praça central da cidade, em que soltarão 242 balões representando as vítimas da tragédia.

    Marilice Daronco
    Folhapress

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