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    Família de jovem linchado e queimado em Borba pode receber R$ 400 mil

    Defesa de jovem linchado e carbonizado, por causa de um estupro e homicídio de uma adolescente de 14 anos, deve entrar com uma ação de indenização por danos morais contra o Governo do Amazonas

    Conforme a defesa do jovem, o valor é calculado a partir da estimativa de vida do brasileiro
    Conforme a defesa do jovem, o valor é calculado a partir da estimativa de vida do brasileiro | Foto: Marcely Gomes

    Borba - A família de Gabriel Lima Cardoso, 18, que foi linchado e carbonizado em Borba (a 151 km de Manaus), por causa de um estupro e homicídio de uma adolescente de 14 anos no último fim de semana, deve entrar com uma ação de indenização por danos morais contra o Governo do Amazonas. O advogado James Dirane, que representa a família, avaliou que os pais do jovem podem receber até R$ 400 mil de indenização.

    Conforme Dirane, o valor é calculado a partir da estimativa de vida do brasileiro. Levando em conta que a vítima era um jovem de 18 anos e, segundo estudos, o brasileiro vive no mínimo até os 75 anos. “Nesse quesito a família pode receber entre R$ 300 e R$ 400 mil, em comparação com outras ações semelhantes”, disse o advogado.

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    O jurista ainda ressaltou que a quantia é insignificante para uma vida que foi ceifada de forma brutal e estava sob custodia do Estado. “Um jovem que deixou um filho e duas famílias destruídas. Algo antagônico, as pessoas com faixas pedindo Justiça e se tornando assassinas. O crime que Gabriel cometeu foi tão cruel quanto a forma que ele foi morto”, disse James.

    De acordo com o advogado, o processo deve ser ingressado na Justiça em até 30 dias. Período em que a família deve receber a certidão de óbito da vítima, e aguarda os tramites de conclusão das investigações.

    Dirane relatou que, a princípio, foi contratado para defender Gabriel da acusação de homicídio, mas agora está preparando a ação para processar o Governo do Amazonas, por conta da omissão.

    Para a defesa, o crime que Gabriel cometeu foi tão cruel quanto a forma que ele foi morto
    Para a defesa, o crime que Gabriel cometeu foi tão cruel quanto a forma que ele foi morto | Foto: Marcely Gomes

    “A partir do momento que eu entreguei o jovem, que era suspeito de um crime, à Justiça, o Estado tinha a obrigação de cumprir o artigo 5º da Constituição Federal, de manter a integridade física do preso, o que não aconteceu. Meu cliente foi retirado de dentro de um quartel da Polícia Militar, arrastado, apedrejado, e, depois de morto, foi queimado”, afirma o advogado, que ainda lamentou a deficiência do Sistema de Segurança Pública do Amazonas.

    Investigações

    A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) já identificou 13 pessoas que participaram, ativamente, da depredação do prédio da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) e dos atos de violência que resultaram na morte de Gabriel.

    O delegado Mateus Moreira, diretor do Departamento de Polícia do Interior (DPI), explicou que, ao longo das diligências, 15 pessoas foram ouvidas no prédio da 74ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), entre familiares de Gabriel e indivíduos que foram reconhecidos nas imagens gravadas por moradores. Ao todo 13 pessoas foram identificadas e responderão pelos atos praticados.

    “As imagens registradas no momento da ação criminosa auxiliaram nas investigações e na identificação de autores dos danos e do linchamento. Parte das 13 pessoas foram ouvidas na delegacia, já outros empreenderam fuga antes de prestar depoimento. Já temos ciência da participação de cada um", destaca.

    Ainda de acordo com a autoridade policial, o procedimento será concluído e, posteriormente, remetido à Justiça. "Todos os infratores responderão criminalmente por esse ato bárbaro, o próprio delegado-geral, Mariolino Brito, nos orientou e garantiu que essas pessoas serão transferidas para capital, eles não ficarão impunes”, disse Moreira.

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