Briga entre facções


CV expande territórios em Manaus: mortes aumentam pressão na segurança

Um comitê de crise foi instalado e "com mãos fortes" a força policial tenta reprimir a disputa entre as facções. Na contramão disso, uns baleados e mortos aparecem nos registros do IML

Várias marcas com a sigla do CV estão sendo deixadas pelas ruas de Manaus
Várias marcas com a sigla do CV estão sendo deixadas pelas ruas de Manaus | Foto: Divulgação

Manaus – Os últimos dias estão sendo tensos na cidade de Manaus, devido ao projeto da facção criminosa Comando Vermelho (CV) em tomar todos os territórios de vendas de drogas pertencentes à Família do Norte (FDN). Ameaças, assassinatos, insegurança e pichações pelas paredes de bairros de Manaus com a sigla CV dão o tom ao objetivo da organização nascida e criada nos morros cariocas. O mês de fevereiro pode superar o janeiro sangrento, quando foram registradas 117 mortes violentas. 

Segundo uma fonte, que preferiu não se identificar, o objetivo de toda essa onda de violência é tomar todos os territórios que estavam sob o poderio da FDN. Entre os locais mais cobiçados pela facção está a invasão Monte Horebe, que teria sido fundada pelo CV e depois foi tomada pela FDN. Queima de fogos durante esta semana oficializa as conquistas dos criminosos.

Em contrapartida, a população está assustada com os textos, vídeos e áudios que estão circulando em redes sociais. Dentre eles, diversas retaliações de criminosos e promessas de invasões de bairros. Muitas pessoas temem pela própria segurança e, literalmente, se trancam dentro de casa. 

O ataque final do CV poderá ser a invasão do berço da facção de "Zé Roberto": o bairro Compensa. Naquele bairro, o assassinato do detento do regime semiaberto Giovane Teixeira de Oliveira, de 24 anos, executado a tiros na tarde de terça-feira (11), e uma tripla tentativa de homicídio na noite daquele mesmo dia, que teve como vítima uma adolescente de 13 anos e dois jovens, de 21 e 22 anos, baleados em ruas distintas por criminosos fortemente armados em um carro, podem indicar um rastro de sangue contínuo por poder. 

Um vídeo disponibilizado por uma fonte policial ao Em Tempo, que foi gravado por uma dupla de traficantes do bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus, reforça que o lema entre os integrantes do CV é de guerra contra os rivais da FDN.

Nas imagens é possível identificar cinco pessoas, sendo que duas delas estão portando armas de fogo e uma outra um terçado. Um recado "bem dado" de que cabeças rolarão e novas mortes devem acontecer caso alguém atrapalhe "o plano".

Em trechos de uma música cantada por um deles, enquanto os colegas picham a sigla CV e “Mano G” (uma referência ao líder da facção em Manaus: Gelson Carnaúba, ex-integrante da FDN e que rachou com Zé Roberto), o integrante da organização deixa claro qual é o objetivo do bando.

"Na guerra é tudo ou nada! É lutando que se conquista. A lei quem faz é nós.... Tudo 2!". 

Os criminosos aproveitam para exaltar o Comando Vermelho e dizem que a cidade está "vermelhando" e que agora é tudo 2, uma das siglas utilizadas pela facção. Os homens usam camisas no rosto para dificultar a identificação. Ainda assim, o arquivo já está em posse da polícia que investiga a ascendência da criminalidade.

Veja o vídeo gravado pelos integrantes do Comando Vermelho:

O vídeo foi gravado por traficantes do bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus | Autor: Divulgação
 

Ações de segurança

Após o foguetório registrado em todas as zonas da cidade, na noite da última segunda-feira (10), a força de segurança sentiu "a pressão" da violência e já iniciou os trabalhos para repressão das facções do Estado. O governador em exercício, Carlos Almeida, decidiu pela ativação do Gabinete de Crise da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), para reprimir toda e qualquer alteração no sistema prisional e nas ruas da capital. Dentre as estratégias estão o reforço no efetivo policial nas ruas e revistas nas unidades prisionais.

Conforme a SSP-AM, o setor de inteligência está trabalhando para identificar alterações entre criminosos e estão sendo elaboradas ações repressivas e preventivas para inibir crimes tanto nas ruas, quanto no sistema prisional. O secretário-executivo-adjunto do órgão, coronel Anézio Paiva, informou que o comitê foi criado devido ao aumento dos homicídios e briga entre criminosos.