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    Criminalidade


    SSP aponta redução, mas população reclama da violência em Manaus

    Somente em janeiro 3.730 roubos e 3.163 furtos foram registrados no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM)

    Moradores reclamam que uma viatura, que deveria realizar o patrulhamento ostensivo, fica no local fazendo a segurança do ônibus
    Moradores reclamam que uma viatura, que deveria realizar o patrulhamento ostensivo, fica no local fazendo a segurança do ônibus | Foto: Elias Pedroza

    Manaus- A onda de violência nos primeiros dois meses deste ano vem causando terror e insegurança para moradores e turistas que visitam a capital amazonense. Somente em janeiro, 3.730 roubos e 3.163 furtos foram registrados no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

    Em um levantamento de matérias publicadas pelo portal Em Tempo, entre os meses de janeiro e fevereiro, foram registrados 75 homicídios na capital, uma média aproximada, de duas mortes por dia em Manaus. O levantamento apontou ainda que nos primeiros 59 dias de 2018, oito pessoas morreram vítimas de latrocínios e outras 20 sofreram tentativa de homicídio com o uso de arma de fogo ou arma branca.

    Troca de tiros no beco da Bomba, Educandos. Dois presos , tentaram fugir pelo Igarapé.
    Troca de tiros no beco da Bomba, Educandos. Dois presos , tentaram fugir pelo Igarapé. | Foto: Márcio Melo

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    Fechou as portas

    O comerciante Mário Muniz, de 61 anos, disse que em decorrência dos constantes assaltos que sofreu dentro do seu estabelecimento comercial, localizado no bairro Jorge Teixeira, zona Leste de Manaus, foi obrigado a fechar as portas, devido aos inúmeros prejuízos financeiro que sofreu.

    “Eu sofri mais de três assaltos aqui. Todas as vezes os criminosos chegavam em uma motocicleta e anunciavam o assalto. No último que ocorreu, os bandidos me agrediram pelo motivo de ter pouco dinheiro no caixa. Achei isso um absurdo e decidi fechar as portas do meu comércio. Hoje se você quer ter segurança no seu empreendimento, tem que contratar seguranças particulares”, desabafou Mário.  

    | Foto: Márcio Melo

    Assalto nas paradas

    A universitária Aline Melo, reclamou da falta de segurança nas paradas de ônibus, nas proximidades de uma faculdade localizada na avenida Professor Nilton Lins, bairro Parque das Laranjeiras, zona Centro-Sul da capital. Segundo os alunos, sempre há assaltos nas paradas, quando os estudantes esperam pelo transporte coletivo.

    “Eu estudo aqui há dois anos e sempre há relatos de que alguém foi assaltado nas paradas. Às vezes uma viatura da Polícia Militar fica aqui na frente, mas eles só aparecem mesmo quando há denúncias de que alguém foi roubado e depois desaparecem", relatou Aline.

    Reforço na região do Fuxico é contestado por moradores

    Em janeiro deste ano, o vice-governador e secretário de Segurança Pública, Bosco Saraiva, lançou um projeto de reforço de policiamento na região comercial do Fuxico, na esquina entre as avenidas Brigadeiro Hilário Gurjão e Autaz Mirim, no Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus.

    A região recebeu uma unidade móvel de monitoramento, reforço das polícias Civil e Militar e a instalação de uma base fixa da Secretaria Executivo Adjunta de Operações (Seaop). O ônibus da Seaop, no entanto, segundo os moradores, não é suficiente para atender as necessidades de segurança do local. 

    O auxiliar administrativo, Carlos Simões, de 45 anos, relatou que o ponto da Seaop funciona até às 16h. Além disso uma viatura da Polícia Militar (PM), fica no local para realizar a segurança do ônibus, a fim de que esse não seja alvo de vândalos no período da noite.

    “Acho isso um desperdício de dinheiro público. Esse ônibus só funciona durante a semana e até às 16h. Depois disso chega uma viatura para realizar a segurança do ônibus. Ao invés de reforçar a segurança o ônibus, estão retirando uma viatura das ruas que poderia estar realizando o patrulhamento ostensivo para inibir possíveis assaltos e roubos na  zona Leste que é uma das mais perigosas de Manaus”, disse o auxiliar administrativo.

    Resposta

    Durante a Operação Jejuardes realizada na manhã desta quinta-feira (1), a equipe do Portal Em Tempo conversou com o secretário da Seaop, major Klinger Paiva, e questionou a reclamação realizada pelos moradores da comunidade. O Secretário explicou que o local é utilizado como ponto de observação para que denúncias feitas pelos moradores sejam apuradas. 

    "Quem está reclamando não conhece o real objetivo do ônibus no local. Ali é um ponto de concentração e observação onde existem várias câmeras que auxiliam nas investigações de denúncias realizada por moradores daquela região. A viatura fica ali à noite dando continuidade ao trabalho realizado pela Seaop. Ela fica lá como um ponto de apoio para trazer uma proximidade com comunidade”, justificou o Secretário.

    SSP

    Embora os crimes tenham sido noticiados diariamente pela mídia, na última segunda-feira (26), a assessoria de comunicação da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas divulgou que no mês de janeiro de 2018, Manaus registrou o menor número de homicídios e de tentativas de homicídios dos últimos cinco anos, segundo dados da SSP-AM. De acordo com os números divulgados pela secretaria, houve 49 homicídios e 12 tentativas de homicídios, 40% menos que a quantidade de casos de janeiro do ano passado. É importante salientar que é a própria secretaria que faz o levantamento anual do índice de violência. 

    Desse total apontado pela Secretaria,  28 mortes tiveram como motivação preliminar o tráfico de drogas. Em janeiro deste ano, policiais do Amazonas prenderam 14 pessoas pela autoria e envolvimento com homicídios. A capital registrou cinco casos de latrocínio em janeiro e cinco prisões pelo mesmo crime.

    Os indicadores também apontam crescimento da apreensão de armas de fogo. No mês passado, foram apreendidas 87 armas, 149% mais que no mesmo período de 2017, quando as forças de segurança tiraram das mãos de criminosos 35 armas. Os roubos a estabelecimentos comerciais, em janeiro de 2018, tiveram queda de 18%, com 228 ocorrências. Importante salientar que em 2017 o ano começou com 65 homicídios, se forem contabilizados os números da chacina que ocorreu no sistema prisional do Estado, o que deixa aquele início de ano, como o mais sangrento da história. 

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