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    Amazonino pega carona na 'onda Bolsonaro'

    Ao observar o êxito da “onda Bolsonaro”, atual governador quer atrair votos dos fiéis eleitores do ex-capitão do Exército, a fim de se reeleger

    Especialista político acredita que posicionamento de Amazonino foi precipitado | Foto: Divulgação

    Manaus - O velho comunista, como canta o poeta e compositor Chico da Silva na canção “Vermelho”, está disposto a desonrar sua história de militância na esquerda, para continuar no poder. Após o sucesso da “onda Jair Bolsonaro” nestas eleições, Amazonino Mendes (PDT) tem propagado nos últimos dias que apoiará o candidato do PSL no segundo turno das eleições presidenciais.

    A decisão cria uma “saia justa” com o presidente do PDT, Carlos Luppi, sigla que teve como presidenciável Ciro Gomes e que revelou jamais dar apoio ao candidato conservador.

    No primeiro turno, Amazonino, atuando como cabo eleitoral do presidenciável pedetista colega de partido, disse: “Não se esqueçam, não se iludam. Fora do Ciro Gomes, não haverá salvação para esta nação”. Horas depois do resultado do pleito e com Bolsonaro líder da preferência do eleitorado na capital amazonense, ele muda o discurso. “O candidato que eu devo por minha mão, dar meu braço., ir à luta com toda força, é o Bolsonaro”, disse.

    O posicionamento do pedetista é estranho, porque ele conquistou votos em 58 municípios do Amazonas, os mesmo que preferiram o adversário de Bolsonaro, o candidato do ex-presidente Lula, Fernando Haddad (PT). Com esse diagnóstico, Amazonino Mendes viu que a popularidade de Wilson Lima (PSC) foi alta em Manaus, com 512.458 votos, assim como a de Jair Bolsonaro, 620.178 votos, e optou por apoiar o presidenciável conservador. Outro ponto questionável é que Amazonino sofreu com a ditadura militar, foi preso e perseguido.

    Diante dessa realidade, Amazonino concluiu que eleitores de Bolsonaro migraram seus votos para Wilson Lima. Como sabe que, para sair vitorioso do pleito de 28 de outubro é necessário “crescer” em Manaus, Mendes tratou de declarar apoio ao ex-capitão do Exército Brasileiro, a fim de ganhar a simpatia dos já comprovados fiéis eleitores de Bolsonaro. No entanto, o posicionamento de Amazonino não condiz com o que ele realmente pensa e não passa de uma jogada de marketing político. Basta lembrar que, em discurso no dia 14 de setembro, o atual governador do Amazonas rasgou elogios a Ciro Gomes, candidato do PDT ao Palácio do Planalto, e afirmou que nenhum outro presidenciável tinha condições de comandar o Brasil rumo à prosperidade. “Não se iludam, fora Ciro Gomes, não haverá salvação para essa nação”, afirmou, à época.

    Estratégia equivocada

    Na avaliação do cientista político Carlos Santiago, a incongruência no posicionamento de Amazonino Mendes é um erro de estratégia, já que, ao mesmo tempo em que pode ganhar novos simpatizantes, é muito provável que perca a fidelidade de eleitores do interior, historicamente identificados com o PT.

    “O Amazonino foi muito precipitado, porque, nas cidades onde ele venceu, que foram as cidades pequenas, o Fernando Haddad foi o mais bem votado. Então ele está contrariando sua base eleitoral. Já em cidades em que Amazonino Mendes perdeu, como Maués, Parintins e Itacoatiara, o Haddad teve uma votação ainda mais expressiva, ou seja, a tendência é ele perder mais votos. Ele está colocando em risco o certo, por uma possibilidade de ganhar mais votos em Manaus”, destacou. “Além disso, o Amazonino faz parte do PDT, partido historicamente ligado ao campo político de esquerda e que, em hipótese alguma, vai se alinhar com um candidato do perfil de Jair Bolsonaro. Acho que, em sua primeira atitude no segundo turno, Amazonino cometeu um grande equívoco”, finalizou.

    Traição a Lupi

    Antes do início da campanha eleitoral, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, atuou como pacificador da sigla no Amazonas, já que Amazonino e o presidente estadual pedetista, Hissa Abrahão, estavam em pé de guerra. Após as negociações com Lupi, Amazonino deu início à sua campanha de reeleição, e Hissa se candidatou ao Senado Federal. Agora, o posicionamento do atual governador coloca novamente o partido em ebulição, já que, nacionalmente, o PDT deve concretizar, nos próximos dias, apoio a Fernando Haddad (PT). “O que jamais faremos é apoiar Bolsonaro. Uma das sugestões em análise é dar um apoio crítico a Fernando Haddad”, afirmou Carlos Lupi na última terça-feira (9).

    Apoio crítico

    O PDT, de Ciro Gomes, anunciou ontem que dará um “apoio crítico” a Fernando Haddad, do PT. Segundo nota da legenda, o objetivo é “evitar a vitória das forças mais reacionárias e atrasadas do Brasil e a derrocada da Democracia”. O presidente da legenda relembrou os malefícios da época.

    “Nós já sofremos 1964, nós sabemos o que foi 1968, nós somos filhos e netos dos que sofreram na ditadura”. Após ficar em terceiro lugar no primeiro turno, com pouco mais de 12% dos votos válidos, Ciro garantiu que era “ele não, sem dúvida”.

    “Uma coisa eu posso adiantar: minha história de vida é em defesa da democracia e contra o ‘fascismo’”, garantiu o pedetista, que não chegou a verbalizar o apoio a Haddad na ocasião. Já o PSL, de Wlson, oficializou apoio a Bolsonaro.

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