Com a palavra


'Queremos que a população governe Manaus', diz Gilberto Vasconcelos

O candidato afirmou que não pretende implantar o modelo cívico-militar nas escolas e é contra as propostas de armamento da Guarda Municipal

O candidato propõe ainda estender o poder de governar a cidade aos cidadãos, com a criação de Conselhos Populares
O candidato propõe ainda estender o poder de governar a cidade aos cidadãos, com a criação de Conselhos Populares | Foto: Lucas Silva

Manaus - Professor da rede municipal de ensino, Gilberto Vasconcelos (PSTU)  foi candidato a vice-governador em 2014, na chapa encabeçada por Herbert Amazonas (PSTU) e disputou a vereança em 2016, sem sucesso nas disputas eleitorais o candidato é a aposta majoritária da sigla onde atua como  presidente do diretório estadual.

Membro da Central Sindical e Popular (CSP Conlutas do Amazonas) e militante desde os 14 anos de idade, Gilberto possui propostas de destaque voltadas à valorização do professor, com melhoria de salários, e aos estudantes. Diferente de outros postulantes, é contra a implantação do modelo cívico-militar e do armamento da Guarda Municipal em Manaus

O candidato defende a construção de escolas com infraestrutura completa, que incentivem o aprendizado dos alunos, de forma agradável, e a gratuidade aos estudantes e desempregados nos transportes coletivos.

EM TEMPO - Quais as propostas da chapa para a educação básica?

Gilberto Vasconcelos - Na educação, de forma específica, nós pretendemos construir 100 escolas, com um padrão de qualidade que seja uma escola integrada, com creche, ensino infantil, ensino fundamental 1 e 2, no mesmo complexo. As escolas terão toda a infraestrutura necessária para o desenvolvimento das crianças, piscina, oficina de artes e música, além de laboratórios próprios das disciplinas que vão ser aplicadas ao tempo integral do ensino. Não podemos pensar em uma escola que seja apenas um lugar onde a criança vá para estudar e ficar enfadada. Ela precisa gostar da escola e ter condição de desenvolvimento. As escolas próprias da prefeitura também devem ser reformadas para utilizar as áreas que tem e colocar no mesmo padrão. 

EM TEMPO - O que, na prática, será feito para valorizar os professores?

Gilberto Vasconcelos - Temos que valorizar os trabalhadores da educação desde a formação até depois da universidade. No entanto, a valorização começa primeiramente com esse processo, mas ela tem que atingir a remuneração salarial, os educadores precisam de uma remuneração adequada. Outro ponto é a democracia nas escolas, em todas as unidades educacionais. Sem democracia não é possível formar educação e não é possível formar pessoas para uma sociedade saudável. Então, nós defendemos a eleição direta para gestores de escolas com a participação direta da comunidade, de todos que fazem parte do processo educativo.

"

Nós não defendemos, em hipótese alguma, o armamento da Guarda Municipal. O guarda municipal precisa ter o papel educativo para prevenir a violência "

Candidato a prefeito, Gilberto Vasconcelos,, sobre sua gestão, caso seja eleito

EM TEMPO - Hoje a gente vê no Estado o formato cívico-militar. Qual a opinião da chapa sobre isso? O senhor pretende trazer esse modelo para a educação básica também no município?

Gilberto Vasconcelos - O modelo cívico-militar é uma farsa. Eles criam determinadas escolas onde é implantado uma disciplina diferente, onde colocam os militares para transformar a educação em disciplina militar e isso impede a livre expressão dos alunos. Na maioria das escolas os pais têm que comprar farda, livros, além de ter um outro orçamento para educação. E aqueles alunos que não têm o padrão, são mandados para nós,  nas escolas tradicionais. Assim, temos que trabalhar com todos os alunos que o modelo considera "problemáticos". Para nós, não são alunos problemáticos, são problemas da sociedade que refletem na educação dos alunos e nós precisamos tratar todos eles como pessoas que têm futuro, com condições de serem boas pessoas, bons trabalhadores. 

Em entrevista, Gilberto disse ser contra propostas bolsonaristas para a segurança pública
Em entrevista, Gilberto disse ser contra propostas bolsonaristas para a segurança pública | Foto: Lucas Silva

EM TEMPO - Quais as propostas do PSTU para a saúde básica?

Gilberto Vasconcelos - Nós pretendemos fazer com que a saúde cubra 100% da necessidade da população. Se a saúde básica for bem atendida, vai atender a necessidade da população, vai desafogar o sistema de média e alta complexidade. Para isso, é necessária a empresa pública, de obras públicas. Nós pretendemos criar casinhas de saúde em todos os bairros de Manaus. Fazer concurso público, contratar profissionais de todas as áreas, inclusive assistente social, psicólogos, e colocar à disposição da população, para trabalhar no atendimento preventivo. É preciso ampliar os serviços de saúde para cobrir 100% a cidade e também as comunidades rurais no entorno da área urbana.

EM TEMPO - Sobre mobilidade urbana e trânsito, quais as propostas específicas que o partido tem para a população? 

Gilberto Vasconcelos - Primeiramente criar o Conselho Popular de transporte público de mobilidade urbana que é muito mais que o transporte público. Pretendemos criar corredores exclusivos de ônibus, para trazer fluidez e reduzir o tempo da passagem do trânsito. Vamos criar a Empresa Pública Municipal de Transporte Coletivo. Nós temos condição, inclusive, de oferecer passe livre para estudantes e para desempregados no transporte público. No futuro, temos que pensar em meios de transporte de massa. Podemos depois avançar para o BRT, no metrô de superfície, isso é possível. Agora tudo vai precisar ser discutido e avaliado no decorrer. Não dá, de antemão, para dizer exatamente o que vai acontecer.

"

Precisamos colocar tudo o que é essencial à vida e direto da população sob o controle da classe trabalhadora "

Candidato a prefeito Gilberto Vasconcelos,, sobre seu plano para a gestão de Manaus

EM TEMPO - Para a segurança pública, quais as propostas da chapa para melhorar a segurança em Manaus?

Gilberto Vasconcelos - O governo federal, estadual e municipal têm uma política de militarização. Isso significa ampliação da violência para resolver o problema de segurança. Nossa visão é completamente oposta. Temos que, primeiramente, oferecer trabalho à população. A população que trabalha não vai cometer crimes. Os crimes que acontecem na população que trabalha são aqueles inevitáveis, decorrentes de fatores fortuitos, situações que não são sistêmicas. Hoje, a falta de segurança é parte do sistema e o combate à segurança virou uma indústria, porque ela beneficia certas empresas que ganham muito dinheiro com o encarceramento, inclusive. Precisamos combater isso. Nós não defendemos, em hipótese alguma, o armamento da Guarda Municipal. O guarda municipal tem que ter um papel educativo para prevenir a questão da violência e da marginalidade.

EM TEMPO - Como será essa questão da tarifa, o senhor pretende liberar para os desempregados e estudantes?

Gilberto Vasconcelos - A mobilidade urbana, o direito de ir e vir da pessoa, para nós é sagrado. Esse é um direito fundamental, assim como o direito à vida. Quem não tem condição de sair de um bairro periférico, para procurar emprego no Centro, como essa pessoa vai fazer? Se ela está desempregada e não tem dinheiro para pagar ônibus. Então , ela precisa, pelo menos, do passe livre. Nós defendemos também que as famílias que estão desempregadas, não paguem água e luz. As pessoas precisam sobreviver, é um dever do Estado, inclusive previsto na Constituição de garantir isso à população. Se não, temos que garantir  meios para que a população viva e se locomova para a busca de empregos. 

EM TEMPO - Que outras propostas a chapa tem para destacar?

Gilberto Vasconcelos - Nós queremos que a população governe e decida sobre o orçamento que será usado e onde será aplicado, somos um partido socialista e acreditamos que o poder precisar ser dado à população .Precisamos pensar em uma cidade que oferecer à população saúde, educação, possibilidade de esporte e acesso aos bens culturais da cidade.

Confira a entrevista completa:

| Autor:
 

Leia Mais:

'Queremos criar Orla da Ponta Branca', diz Eduardo Costa

'Nosso plano vai reestruturar o sistema de saúde', diz Cel Augusto

'Manaus terá um prefeito aliado ao presidente', diz Alberto Neto