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    LILIANE ARAÚJO


    ‘Sou uma das apostas do PSL para candidatura majoritária’, diz Liliane

    Há seis anos longe do jornalismo, Liliane Araújo se tornou uma defensora do fortalecimento da presença da mulher na política

    Manaus 26.06.2020. Candidata a governadora na eleição suplementar de 2017, Liliane aposta alto novamente nas eleições deste ano | Foto: Lucas Silva

    Manaus - A ex-apresentadora e repórter da TV retransmissora da Globo, em Manaus, a jornalista Liliane Araújo, de 38 anos, decidiu há seis anos entrar de vez na política, com objetivos nada muitos tímidos. De candidata a deputada estadual em 2014 e vereadora em 2016, no ano de 2017, numa eleição suplementar, ela se articulou e conseguiu disputar o cargo de governadora do Amazonas, quando obteve mais de 63 mil votos.

    Hoje, depois de passar por partidos como PPS, PR (hoje PL) e PSD, Liliane Araújo diz que se encontrou no Partido Social Liberal (PSL) - ex-partido do presidente Jair Bolsonaro -, onde faz parte da executiva municipal. Mesmo a legenda tendo nomes como o deputado federal Delegado Pablo e o deputado estadual Delegado Péricles, como pré-candidatos a prefeito, ela diz com todas as letras que também é pré-candidata a prefeita de Manaus.

    Afastada do jornalismo, Liliane que é empresária, casada, mãe, acadêmica de direito, e presidente do PSL Mulher Manaus, com o tempo de TV que o PSL tem, é cedo para falar com composição como vice de outro nome, mas afirma que é possível ter uma chapa majoritária 100% feminina. Leia a entrevista exclusiva.

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    Somos o partido que mais cresceu nas últimas eleições, além de eleger o Presidente da República, temos o segundo maior tempo de televisão e fundo eleitoral, o que nos dá condições de defender uma candidatura majoritária à Prefeitura de Manaus "

    Liliane Araújo, jornalista pré-candidata a prefeita, sobre a força do partido que está filiada

    EM TEMPO - Desde 2014 na política, passando por partidos como PPS, PR e PSD. A senhora se encontrou hoje no PSL?

    Liliane Araújo - Sim, o Partido Social Liberal no Amazonas vem demonstrando um exemplo de incentivo a participação feminina na política, quando abre espaço para que mulheres façam parte dos diretórios da sigla. Isso já nos dá condições democráticas de manifestar as nossas ideias e necessidades em relação as políticas públicas voltadas para o universo feminino. A maioria dos partidos só lembram das mulheres quando precisam preencher a cota de representatividade para disputar uma eleição. Hoje, além de compor a executiva municipal como tesoureira, eu sou presidente do PSL Mulher Manaus.

    ET - O que há hoje de diferente no partido em que está filiada, em relação as legendas anteriores?

    Liliane Araújo - Liberdade para construir uma nova história política para a nossa cidade. Não fazemos parte de nenhum grupo político dominante no Amazonas, nem do governo e nem da prefeitura. Temos um grande desafio pela frente que é protagonizar nas eleições municipais. Segundo dados do TSE, somos o partido que mais cresceu nas últimas eleições, além de eleger o Presidente da República, temos o segundo maior tempo de televisão e fundo eleitoral, o que nos dá condições de defender uma candidatura majoritária à Prefeitura de Manaus.

    ET - Depois de disputas para os cargos de deputada e governadora do Estado, hoje numa eleição Municipal, o projeto é maioritário?

    Liliane Araújo - O meio político no Brasil ainda é muito machista, em especial nas regiões norte e nordeste. Mas, no Amazonas recebi como um grande desafio ter que enfrentar os caciques que há mais de 30 anos se revezam no poder. Não foi fácil, eu tive que ter muita coragem para encarar o jogo sujo e os ataques covardes contra a minha honra e a minha imagem. Eu me apresentei como uma alternativa, mas fizeram de tudo para me tirar do pleito diante do meu crescimento nas pesquisas. Para uma mulher na nossa cidade poder chegar a concorrer ao alto cargo do executivo estadual é algo muito difícil, mas não impossível. Somos maioria da população, do eleitorado, e possuímos o maior nível de escolaridade, mas ainda ocupamos poucos cargos políticos. Para que a nossa voz possa ser ouvida precisamos fazer parte da política. Para mudar essa realidade nós precisamos de atitudes claras dos partidos políticos para a inclusão de mais mulheres, como candidatas, mas também nos cargos de secretarias municipais, estaduais. É muito importante que os partidos compreendam que uma política sem mulheres, não é e não será uma política democrática de fato.

    Ex-apresentadora e repórter da Rede Amazônica, Liliane Araújo vive hoje como empresária e acadêmica de direito
    Ex-apresentadora e repórter da Rede Amazônica, Liliane Araújo vive hoje como empresária e acadêmica de direito | Foto: Lucas Silva

    ET - Internamente, no PSL, é projeto uma candidatura feminina na ponta, como candidata a prefeita de Manaus?

    Liliane Araújo - A inserção da mulher como protagonista na política ainda é um desafio, principalmente, na Região Norte do Brasil. Há mais de dez anos, trabalho em movimentos e projetos que possam abrir caminho para que elas deixem de ser apenas o complemento de cotas e passem a ter participação direta na sociedade. As mulheres do PSL Amazonas têm total apoio do presidente regional deputado Federal Pablo Oliva para protagonizar no cenário político local, uma tendência da política nacional de empoderamento feminino, que permite valorizar a inserção da mulher nas disputas de “cabeças de chapa” no pleito dos 61 municípios.

    ET - Diante de quase 20 pré-candidatos a prefeito de Manaus, o PSL vê como possibilidade sair vice de alguns dos nomes da ponta? Qual?

    Liliane Araújo - Sou uma das apostas do PSL para candidatura majoritária. Penso que o partido tem tempo de TV e recurso para manter a candidatura majoritária. Falar em composição de vice ainda é precoce. Temos um bom tempo para avaliar os cenários até as convenções. Os diálogos continuam, política se constrói ouvindo as pessoas, mas não podemos descartar nenhuma composição. Acredito que o que poderá definir uma possível composição com os demais pré-candidatos à prefeitura seria um bom plano de governo, que priorize políticas econômicas para que os manauaras possam enfrentar essa crise, mais acesso ao crédito, menos burocracia, geração de emprego, incentivo ao empreendedorismo. Porque até o momento nenhuma política efetiva foi realizada para minimizar os efeitos da pandemia na economia.

    ET - Desses quase 20 pré-candidatos, até o momento há apenas três mulheres. É possível uma chapa totalmente feminina?

    Liliane Araújo - Falar em composição de vice ainda é precoce, temos um bom tempo para avaliar os cenários até as convenções. O PSL é o partido que mais cresceu nas últimas eleições, além de eleger o Presidente da República, temos o segundo maior tempo de televisão e fundo eleitoral, o que nos dá condições de defender uma candidatura majoritária feminina à Prefeitura de Manaus. Mas, enxergamos com bons olhos essa possibilidade. Temos condições sim de abrigar uma vice a minha chapa majoritária. Por que não?

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    O nosso diferencial é que possuímos a sensibilidade e a firmeza para atuar em diversas causas. Mesmo que ainda tímida, a presença da mulher nos cargos do Executivo é algo fundamental para o fortalecimento da democracia, afinal, a representatividade feminina é extremamente necessária quando pensamos nas lutas pelos nossos direitos em um contexto onde ainda há muito preconceito, exclusão e violência "

    Liliane Araújo, pré-candidata a prefeita, sobre a força feminina

    ET - Assumindo a ponta do PSL na disputa majoritária deste ano, o que a senhora tem a oferecer para a cidade como candidata a prefeita?

    Liliane Araújo - Quando eu coloquei meu nome ao governo deixei claro que a proposta era cuidar do Amazonas como uma mulher cuida da sua família, com amor, respeito, dedicação. Vejo que o tempo passou e as problemáticas do nosso Estado e da nossa cidade continuam as mesmas. Em paralelo a isso sempre tivemos homens no executivo municipal e estadual. Entendo que chegou a hora de nós mulheres assumirmos o nosso papel, como protagonistas na política local. Somos tão bem preparadas como eles. O nosso diferencial é que possuímos a sensibilidade e a firmeza para atuar em diversas causas. Mesmo que ainda tímida, a presença da mulher nos cargos do Executivo é algo fundamental para o fortalecimento da democracia, afinal, a representatividade feminina é extremamente necessária quando pensamos nas lutas pelos nossos direitos em um contexto onde ainda há muito preconceito, exclusão e violência. Estamos cansadas de ouvir que mulheres como eu, que vem de bairros periféricos, que não são de famílias tradicionais, não podem assumir papel de destaque na política. 

    ET - A senhora concorda com o adiamento das eleições desde ano para a novembro ou dezembro e como avalia a tentativa de prefeitos de prorrogarem os seus mandatos até 2022?

    Liliane Araújo - Esse ano será inédito em todos os aspectos, já que estamos enfrentando uma pandemia a nível mundial e que reflete diretamente na rotina das nossas vidas, consequentemente na forma de atuar no âmbito político. Vai ser um desafio, pois tudo é muito incerto ainda, medidas que vem sendo adotadas pelos governantes para conter o vírus são modificadas a cada dia. Acredito ser mais prudente adiar alguns dias, como já vem sendo discutido no Congresso Nacional, mas não defendo a prorrogação de mandatos até 2022, isso seria atentar contra a constituição vigente, um risco que no futuro pode ser utilizado por um governo com maioria nas casas legislativas se manter no poder.

    Liliane Araújo é contra a prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos até 2022
    Liliane Araújo é contra a prorrogação dos mandatos dos atuais prefeitos até 2022 | Foto: Lucas Silva

    ET - A percepção comum é que ainda vivemos numa sociedade muito paternalista e machista. A senhora acha que tem espaço para a mulher nos cargos políticos de decisão?

    Liliane Araújo - Quando eu decidi entrar na política, eu sabia que não seria fácil enfrentar um universo tão masculino, cheio de vícios e práticas, mas enquanto cidadã eu entendo que a minha cidade, o Amazonas e o Brasil só vão avançar e desenvolver se as pessoas comuns, assim como eu, tiverem o desejo de mudança e assumirem a responsabilidade de participar da política. Acima de tudo é uma questão de justiça democrática garantir a inserção das minorias, como as mulheres, em condição de igualdade no sistema político. É importante que nós mulheres estejamos presentes nos espaços de poder, ao invés de marginalizadas e sub-representadas, para que as nossas demandas sejam atendidas.