Projeção


Renovação da CMM pode não refletir na Assembleia em 2022

O cenário de renovação pode perder força até a chegada das próximas eleições e não refletir o resultado das urnas deste ano

Nas últimas eleições, a Assembleia teve 50% de renovação; fato que não deve se repetir em 2022
Nas últimas eleições, a Assembleia teve 50% de renovação; fato que não deve se repetir em 2022 | Foto: Divulgação

Manaus - O resultado das eleições municipais deste ano, que garantiram a renovação de 60,09% das cadeiras na Câmara Municipal de Manaus (CMM), consolidou o desejo de mudança, fortalecido no pensamento do eleitorado, que pode se repetir na  Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), no pleito de 2022. Apesar de distante, especialistas acreditam que o cenário não deve se repetir. 

Nas últimas eleições gerais, em 2018, das 24 cadeiras na Aleam, 12 foram ocupadas por novos nomes, como Fausto Junior (PV), Joana Darc (PR) e Álvaro Campelo (PP). Alguns, inclusive, sem histórico na política. Naquele momento, já foi concretizada uma renovação de 50% do legislativo estadual.

A renovação se dá, principalmente, por conta de muitos não conseguirem destacar sua atuação. No próximo pleito, serão eleitos (ou reeleitos) o Presidente e Vice-Presidente da República, o Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal, Senadores, Deputados Federais e Estaduais.

Segundo o analista político e sociólogo Tiago Jacaúna, a possibilidade de renovação na Assembleia, em um período curto de tempo, é ínfima. As características de preferência pelo novo, mostradas nas eleições de 2018, com relação ao crescimento da ideia do novo, foi considerada a melhor estratégia de eleição. A ideia de renovar a política neste período estava muito forte, mas não deve continuar até 2022. 

"É possível dizer que o eleitor não irá se convencer mais facilmente apenas com a ideia de que é necessário renovar. Na medida em que a renovação talvez não seja a melhor estratégia diante de crises, sejam elas econômicas ou sanitárias, como a gente vem enfrentando agora. Essa eleição de 2020 demonstrou uma outra perspectiva do eleitorado em relação aos candidatos", declarou.

O especialista afirmou também que as eleições gerais podem sofrer influência das municipais deste ano, mas é necessário que haja cautela ao relacionar os dois cenários, visto que muito ainda pode acontecer nos próximos dois anos. Além disso, o especialista destacou que acontecimentos com data próxima às eleições também podem influenciar nos resultados.

"Essa eleição de 2020 é uma variável importante mas nós sabemos que até 2022 as coisas mudam bastante, tanto o contexto político, quanto o econômico, que são as variáveis que mais pesam. São outras eleições, na medida em que os votos, a eleição, é muito balizada no contexto momentâneo, naquilo que está acontecendo no momento das eleições. Daqui a dois anos muita coisa pode mudar", afirmou.

Eleitorado em dúvida

A microempresária Ana Luísa Souza, 35, contou que as eleições deste ano a fizeram pensar nas próximas, de 2022, mas que a renovação da Assembleia ainda parece ser uma realidade distante.

“Com a entrada de algumas caras novas a gente relaciona logo à pessoa querer se lançar como deputado né, nas próximas eleições do Estado. Mas é difícil porque muitas pessoas não pensam nem em como esses pequenos políticos [vereadores] estão trabalhando, imagina os deputados e senadores. Se fosse para escolher agora, seria cômodo deixar os que já estão, muitos estão fazendo um bom trabalho”, declarou. 

Para a estudante Jessica Silva, 22, a ideia de mudança pode perder força, mas tudo depende dos movimentos sociais e da atitude da população. "Acredito que o futuro está nas mãos dos jovens. É difícil afirmar com certeza, mas é possível sim que essa vontade de mudar continue. Principalmente porque temos muitas pessoas competentes que nunca tiveram oportunidade de assumir um cargo, então os que estão aí tem que mostrar porquê devem ficar por mais tempo".

O professor de língua inglesa Izaque Araújo, 26, destacou que acredita em uma renovação completa, especialmente porque o povo está mais criterioso. Ele afirmou que espera que a onda de ansiedade por novidade na política não perca força nos próximos dois anos.

"Tem muita gente colecionando mandatos lá [na Aleam]. Eu sou uma das pessoas que quer e torce por essa renovação, acredito que é preciso que isso aconteça para que traga pessoas com a competência e a vontade de trabalhar. Mas aí a gente tem outro fator que é que muitas pessoas não se preocupam com isso, né. É complicado, se for para mudar tem que ser semeado desde agora", declarou.

Renovação nos partidos

Nestas eleições municipais, os partidos que tiveram destaque em Manaus foram o Avante e o Partido Social Cristão (PSC). Além de conseguirem o total de quatro cadeiras cada um, na CMM, os dois tiveram mais de 80 mil votos cada. No pleito municipal de 2016, no entanto, estiveram longe de estar em foco, com o Partido Social da Democracia Brasileira (PSDB) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agora apenas Movimento Democrático Brasileiro (MDB), no destaque. A mudança, também é um exemplo de como acontecimentos recentes influenciam no resultado das urnas, visto que o PSC é o partido do atual governador do Estado do Amazonas, Wilson Lima, e o Avante carrega o nome do candidato a prefeito, David Almeida.

Jacaúna explicou ainda que, com as novas leis para as eleições, os partidos puderam se adaptar e conhecer a preferência do eleitorado. Também os que conseguirem se organizar melhor, poderão obter mais vantagens no pleito.

"A gente acompanhou nesse ano a estreia da nova legislação eleitoral, com relação ao maior protagonismo. Os partidos políticos foram impedidos de formar alianças, então os mais organizados e com percentual de voto maior têm grandes chances de fazer mais do que tá. Do ponto de vista do legislativo nós poderemos ter surpresas sim. Os partidos políticos já ganharam experiência nesse ano, então é possível que tenhamos alguma alteração", analisou.

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