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    Política


    Dilma estuda fazer 'reuniões regionais' para pedir apoio a governadores

    A presidente Dilma Rousseff estuda dividir por regiões a reunião que estava sendo articulada para esta quinta-feira (30), em Brasília, para selar uma espécie de "pacto de governabilidade" com os governadores de todo o país.

    Segundo o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha (PMDB), a dinâmica pode tornar o diálogo entre os Estados e o governo federal mais eficaz, já que cada região tem seus interesses e demandas específicas.

    "Ainda há dúvidas se fazemos regionalmente ou se colocamos todos os governadores em uma só plenária. Para viabilizar a participação de todos eles, talvez tenha que seccionar [a reunião]. Os três Estados do sul terão interesses bastante diversos dos Estados da Amazônia Legal, por exemplo", disse Padilha após participar da reunião de coordenação política do governo, nesta segunda (27).

    Padilha é braço direto do vice-presidente Michel Temer (PMDB), responsável pela articulação política do Planalto no Congresso.

    Segundo a reportagem apurou, a presidente vai tentar dividir com os governadores a responsabilidade de evitar a aprovação das chamadas "pautas bomba" no Congresso. Ou seja, pedirá que eles atuem em suas bancadas e impeçam a aprovação de projetos que custem caro aos cofres públicos. Além de impactar a União, argumentam ministros, essas medidas têm incidência direta no orçamento dos Estados.

    Dilma quer que os governadores ajudem a evitar no Congresso a derrubada do veto presidencial ao reajuste do salário dos servidores do Judiciário. Aprovado no Senado, a medida dava um aumento médio de 59,5% aos servidores nos próximos quatro anos e, segundo cálculos do governo, causaria impacto de R$ 25,7 bilhões ao Tesouro no mesmo período.

    Outro pedido da presidente será a aprovação da reforma do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que varia de Estado para Estado. Na semana passada, governadores do Sudeste estiveram com Dilma e declararam apoio ao projeto. A maior parte dos governadores, porém, não concorda com as mudanças.

    Apesar da pauta ampla, o pedido de ajuda não deve chegar ao julgamento das contas de 2014 do governo pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Ministros de Dilma afirmam que alguns representantes da oposição, que já não são simpáticos ao encontro com a presidente, não aceitariam discutir a pauta e que isso não deve ser tratado dessa maneira.

    Ainda sobre as chamadas "pautas bomba" no Congresso, o ministro Eliseu Padilha afirmou que o governo vai agir imediatamente para "desarmá-las". "Temos que agir agora para que a gente tenha condições de, politicamente, fazer com que a base, que é numericamente muito vantajosa, se posicione de forma majoritária nessas votações", declarou.

    Meta fiscal

    Durante a reunião de coordenação política do governo, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, fez uma apresentação sobre a recente redução da meta fiscal, de 1,1% para 0,15% do PIB, medida que ainda tem gerado desconfiança no mercado e reflexos financeiros importantes, como a alta na cotação do dólar. Segundo ele, o governo atuará diretamente para que a redução da meta seja aprovada no Congresso.

    Para Barbosa, "é natural" que os preços flutuem com mudanças no cenário e a normalização da situação econômica do país deve começar no último trimestre. A nova previsão adia os planos do governo, que considerava que o país poderia voltar a crescer no início do segundo semestre.

    "Acertamos uma agenda no Congresso. A equipe econômica vai apresentar o cenário para as lideranças, vamos fazer reuniões com os partidos da base, dialogar com os parlamentares, sindicatos, mercado e imprensa", afirmou Barbosa. "Temos confiança de que os mercados vão se ajustar a esse novo cenário", completou.

    Por Folhapress