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    Política


    Vereadores de Manaus ‘brigam’ por grande expediente

    O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Wilker Barreto (PHS), e Chico Preto (PMN), da oposição, trocaram farpas por conta da não realização do debate no plenário, na manhã de ontem - Tiago Corrêa/CMM

    A não realização do grande expediente ontem na Câmara Municipal de Manaus (CMM) gerou mal-estar e troca de farpas entre os vereadores Wilker Barreto (PHS), presidente da casa, e Chico Preto (PMN). Barreto decidiu suprimir esse espaço de debates no plenário alegando falta de definição dos blocos partidários, transferindo-o para a próxima segunda-feira, o que foi imediatamente contestado por Chico Preto.

    Para o oposicionista, Wilker Barreto descumpriu o artigo 128 do regimento interno da casa e acabou prejudicando o seu partido, o PMN. O vereador ressalta que o documento com as regras da Câmara é bem claro com relação às fases das reuniões. “Você tem que ter pequeno expediente, grande expediente e ordem do dia. Entendo que quando se tem tribuna popular não é realizado a ordem do dia, mas o grande expediente deve ser feito. Quando o plenário por orientação da mesa ou a mesa resolve abortar uma das reuniões, partidos como o nosso se sentem prejudicados”.

    A decisão do presidente da Câmara aconteceu após a extensa tribuna popular realizada ontem de manhã na casa em que parabenizou o estudante Kelvin Nunes do Centro Educacional Recanto da Criança, que atingiu nota máxima no Enem. Além da indefinição de blocos, o presidente alegou também a falta de tempo na sessão.

    Chico lamentou a falta de definição dos blocos, mas, que não é por isso que não deva ser realizado o grande expediente, tendo em vista, que o seu partido PMN está bem resolvido para discutir no grande expediente. “Nós viemos aqui para falar sobre a cidade, desafios, problemas e soluções, e quando se tira as palavras de um partido independente como o nosso, os pontos não são postos sem debates. Eu tenho a clareza de que o presidente está tentando silenciar a voz daqueles que querem falar que são independentes”, disse vereador, que ironizou Wilker pedindo-o que ele deixe o seu espírito de líder do prefeito Artur Neto (PSDB) e atue como presidente.

    Rebatendo as críticas, Barreto diz que está na cadeira de presidente pela confiança de 38 vereadores que o elegeu e que segundo ele, acreditam na sua maturidade em conduzir a Câmara. “Eu leio muito os atos equivocados de ex-presidentes para eu não cometer os mesmos erros. E os meus pares que tiveram oportunidade de conviver com outros ex-presidentes, inclusive Chico Preto, não passaram boas referências”.

    Sobre o grande expediente, o presidente da casa pondera que a mesa procura ser benevolente entendendo a importância deste tempo de debate e que, por não haver a definição dos blocos, não há condições de realizar. “O grande expediente é facultado com a participação de toda a casa. Temos vários vereadores e eu particularmente aprecio o grande expediente, por ser um grande debate consumindo tranquilamente uma manhã toda. Quando os blocos estiverem definidos e chegarem na mesa, eu comunico o plenário e passaremos a ter o grande expediente”, disse Wilker.

    Deliberação

    Começou a tramitar ontem na Câmara seis projetos de lei de autoria dos vereadores que foram encaminhados para análise na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ).

    Em destaque o de nº 017/2017 do vereador Professor Fransuá (PV), que autoriza a utilização do viário urbano municipal para exploração de atividade econômica privada de transporte individual de passageiros por intermédio de plataforma digital, mediante a vinculação a uma empresa operadora de tecnologia de transporte.

    Com relação aos projetos do Executivo municipal, incluindo a criação das pastas de mobilidade urbana a ser gerenciada pelo vice-prefeito Marcos Rotta (PMDB) e o Fundo Municipal de Solidariedade, a ser dirigida pela primeira-dama, Elisabeth Valeiko, o líder do prefeito Arthur Neto na casa, vereador Marcel Alexandre (PMDB), afirmou que ainda não há previsão para deliberação na Câmara.

    “Estamos na expectativa do projeto de reestruturação, que inclusive ainda está com os estudos em andamento, por ser algo bem complexo e de grande engenharia. Quando chegar será tratado com bastante urgência”, disse.