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    Política


    Em diálogo, aliado de Temer e Joesley sobre compra de silêncio de Cunha

    o empresário que agora é delator, fez um desabafo ao parlamentar, que é ex-assessor do presidente, em um encontro gravado - Reprodução

    Em diálogo gravado com o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), Joesley Batista, um dos donos da JBS, afirmou ter dito ao presidente Michel Temer que não era possível comprar para sempre o silêncio do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e do operador Lúcio Funaro, ambos presos.

    De acordo com trechos obtidos pela reportagem do diálogo, o empresário, que agora é delator, fez um desabafo ao parlamentar, que é ex-assessor do presidente, em um encontro gravado. Toda a ação do executivo foi planejada com investigadores, como parte do compromisso de colaboração.

    No diálogo entre Joesley e Loures, um dos alvos da operação desta quinta (18), medidas de anistia ao caixa 2 também foram lembradas. Loures é citado na delação de Joesley acusado de receber R$ 500 mil de propina.

    Veja trechos do diálogo

    Joesley: Eu disse pra Michel, desde quando Eduardo foi preso e ele [Funaro], quem está segurando as pontas sou eu. Eu tô...
    Loures: Cuidando deles lá.
    Joesley: Dos dois, tanto da família de um quanto da família de outro. Isso aparentemente esta...
    Loures: Estabilizou.
    Joesley: Trazendo uma certa... de um lado é isso. Agora o que eu comentei com Michel que o problema é o seguinte, ô, Rodrigo, a gente tem que pensar que essa situação não dá para ficar o resto da vida. Um mês vai, dois meses, três meses, seis meses, mas vai chegando uma hora que você vai indo, você vai indo... Eu, por exemplo, estou tomando umas pancadas aí, mas estou me segurando. Eu acho que eu me blindei ali no primeiro estágio. Por enquanto eu tô, enfim, mas é o tipo de situação que se não parar de bater, né? Vai batendo, vai batendo...
    Loures: Tem uma hora que machuca.
    Joesley: Uma hora, porra. Uma hora, né, até essa parede aqui, se eu ficar batendo nela, batendo, dá uma hora e eu derrubo ela, né? Então, quando estava o Geddel, tava aquela agenda do caixa 2, o negócio de autoridade, tinha pelo menos uma luz. Agora, e aí, nós estamos esperando o que agora? O caixa 2 acho que nem adianta mais nada, né, porque se o caixa 1 é crime, o 2 virou 1, ficou inócua essa medida, né?
    Loures: É mas não consolidou ainda.
    Joesley: Isso é.
    Loures: Foram três ministros do pleno que julgaram dos 11. Ainda vai para... ainda não houve a... a confirmação dessa decisão, desse entendimento. Mas o fato é que lá no Congresso depois desse episódio do Raupp, está todo mundo preparado... eu imagino que foi para aparecer rapidamente um texto, basicamente dizendo o seguinte: olha, aqui, o limite de velocidade até ontem era 80km/h e agora hoje passou para 70, se ele mandar multa para todo mundo, nós vamos rever isso até agora.

    Folhapress