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    Política


    'A nossa chapa traz uma proposta de renovação', afirma Rebecca Garcia

    Está a segunda vez que Rebecca Garcia disputa uma eleição para governo do Amazonas | Michael Dantas

    Há pouco mais de um mês, os planos de Rebecca Garcia (PP) estavam focados em sua gestão à frente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Bastou uma assinatura – a do presidente Michel Temer exonerando-a do cargo - para tudo mudar. Um mês depois de sua demissão, Rebecca está às voltas com sua campanha eleitoral para governadora do Estado neste pleito suplementar. Se for eleita, será a primeira mulher a governar o Amazonas em toda a história política local.

    EM TEMPO – Como se construiu a chapa Rebecca-Abdala?

    Rebecca Garcia - Em um primeiro momento, a ideia era lançar candidatura e nós estudamos algumas possibilidades de composição. A parceria com o deputado Abdala (Fraxe) não seria a primeira alternativa, não pelo fato de não querermos, mas por sabermos que o parlamentar faz parte de um grupo político liderado pelo governador David Almeida (PSD) e nós sabíamos do interesse do governador em se lançar candidato, algo extremamente legítimo. Quando veio a informação de que David não lançaria candidatura, aí abrimos a conversa na quinta-feira (15) à noite como o Podemos, partido presidido pelo deputado Abdala, foi quando enxergamos a possibilidade de lançarmos uma candidatura do partido de Fraxe. Sempre estivemos incentivando não apenas minha candidatura, mas a de novas lideranças, algo que vejo bastante saudável para o processo político e democrático. Incentivamos o Podemos a lançar candidatura e saímos para lançar a nossa, quando foi na sexta-feira (16), no dia da convenção, fomos surpreendidos com a intenção da união, algo que nos deixou bastantes satisfeitos.

    EM TEMPO – Qual o diferencial dessa chapa em relação às concorrentes?

    RG – Sinceramente, penso que a união faz a força. Por isso, vejo que a junção com o Podemos, traz uma alternativa para a população amazonense. Entendemos que nossa chapa possui uma grande coerência, todos nós comungamos do mesmo pensamento. É o momento de virar a página da história do nosso Estado. É o momento de serem introduzidas novas lideranças.

    EM TEMPO – A sua saída da Suframa motivou que a senhora se lançasse à disputa?

    RG - Eu penso que nada na vida acontece por acaso. Eu não saí da Suframa por querer, a minha intenção era ficar ao menos até dezembro, gostaria de completar 2 anos de gestão, gostaria de deixar esse legado, mas não gostaria de ficar muito tempo, uma vez que, como estou defendendo para o governo, eu defendo para outros cargos também, penso que a renovação é importante no processo político e no processo democrático e até no processo de gestão. A pessoa quando chega nova, chega cheia de ideias, cheia de vontade de mostrar trabalho. Então, naquele momento, não era minha intenção sair da Suframa, mas o presidente da República, que é a quem o cargo pertence, achou que seria melhor uma troca naquele momento e decidiu pela mudança. Agora, estando fora da Suframa, eu fui pensar no meu dia seguinte, foi quando aconteceu toda essa mudança no governo do Amazonas e começamos a estudar a possibilidade de estar no pleito ou de apoiar alguém que tivesse condições de melhorar o Estado do Amazonas.

    EM TEMPO – Na eleição de 2014, justamente a que foi anulada pela Justiça Eleitoral, a senhora disputou como vice na chapa encabeçada pelo senador Eduardo Braga (PMDB). Por que não repetiram a mesma aliança nesse pleito suplementar?

    RG - A nossa relação é muito boa, não houve nenhum desentendimento, muito pelo contrário. Quem não vive o processo político, muitas vezes não entende que em uma eleição existem alianças eleitorais, não é um casamento, não é para o resto da vida. Tanto é que eu fui vice do Eduardo; como o Omar Aziz (PSD) já foi; como o Serafim Corrêa (PSB) também já foi e outras pessoas já foram vices. O que nós percebemos é que houve o entendimento de ambos os lados, ao mesmo tempo que o Eduardo entendeu que a aliança para esse momento ideal seria com o Marcelo Ramos (PR), nesse mesmo tempo, nós entendemos que seria o momento de eu ter uma consolidação na minha imagem individual, uma oportunidade de mostrar os meus projetos.

    Nas últimas eleições para governador, Rebecca Garcia foi vice na chapa encabeçada pelo peemedebista Eduardo Braga | Michael Dantas

    EM TEMPO – Se eleita, como pretende aplicar a experiência adquirida à frente da Suframa na gestão do Estado?

    RG - A experiência nos deu condição de conhecer melhor a economia do nosso Estado, que é a da indústria, do comércio e do agropecuário, que movimenta o Estado e nos deu condições a entender de que maneiras nós poderíamos contribuir para o fortalecimento dessa economia em um momento tão difícil que o país e o Amazonas estão vivendo. Nós conseguimos enxergar dentro da Suframa que é emergente o envolvimento do Estado do Amazonas na geração de emprego, renda e na consolidação desse modelo econômico. Tanto a indústria quanto o comércio foram muito atingidos nesse período de retração. É preciso que haja um programa de incentivo nessa área, que é muito importante.

    EM TEMPO – E qual seria uma alternativa para a economia local?

    RG - Na nossa gestão foi publicado um decreto que criou o “Zona Franca Verde”, um programa do governo federal que leva incentivos às áreas de livre comércio, em que os produtos precisam ser feitos nessas áreas, mas a matéria-prima pode vir de qualquer lugar da Amazônia Ocidental. Os incentivos são dados à produção de uma fábrica, por exemplo, de suco de açaí em Tabatinga. Esse açaí, não necessariamente, precisar estar sendo produzidos em Tabatinga. É a partir daí que começa a ligar a indústria ao interior.

    EM TEMPO – A sua candidatura tem apoio do governador David Almeida (PSD). Como será essa participação política em sua campanha?

    RG - O governador é uma figura política e ele pode declarar apoio a qualquer pessoa. Ele enxergou no nosso projeto a possibilidade de mudança. O governador, em pouco tempo, conseguiu ter resultados positivos na sua gestão, por entender que é possível, sim, ajustar a máquina sem cortar os serviços. Isso, vem na linha de lançamento da nossa candidatura, vem com a nossa proposta de renovação. Quando você chega novo você quer mostrar serviço, e o governador David está passando por esse momento.

    EM TEMPO – Como a senhora vai ampliar sua campanha para o interior do Estado?

    RG - O programa eleitoral vai ser para todos. Nós vamos ter a oportunidade de mostrar o nosso projeto, a internet nos leva para o interior, o rádio nos leva, e têm muitas outras maneiras. O meu partido está em todos os municípios, o partido do meu vice está em todos os municípios e temos pessoas que acreditam no nosso projeto e que vão estar levando essa mensagem de um futuro de renovação, de virar a página de nossa história para todo o Amazonas.

    Henderson Martins
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