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    Política


    Com 'mãos de ferro', juiz amazonense é agente importante nas decisões contra corrupção

    Geddel seria responsável por garantir que Cunha ficasse calado - Divulgação

    O juiz da 10ª Vara Federal, em Brasília, Vallisney Oliveira, decretou a prisão do ex-deputado e ex-ministro nas gestões de Lula e Temer, Geddel Vieira Lima. Ele foi detido na tarde de segunda-feira (3), pela Polícia Federal, na Bahia, em processo referentes à operação Cui Bono, que investiga a liberação de créditos de forma suspeita durante sua passagem pela vice-presidência de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013.

    O ex-deputado Eduardo Cunha também faria parte do esquema. Ao todo, cerca de R$ 1,2 bilhão teriam sido concedidos em empréstimos. Em troca, ambos recebiam propinas para viabilizar as negociações. Vieira Lima é suspeito de tentar calar Cunha e o doleiro Lúcio Funaro, evitando que eles delatassem detalhes do esquema para os investigadores da Polícia Federal.

    Responsável pela ordem que levou Geddel à prisão, Vallisney Oliveira é o responsável por processos famosos em operações de grande repercussão, como Zelotes, Greenfield e Métis.

    Amazonense da fronteira

    Ministra Carmen Lúcia saiu em defesa de Vallisney, contra Renan Calheiros

    O clamor popular por uma política limpa faz com que a esperança de milhões de brasileiros se renove a cada prisão de um político ou grande figura do meio empresarial. Mesmo com suas falhas, que muitas vezes partem de leis brandas e evasivas, é notório o esforço realizado nos últimos anos por integrantes dos meios policial e judiciário, para resgatar a sensação de Justiça na sociedade.

    A operação Lava Jato se tornou a principal referência nessa constante batalha. Mas se o juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro, se tornou o ícone da luta contra a corrupção, Vallisney Oliveira também não fica atrás.

    Leia também: Polícia Federal deflagra segunda fase da operação Greenfield

    Nascido em Benjamin Constant, no Amazonas, o magistrado tem "abalado as estruturas" do poder, arrancando declarações fortes de gente como o senador Renan Calheiros, presidente do Senado, que o chamou de "juizeco" por decretar a prisão de policiais legislativos que atrapalhavam as investigações da Lava Jato. Na ocasião, houve também a apreensão de equipamentos de varredura de escutas ambientais. A ministra do Superior Tribunal Federal, Carmem Lúcia, foi uma das pessoas que intercedeu em seu favor.

    Nas mãos de Valisney tramitam processos importantes, como o do ex-presidente Lula e de Marcelo Odebrecht, um dos principais delatores na Lava Jato.

    Defesa de Geddel responde

    Nota à imprensa


    A defesa técnica do Senhor Geddel Vieira Lima vem registrar sua incompreensão em relação ao absolutamente desnecessário decreto de prisão preventiva.


    Decerto, diante da ausência de relevantes informações para sua decisão, inexplicavelmente não relatadas na representação policial, a autoridade judiciária infelizmente laborou em erro. Dessa forma, acabou por não considerar que, desde o momento em que o Senhor Geddel Vieira Lima se viu injustamente enredado no bojo da “Operação Cui Bono”, colocou-se à disposição das autoridades constituídas, para apresentar os documentos que lhe fossem solicitados, assim como comparecer a todos os chamados que eventualmente lhe fossem formulados, inclusive abrindo mão dos seus sigilos bancário e fiscal, assim como do seu passaporte.

    Assim, em que pese tenha sucessivamente se disponibilizado a prestar depoimento, inacreditavelmente, até o presente momento, jamais foi intimado para tanto, revelando uma preocupação policialesca muito mais voltada às repercussões da investigação para grande imprensa, do que efetivamente a apuração de todos os fatos.

    Ademais, deixou de ser relatado que, mesmo no depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República, Joesley Batista foi enérgico em pontuar que jamais pagou propina (ou qualquer tipo de vantagem indevida) ao Senhor Geddel Vieira Lima. Enfim, diante da ausência de relevantes informações, acabou-se por não apreciar os substanciais elementos que comprovavam a inadmissibilidade da prisão preventiva no caso concreto.

    Sabedor da sua inocência e confiante na altivez do Poder Judiciário, o Senhor Geddel Vieira Lima segue inabalável na reparação do cerceamento às suas liberdades fundamentais, registrando que, estando custodiado, deposita sua integridade física nas mãos da autoridade policial.

    Salvador/BA, 3 de julho de 2017.

    Gamil Föppel OAB-Ba 17.828


    Raphael Sampaio
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