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    Política


    Antiga CLT X Reforma trabalhista: O que os jovens manauenses preferem?

    Jovens e opiniões sobre a reforma trabalhista - Fotos: Márcio Melo

    Integrados à internet praticamente desde o nascimento, os jovens são bombardeados por informações de todos os lados e tipos. Eles cresceram em um Brasil livre da ditadura e hoje sabem o poder do voto. Apesar de serem "cheios de opiniões", nem sempre a maioria sabe ou entende como funciona o processo político. Um exemplo disso é que o Senado Federal está prestes a votar a reforma trabalhista, que traz diversas mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho ( CLT), e uma parte da população não conhece quais são as reais alterações nas leis trabalhistas. O EM TEMPO foi às ruas de Manaus para saber se os jovens manauenses preferem continuar com as leis atuais ou são a favor da reforma?

    A maioria dos entrevistados estava dividida em grupos distribuídos em praças no Centro da cidade. Alguns vestidos com fardamento escolar não quiseram opinar sobre o assunto e, quando questionados sobre o porquê dessa decisão, informaram que não sabiam ou não entendiam nada sobre o tema. Os que disseram leigos no assunto, entretanto, afirmaram já terem "ouvido algo na TV" ou visto um "post no Facebook", mas preferiram se abster de opinar.

    O EM TEMPO também fez uma enquete na sua página no Facebook sobre o tema, com o seguinte questionamento:

    O Senado Federal está prestes a votar a reforma trabalhista que traz diversas mudanças na CLT, dentre elas, aumento da jornada de trabalho, remuneração por produtividade, parcelamento de férias e redução do tempo de almoço. Você prefere continuar com as leis atuais ou é a favor da reforma?

    A publicação tem mais de 115 comentários e 230 curtidas. A maioria dos comentários se mostrou contra a aprovação da reforma trabalhista. (Veja aqui a enquete) No entanto, outros jovens como a Monique Tavares, de 19 anos, que é acadêmica de odontologia e ainda não trabalha, acredita que a reforma trabalhista não é necessária nesse momento. A jovem disse que a CLT deveria sim ter algumas mudanças, mas não tão drásticas quanto o aumento da jornada de trabalho, por exemplo.

    "Um dos absurdos é o aumento da jornada de trabalho para 12 horas, principalmente, se não aumentar o salário. O cidadão precisa de melhores políticas para ele e para a sociedade".


    Leia também: Senado aprova requerimento de urgência para votar reforma trabalhista

    Para Bruno Pestana, de 20 anos, que faz fisioterapia, a CLT deve continuar. "Eu acredito que não devem mexer na CLT e, se mexerem, deveria ser algo pensando no trabalhador e não só no patrão. A  ideia é que tenham adaptações que não prejudiquem o trabalhador".

    Jhuliene tem opinião firme sobre o asssunto

    A jovem Jhuliene Antunes, de 18 anos, acabou o ensino médio no ano passado e agora é estudante de enfermagem. Para ela não se deve mexer em nada na CLT.

    "Por conta das coisas que estão acontecendo, principalmente, com os políticos roubando, não deveriam mexer com os trabalhadores. Eles deveriam se preocupar em ofertar empregos para os adolescentes - que continuam desempregados. Além de pensar em políticas voltadas para os jovens. Enquanto isso não for resolvido, não se deve tocar na CLT".

    Luana Silva, de 17 anos, é estudante do ensino médio e estava sentada no Largo São Sebastião com um grupo de aproximadamente 10 colegas. A maioria deles não se importou com o assunto, mas ela se posicionou sobre o tema.

    "É evidente que a maioria dos jovens não sabe debater sobre o assunto porque não é discutido e explicado em sala de aula. Às vezes nem em casa isso acontece e assim é complicado de dar opinião sobre algo que você só ouve falar e não entende bem o que é".

    Jovens para Sociedade

    O cientista político e sociólogo Luiz Antônio Nascimento, questionado pelo EM TEMPO, afirmou que a falta de opinião sobre temas relacionados ao futuro do país, não quer dizer que os jovens estão afastados da política ou da sociedade, mas que eles estão há muito tempo sendo ignorados, sem representatividade no diálogo.

    "Sabe como a sociedade afasta o jovem? Com o modelo de educação que oferece a eles. A sociedade afasta os jovens quando não tem uma política de emprego e inclusão no mercado de trabalho ou ainda quando cria o modelo de combate à violência, que trata os jovens como 'classes perigosas'. Não é a toa que você vai ao cemitério e lá vai encontrar milhares de jovens mortos nos últimos anos. 75% deles eram negros e pobres, moradores da periferia", explicou o sociólogo.

    De acordo com Luiz, não há como esperar que eles agora dialoguem com a sociedade, se essa mesma sociedade não dialoga com eles no dia-a-dia. "O sistema trata mal os jovens e subestima a inteligência deles na maioria das vezes".

    Outro aspecto importante que Luiz chama a atenção é que, tanto os governos das três esferas, quanto as mídias em suas diferentes modalidades, além dos partidos políticos e sindicatos, não têm dialogado com essa "garotada".

    "Muitas vezes subestimam a capacidade deles de pensar e agir. Às vezes, eles vendem ilusões. Um exemplo é o MEC que tem feito publicidade falando da reforma da educação, de forma tal, que é impossível que os meninos não gostem da reforma. Só que ninguém fala sobre os desdobramentos desse modelo de reforma que está sendo proposta. Então não adianta camuflar a verdade".

    O sociólogo ainda ressalta que, se os jovens de hoje não conseguem compreender os impactos da reforma trabalhista na vida deles, agora ou no futuro, os adultos não terão capacidade de explicar à eles.

    Pesquisa no Sudeste

    Uma pesquisa realizada pela consultoria Signium, em parceria com a PiniOn, junto a 600 jovens, entre 18 e 25 anos, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, mostra que para a metade (50%) dos entrevistados é importante preservar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).  A decisão visa garantir mais estabilidade e segurança ao trabalhador. Os outros 34% afirmam preferem o modelo norte-americano, baseados em mais flexibilidade e em produtividade.

    E você, o que prefere?

    Bruna Chagas

    EM TEMPO

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