Fonte: OpenWeather

    Política


    E agora? O que Josés e Marias do Amazonas pensam da reforma trabalhista

    A proposta, junto com a reforma da previdência, são oriundas do governo Temer - Divulgação

    Por 50 votos a favor, 26 contras e uma abstenção, o texto base da reforma trabalhista foi aprovado, na noite desta terça-feira (11), no plenário do Senado Federal, em uma sessão que ficou suspensa por mais de seis horas por conta de protestos de senadores da oposição. A proposta, junto com a reforma da previdência, são oriundas do governo Temer, que defende que as mudanças modernizam as leis trabalhistas e, com isso, geram empregos. Do outro lado, a oposição diz que a reforma retira os direitos dos trabalhadores. O EM TEMPO fez um levantamento com os "Josés" e as "Marias" do Amazonas (nomes mais populares do país), sobre o que pensam da aprovação do texto - que agora seguirá para sanção do presidente.

    Leia também: Senado aprova texto-base da reforma trabalhista

    O analista de sistemas, André Marsílio, é contra a reforma trabalhista por acreditar que a proposta rasga os direitos dos trabalhadores que foram assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Ele explica que a reforma significa um retrocesso nas conquistas da classe trabalhadora que, inclusive, lutam para reduzir a jornada de trabalho.

    O texto agora seguirá para sanção do presidente - Divulgação

    "Um dos pontos polêmicos sobre essa questão é a negociação entre o patrão e o empregado, que tira os poderes dos sindicatos na hora em que um empregado for negociar com o empresário ou diretor de empresa. O empresário, com todo o seu poder e intimidação, vai sempre colocar o empregado na inferioridade. Ao contrário de uma organização social, como o sindicato, que tem uma grande representatividade nas negociações, principalmente, na hora de fazer o acordo coletivo. Isso também inibe o outro lado. Esse é um dos pontos polêmicos que eu discordo, porque nessa queda de braços sempre quem vai perder é o empregado", justifica.

    "Não é de se estranhar que uma reforma trabalhista surja diante de tudo que acontece no Brasil, reformas que atende tão somente ao empresariado?"


    Para André, outro ponto negativo da reforma é que as mulheres grávidas serão obrigadas a trabalhar em locais insalubres. "Imagina só, uma grávida de seis meses trabalhando em um calor escaldante? Estão praticamente rasgando a CLT. Sem contar que suas férias serão parceladas. Hoje você tira 30 dias de férias. Mas com a reforma, o empregador vai poder dividir seu tempo de férias do jeito que ele quiser. Eu sou contra essa reforma que não está sendo discutida com os trabalhadores e nem com a sociedade. Seria justo fazer um referendo no país para saber se a população quer ou não uma reforma trabalhista nesses moldes".

    A empresária Dhayanne Farias, proprietária de uma lanche, também é contra a reforma. Ela, inclusive, defende que as mesmas propostas aplicadas ao cidadão comum também tenham o mesmo efeito para a classe política brasileira.

    Leia também: Partidos políticos firmam termo de compromisso para garantir direitos trabalhistas dos cabos eleitorais

    "Você vai trabalhar e ter suas férias divididas? E o aumento do tempo de serviço para se aposentar? Ou seja, ninguém mais vai se aposentar. Já que os políticos querem assim, porque não igualar o mesmo tempo para que eles possam também se aposentar como qualquer trabalhador comum? Ninguém pensa em melhoria para o povo. O trabalhador terá que morrer trabalhando para ganhar um mísero salário mínimo que mal dá para sustentar a família. Poderiam também igualar as horas de trabalho dos políticos na nova reforma trabalhista", sugere.

    O governo defende que as mudanças modernizam as leis trabalhistas e, com isso, geram empregos - Divulgação

    O cineasta Zeudi Souza acredita que o Brasil atravessa tempos obscuros e isso é notável e exposto dia após dia para o brasileiro. "Nos vemos quase que impotente, diante de tantos escândalos de um governo de velhos ricos composto por maioria de empresários, ou mantidos por grandes empresários que se cooptam por meios espúrios. Não é de se estranhar que uma reforma trabalhista surja diante de tudo que acontece no Brasil, reformas que atende tão somente ao empresariado - que agora poderá modificar férias, remuneração, plano de carreira, parcelar as férias, negociar salários e jornadas de trabalho, que poderá ser de até 12 horas, redução do intervalo para até 30 minutos entre tantas outras mudanças?", questionou Souza.

    Para o cineasta, o trabalhador acaba ficando refém do empregador, perdendo direitos primordiais e tendo dificuldades até de entrar na justiça contra o empregador, caso algo aconteça. "Infelizmente, essa reforma não é esse mar de maravilhas que o governo tenta mostrar. Não é uma reforma para o trabalhador, é uma reforma para o empresariado. Basta analisar os pontos e perceber a discrepância de benefícios, aliás essa reforma é a ponta do iceberg dos retrocessos que o Brasil avança", justifica Zeudi Souza.

    Por outro lado

    Já Emerson Ribeiro, gerente de uma ótica, se posicionou a favor da reforma trabalhista e fez questão de citar vários pontos que, segundo ele, são positivos. "Uma delas é poder negociar com o patrão a demissão sem ônus para as duas partes. Quem nunca quis sair de uma empresa, mas ficou preso a ela porque não queria perder os direitos? Eu mesmo já passei por isso. Alguns até buscam meios para serem demitidos, como faltar e aplicar atestados médicos. Outro ponto favorável é a divisão das férias. É muito ruim passar o mês todo de férias e quando voltar não receber nada. Agora eu posso tirar 10 dias e ter os outros 20 pra receber ou tirar 15 e ter mais 15 para receber. Ficou negociável e mais lucrativo no sentido financeiro. Para mim, o ponto mais positivo é a não obrigatoriedade de pagar o sindicato. Eu não tive ajuda do meu, mesmo eu procurando uma vez quando precisei. A maioria era só um cabide de emprego e fábrica de dinheiro para os dirigentes", completou.

    A oposição diz que a reforma retira os direitos dos trabalhadores - Arquivo/AET

    Leia também: Antiga CLT X Reforma trabalhista: O que os jovens manauenses preferem?

    Senadores do Amazonas se posicionaram sobre a votação da reforma. A senadora Vanessa Grazziottin (PCdoB-AM) encaminhou o voto “não” pelo partido. “Estamos tentando uma negociação, aprovar um único destaque”, afirmou.  Já Eduardo Braga (PMDB) disse que não é contra a reforma, mas não é a favor da aprovação de um texto que “não reconhece que as fragilizações são perigosas e coloca em risco conquistas importantes dos trabalhadores”. A reportagem tentou contato com o senador Omar Aziz, que votou a favor da reforma, mas não houve retorno.

    A reportagem listou sete coisas sobre a proposta para que você leitor esteja por dentro do assunto.

    1) O que for acordado pelas empresas e funcionários passa a ter maior validade do que o que está na lei;

    2) Você pode definir a melhor maneira de tirar férias ou o dia na semana para aproveitar um feriado;

    3) Novas formas de trabalho, como o home office passam a ser permitidas;

    4) Demissões podem ser feitas em comum acordo com patrões e empregados, e você ganha o direito de sacar seu FGTS mesmo pedindo demissão;

    5) Trabalhadores terceirizados passam a ter acesso aos direitos trabalhistas;

    6) Você deixa de ser obrigado a pagar o imposto sindical;

    7) Contratos temporários menores também poderão garantir direitos trabalhistas.

    Isac Sharlon
    EM TEMPO

    Leia mais:

    Reforma trabalhista pode sair só em julho

    Debate do governo e sindicatos sobre direitos trabalhistas irá ao Congresso

    PSDB quer relatório único para as 3 comissões da reforma trabalhista no Senado