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    Política


    O eleitor amazonense está insatisfeito com a política? Entenda porque 849 mil pessoas votaram em branco, nulo ou não votaram

    Dez meses depois da última eleição, eleitores do Amazonas voltaram às urnas em agosto para eleger novo governador - Márcio Melo

    O resultado do primeiro turno da Eleição Suplementar para o governo do Amazonas, realizada no domingo (6), expôs a insatisfação do eleitor amazonense com a política. Dos 2,3 milhões de pessoas aptas a votar no Estado, 849.528 optaram pelo voto branco, nulo ou simplesmente não exerceram o direito ao voto.

    O número representa um volume de 32% de votos a mais do que os 577.397 eleitores que votaram no primeiro colocado, o candidato Amazonino Mendes (PDT), que obteve 38,77% dos votos válidos. A quantidade de insatisfeitos é ainda 55,5% superior aos 377.680 votos do segundo colocado, o senador Eduardo Braga (PMDB), que saiu com 25,36% dos votos válidos.

    Quando somados os votos dos eleitores do primeiro e do segundo colocado, os 955,077 sufrágios são apenas 12,4% maior do que aqueles que não optaram pelos dois. E mais abaixo da tabela de candidatos, os votos nulos, brancos e abstenções são ainda 31,9% maiores em relação aos 578.294 eleitores amazonenses que votaram nos outros oito candidatos que não passaram para o segundo turno.

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    Mas o que explica essa aversão ao voto? Segundo o cientista político Hilso Ribeiro, essa insatisfação é oriunda de vários motivos:

    “Os candidatos distanciam-se cada vez mais do eleitor. Os discursos não são claros, há infidelidade em relação às parcerias e coligações, causando descrédito e imensa confusão na cabeça do votante”.


    Ribeiro estima um número ainda maior de votos nulos, brancos e abstenções no segundo turno, a ser realizado no dia 27 de agosto. “Estou prevendo um recorde desses votos no próximo turno. Acredito que vamos ter uma abstenção recorde”, avaliou.

    Essa aversão política contagiou a secretária jurídica Denise Queiroz, que na eleição de domingo anulou o voto. “Eu não fiquei satisfeita com as opções e não quis ser o motivo de mais uma gestão frustrada”, justificou.

    Esse desencanto pela democracia representativa não é exclusividade do Amazonas. Em 2014, nas eleições para o governo do Rio de Janeiro, os votos brancos, nulos e abstenções somaram mais que total de votos obtidos pelo candidato eleito Luiz Fernando Pezão (PMDB).

    Ao levarmos em consideração os 2.338.886 eleitores do Estado, a certeza é de que ambos terão que se reinventar para tentar reverter esse quadro de descrédito com os políticos e a política. O prazo para eles é curto, acaba no próximo dia 27.

    Entenda cada tipo de voto: 

    Segundo o TSE, apesar de o voto no Brasil ser obrigatório, o eleitor, de acordo com a legislação vigente, é livre para escolher o seu candidato ou não escolher candidato algum. Ou seja: o cidadão é obrigado a comparecer ao local de votação, ou a justificar sua ausência, mas pode optar por votar em branco ou anular o seu voto.

    Mas qual é a diferença entre o voto em branco, o voto nulo e os votos válidos?

    De acordo com o Glossário Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o voto em branco é aquele em que o eleitor não manifesta preferência por nenhum dos candidatos. Já o voto nulo é aquele em que o eleitor manifesta sua vontade de anular o voto, digitando um número incorreto, diferente do dos candidatos.

    Por fim, os votos válidos são os votos nominais e os de legenda, para os cálculos eleitorais, desconsiderando os votos em branco e os nulos. Ou seja, os votos em branco e os nulos simplesmente não são contados. Por isso, apesar do mito, mesmo quando mais da metade dos votos forem nulos, não é possível cancelar uma eleição.

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