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    Política


    Gigantes da política amazonense disputam voto a voto a preferência popular

    Amazonino aos 77 anos luta para governar o Amazonas pela 4ª vez e Eduardo Braga corre contra o tempo, pois está em desvantagens nas pesquisas - Janailton Falcão/Ione Moreno

    Um confronto entre gigantes da política amazonense. É assim que se pode resumir a disputa eleitoral atípica do pleito suplementar, cujo segundo turno acontece dentro de duas semanas, entre os candidatos Amazonino Mendes (PDT) e Eduardo Braga (PMDB). Ambos já atuaram nos governos municipal e estadual, além do Senado Federal – Braga está com o mandato em curso - e são conhecidos no meio político por serem campeões de votos nas disputas das quais já participaram.

    Amazonino, por exemplo, se for confirmada sua vitória – ele lidera as pesquisas de intenção de voto -, terá em sua biografia o quarto mandato como governador do Estado. Já Eduardo Braga, se conseguir se eleger no dia 27, segue para o terceiro mandato no cargo. Com tanta experiência de ambos os lados, o EM TEMPO levantou os principais pontos das gestões dos políticos no Poder Executivo.

    Aos 77 anos, Amazonino Mendes iniciou sua carreira política em cargos majoritários há 34 anos, em 1983, quando foi indicado prefeito de Manaus pelo governador à época, Gilberto Mestrinho. Durante a primeira gestão municipal, ele regularizou invasões, urbanizou bairros e pavimentou mais de 600 ruas. Quatro anos depois, ele se elegeu governador do Amazonas, e foi durante esse mandato que construiu o Centro Cultural e Desportivo Amazonino Mendes, o famoso Bumbódromo de Parintins, com capacidade para 35 mil pessoas.

    A segunda e terceira gestão como governador, entre os anos de 1995 e 2002, além de revitalizar a economia do interior do Estado por meio do programa Terceiro Ciclo, que incentivava a agricultura em larga escala na região Sul do Amazonas, Amazonino também construiu o Pronto-Socorro João Lúcio, que fica na Zona Leste de Manaus, além dos Centros de Atendimento Integral à Criança (Caics), Centros de Atenção Integral a Melhor Idade (Caimis) e o hospital Francisca Mendes, na Zona Norte da cidade.

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    No decorrer destes mais de 30 anos de atuação política, Amazonino também foi responsável pela criação de grandes obras físicas, como a Universidade do Estado do Amazonas (UEA); o Hospital de Doenças Tropicais; os Serviços de Pronto Atendimento (SPAs); o antigo SOS Manaus, que hoje é o Serviço de Atendimento Municipal de Urgência (Samu); e os aeroportos do interior.

    Do outro lado, Eduardo Braga – hoje aos 56 anos de idade - deu seus primeiros passos na política ainda bem jovem, aos 21 anos, em 1986, quando conquistou o mandato de deputado estadual e foi líder do governo na Assembleia Legislativa, quando Gilberto Mestrinho, que também era do PMDB, atuava como governador.

    Em 1992, foi eleito vice-prefeito na chapa de Amazonino Mendes e, em março de 1993, assumiu a Prefeitura de Manaus para que Amazonino viesse a se candidatar ao governo. Seu primeiro mandato na gestão estadual ocorreu em 2002, quando foi eleito com a maioria absoluta dos votos (52,38%) no primeiro turno. No ano de 2006, Braga se reelegeu ao cargo, também no primeiro turno, e, ao longo das duas gestões, implantou projetos relevantes nas áreas social e ambiental, como o Zona Franca Verde, Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), Bolsa Floresta e também teve participação no projeto de criação da ponte Rio Negro, que liga Manaus aos municípios de Iranduba e Manacapuru, que integram a região metropolitana.

    Na área de educação, Braga também criou o Projeto Jovem Cidadão e os Centros de Ensino de Tempo Integral (Cetis).

    Análises

    Um dos mais antigos políticos do Estado, o ex-vereador Mário Frota acompanhou de perto a gestão de ambos os candidatos. Isso porque, além de ter atuado tanto no PDT quanto no PMDB, ele também tem uma longa trajetória política, iniciada em 1974.

    De forma irônica, Frota brinca com seu posicionamento político, por já ter tido inimizade tanto com Amazonino quanto com Braga. “Eu já tive brigas muito feias com Amazonino no passado e também já fiz oposição ao Braga. E hoje brinco quando alguém me questiona sobre em quem irei votar, dizendo que estou na janela, ‘vendo a banda passar’, como diz a música do Chico Buarque. Ainda não decidi meu voto e terei que examinar bem, pois nenhum faz jus a minha trajetória política”, afirmou o ex-vereador.

    Frota aproveita o espaço e faz críticas aos problemas que o Estado vem enfrentando atualmente. “A saúde está em pedaços, a educação não está legal e o povo precisa refletir sobre isso. Ver o que será melhor para nós, fazer uma escolha soberana, examinando qual dos dois é mais competente e conseguirá resultados”, disse.

    Ex-presidente da Assembleia Legislativa no governo de Braga, o diretor-presidente da Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), Lino Chíxaro, afirmou que ambos os candidatos têm capacidade de governar o Estado nesse mandato, que deve alcançar cerca de 14 meses. Entretanto, completou, o candidato do PDT tem o discurso mais realista.

    “Amazonino tem um discurso mais realista para mim, pois o plano de governo dele tem como foco principal a reestruturação das finanças do Estado, o que para mim é de extrema necessidade. Temos que fazer a recomposição das finanças, cortar gastos e criar condições para que o Estado possa prosseguir com outras obras”, disse Lino.

    Wal Lima

    EM TEMPO

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