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    Política


    O fenômeno da abstenção pode se repetir no AM

    No primeiro turno, a abstenção superou mais de meio milhão de eleitores que não compareceram às urnas para votar - Márcio Melo

    Número de eleitores que se abstiveram de votar no primeiro turno da eleição suplementar, que ocorreu no dia 6 deste mês, foi tão expressivo que motivou os candidatos Amazonino Mendes e Eduardo Braga a convocar a população a decidir em quem votar. Os números podem se repetir neste segundo turno.

    O alto número de abstenção do primeiro turno do pleito suplementar, em que mais de meio milhão de eleitores deixaram de votar, se tornou o principal alvo – e também pesadelo – dos candidatos que disputam o segundo turno, numa verdadeira batalha de convencimento ao eleitor para que cumpra seu papel de cidadão neste domingo.

    Enquanto Amazonino Mendes (PDT), favorito na disputa, usa seu discurso clamando à população para votar e, dessa forma, não ter uma perda significativa de votos, seu adversário, Eduardo Braga (PMDB), encabeçou uma cruzada nos últimos dias no intuito de tentar reverter um quadro que já se mostra uma realidade: conforme as pesquisas de intenção de votos, ele perderia para brancos, nulos e abstenção.

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    No primeiro turno, por exemplo, o candidato do PMDB teve 377.680 votos, número bem abaixo do registrado pela abstenção, que foi de 569.501 faltosos.

    Diante desse cenário, surgem muitos questionamentos e dúvidas se esses números podem se repetir ou mesmo se elevar, na eleição que acontece neste domingo.

    Na opinião de alguns eleitores entrevistados pelo EM TEMPO, a abstenção altíssima foi um meio de os eleitores se manifestarem contra os problemas que o Estado vem enfrentando nos últimos anos, e por eles acreditarem que não tinham opções para escolher um candidato à altura para resgatar o Amazonas da atual crise que enfrenta.

    “Acho que faltou curiosidade do eleitor em pesquisar sobre os candidatos, pois os tempos de propaganda eleitoral foram totalmente antidemocráticos nas TVs e rádios, com tempos que privilegiavam os candidatos mais conhecidos. Isso acabou motivando alguns eleitores a acreditar que não havia opções boas, quando, na verdade, havia, sim, mas não tinham tempo suficiente para apresentarem suas propostas nas propagandas, que são um meio fundamental na reformulação do voto”, declarou o microempreendedor Wanderley Sadin.

    Já o jornalista Frederico Santana acredita que a abstenção tem um poder ainda maior que os votos brancos ou nulos. “Em caso de um número elevado na hora da captação de votos, a abstenção pode influenciar e muito no resultado, alterando os dados para mais ou para menos”.

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    A universitária Noelle Araújo segue o mesmo pensamento e vai mais além, por acreditar que o meio é um grande ato de protesto. “Para mim, a abstenção é um meio de dizer que não acreditamos neles e não queremos nenhum no poder, e que, ganhando qualquer um deles, não fará a mínima diferença, pois os dois já foram governadores e nada mudou”.

    Sem serventia

    Para esclarecer dúvidas sobre os votos brancos, nulos e abstenções, o analista judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), Leland Barroso, explicou que as abstenções, assim como os votos brancos e nulos, não servem para nada, nem mesmo como um ato de protesto. E ainda desmitificou os boatos de que o pleito pode ser anulado caso mais da metade dos eleitores vote nulo ou em branco.

    “Isso não influencia em nada na matemática da eleição, pois de qualquer forma alguém será eleito. Só a Justiça Eleitoral que pode anular uma eleição e ainda por meio de uma ação própria. Portanto, anular voto ou se abster não é um protesto”.

    O presidente do TRE-AM, desembargador Yedo Simões, também por meio de um vídeo, convidou os eleitores do Amazonas para que compareçam às urnas. No início de seu pronunciamento, ele afirmou que “o Brasil vive hoje um regime democrático robusto, com instituições fortalecidas e sistema eleitoral exemplar”, e finalizou criticando o ato das abstenções: “Não delegue a terceiros o direito de escolha do governante do Estado, se omitindo de votar ou anulando seu voto. A ausência nas urnas não contribui para a democracia”.

    Convite

    Para tentar reverter as abstenções neste segundo turno, os candidatos chegaram a discursar várias vezes sobre o tema.

    Amazonino Mendes, por exemplo, disse em seu penúltimo programa eleitoral que “o voto é a principal arma para consertar nosso país e Estado”, e ainda fez um convite para que seus eleitores incentivem o ato de votar.

    “Conversem com seus amigos e familiares, especialmente aqueles que estão anulando seus votos ou votando em branco. Juntos, podemos reconstruir o Amazonas”, disse o candidato.

    Eduardo Braga não chegou a publicar em suas redes sociais e nem em seu horário eleitoral, mas fez o mesmo convite durante alguns comícios, declarando que “o Amazonas não tem tempo para a segurança, nem para a saúde, e que a mudança para esses e outros problemas pode ser alcançada por meio do voto nas urnas, quando o eleitor pode comparar qual a melhor proposta e escolher o melhor candidato nas urnas”.

    Prejuízos ao eleitor

    O eleitor que não votou no primeiro turno tem até o dia 5 de outubro deste ano para se justificar na Justiça Eleitoral em qualquer cartório eleitoral, por meio de um requerimento destinado ao juiz eleitoral da zona na qual ele esteja inscrito.

    Após esse prazo, o eleitor deve apresentar um documento justificando o motivo da sua ausência na votação, como atestado médico, bilhete de viagem ou algo que apresente sua atividade no dia da eleição para ser analisado pelo juiz.

    Caso a ausência não seja justificada, a pendência pode acarretar em algumas restrições, como impossibilidade de tirar passaporte, CPF e até mesmo inscrição em faculdades ou concurso público, além do pagamento da multa de R$ 3,51 por cada turno não comparecido.

    Wal Lima
    EM TEMPO

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