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    Entrevista


    Amazonas é recordista em taxa de 'morte de empresas'

    Confira e entrevista: para a gerente regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM), Maria Helena Garcia, essas falências podem ocorrer, principalmente, por falta de orientações de gestão

    Maria Helena Garcia é gerente regional do Sebrae Amazonas
    Maria Helena Garcia é gerente regional do Sebrae Amazonas | Foto: Marcelo Cadilhe

    Manaus - Mesmo atingindo a marca de 126.595 mil empresas, sendo 64 mil dentro da categoria de Microempreendedor Individual (MEI), o Estado do Amazonas é o recordista em taxa de mortalidade empresarial, conforme estudo da Monitor Global de Empreendedorismo (GEM) de 2016.

    Para a gerente regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-AM), Maria Helena Garcia, essas falências podem ocorrer, principalmente, por falta de orientações de gestão. Sobre o assunto, ela comenta como acontece a regularização de inadimplências e quais são as tendências de negócios e orientações para 2018.  
     

    EM TEMPO -  Qual é o principal influenciador para que uma pessoa inicie o próprio negócio?

    Maria Helena Garcia – Temos percebido que o elevado índice de desemprego no Amazonas tem motivado o empreendedorismo por necessidade de oportunidade. Com essa mudança na forma de adquirir o próprio sustento, muitos tem buscado consultorias do Sebrae para poder desenvolver os próprios negócios. Decididas a evoluir, as pessoas passaram a ter um enfoque em empreender determinados segmentos, com alta procura no momento, como desenvolvimento de mídias sociais, inovação, tecnologia e ecoinovação. E, para que ele possa ter orientações desde uma ideia inicial ou para um empreendimento já implantado, realizamos um plano de negócio, para que ele coloque o próprio projeto em uma folha de A3. Com esta primeira orientação, o empreendedor já pode visualizar ou vislumbrar o quanto irá investir para se tornar um empresário.

     EM TEMPO – Já que os novos empreendedores recebem auxílios desde a concepção da empresa, quais são as dificuldades frequentes daqueles que já possuem empreendimento?

    MHG – Pela experiência que temos, quem já possui um negócio esbarra nos controles. Caso ele tenha aberto o negócio sem nenhum tipo de consultoria, os problemas aparecem principalmente na administração financeira. Com isso, ele não consegue desenvolver a gestão, pois não possui fluxo de caixa, acaba misturando o dinheiro pessoal com o dinheiro da empresa e isso cria uma dificuldade no capital de giro. Entre os principais equívocos observados nas empresas já desenvolvidas está a composição do estoque. Muitos não sabem o que fazer com o próprio volume de produtos acumulados, sendo que poderia se criar uma ação para lucro desta mercadoria.

     EM TEMPO – Este seria um dos motivos para o alto índice de mortalidade empresarial no Amazonas?

    MHG - Existem fatores externos e internos, que contribuem para que uma empresa feche as portas, com até 2 anos de desenvolvimento. Conforme o índice de Cidades Empreendedoras (ICE2016), ainda está se buscando entender as razões às quais levam o Amazonas a registrar a pior taxa de mortalidade do Brasil, atingindo 33%, quando a marca nacional é 23%. Pela nossa experiência, podemos dizer que, para uma empresa vir a falência, ela apresenta falta de gestão de controle, dificuldade de se posicionar no mercado e baixa capacidade de comprar. Dentro desse aspecto, o tamanho da empresa também determina o grau de dificuldade de negociação. Quando se trata de uma empresa pequena, elas já nascem descapitalizadas e fazem um grande movimento para entrar no mercado.

     EM TEMPO – Como a formalização de Microempreendedor Individual pode contribuir para o desenvolvimento das atividades empresariais?

    MHG - Em Manaus, 70% dos negócios são informais e 82% estão concentrados na Zona Leste de Manaus. Para quem, desejar se formalizar há obrigações e vantagens. O empresário passa a ter previdência social, auxilio aposentadoria, maternidade e auxílio doença. Com o CNPJ, ele poderá comprar com bons valores, compor melhor a precificação, poderá fornecer, por exemplo, para a prefeitura e não fica à margem da sociedade. Sem isso, existe o lado bom ou ruim, a versão positiva, permite que a atividade econômica continue em movimento e garanta a subsistência do indivíduo, por outro lado, não terá benefícios sociais.  

     EM TEMPO- Qual o número real de MEIs que a Receita Federal pode cancelar no Amazonas, por falta de  pagamento da taxa do Simples Nacional e declaração anual?

    MHG – O Sebrae é um intermediador do microempreendedor no Brasil, mas a Receita Federal estipulou que aqueles portadores de CNPJ da categoria MEI, que não realizaram suas contribuições durante 2 anos, terão as inscrições canceladas e se tornarão inativos. No Amazonas, o número de inadimplentes fica entre R$ 18 mil e R$ 20 mil, o que representa 16% de todos os microempreendedores do Estado. O último prazo dado para regularização finalizou no final de janeiro, agora, vamos esperar se vai ter algum tipo prorrogamento do governo federal, já que este assunto afeta diretamente o desenvolvimento econômico. Para solucionar algumas dúvidas sobre este tema, estamos desenvolvendo uma sessão com perguntas e respostas, para que o público seja orientado de forma atualizada.

     EM TEMPO – Existe alguma tendência de mercado para o Amazonas ou algum modelo de negócio em que a expectativa é mais elevada em 2018?

    MHG – Percebemos que o setor voltado para alimentação é um dos mais procurados, como abertura de mercadinhos, por exemplo, que se encaixa no empreendedorismo por oportunidade. Dentro desse segmento, temos observado ainda uma tendência para o desenvolvimento para nutrição, que inclui alimentos orgânicos, naturais e fit. Além disso, um modelo que veio para ficar, é o dos foodtrucks. Fora desses setores, há muita busca também por iniciativas que contemplam a beleza e bem-estar, como salões de beleza. Seja qual for a escolha do novo empreendedor, o Sebrae dá toda estrutura para que ele possa desenvolver o próprio negócio de forma segura e sem risco. Alguns cursos são gratuitos e quando há necessidade de consultorias específicas, pagamos 70% do valor do serviço. 

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