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    Investigação


    PF alerta participação de facções criminosas nas eleições do Amazonas

    O aviso foi feito em um relatório sigiloso apresentado ao Ministério da Justiça pela Polícia Federal

    O maior risco se dá sobre o sistema de financiamento eleitoral, concentrado hoje em doações de pessoas físicas. | Foto: Divulgação

    Brasília - O Amazonas é um dos Estados citados em relatório sigiloso entregue ao Ministério da Justiça pela Polícia Federal nas últimas semanas, que faz um alerta sobre os riscos de parcerias entre políticos e chefes do narcotráfico para as eleições deste ano. O Estado do Rio de Janeiro é o mais citado. 

    O documento foi encaminhado seis meses após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitir o mesmo alerta. Porém, até agora, apesar dos diagnósticos oficiais, nenhuma investigação foi aberta para identificar suspeitos e prevenir a interferência do crime nas urnas.

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    "Além do risco de criminosos elegerem um representante direto, há o perigo destas organizações interferirem para impedir a campanha de candidatos que não sejam apoiados por traficantes e milicianos", sustenta a PF, no relatório encaminhado ao ministro Torquato Jardim. As informações são do jornal O Globo.

    De posse do relatório, o ministro afirmou que o maior risco se dá sobre o sistema de financiamento eleitoral, concentrado hoje em doações de pessoas físicas.

    “Há, sim, preocupação com o crime organizado pela sua capacidade de mobilização e de inibição de conduta diversa (nas áreas comandadas por eles). Agora, qual é a quantidade de votos que isso pode mobilizar? Ninguém sabe, ainda é uma especulação. Qual a possibilidade de eficácia da ação deles? Ninguém sabe", disse o ministro Jardim, admitindo que o governo não mapeou o poder do crime nas eleições”.

    Torquato Jardim diz que, caso haja algum indício, a PF abrirá investigações. Por ora, os policiais estão "olhando com lupa" situações de risco identificadas em Estados como Ceará, Amazonas e São Paulo, além do Rio.

    O relatório de dez páginas da PF entregue ao ministro da Justiça pode definir a estratégia de atuação do órgão nas eleições deste ano. Porém, os policiais até o momento dizem que não identificaram nenhuma situação de apoio direto de organizações criminosas a candidatos.

    "Até o momento, não foram identificados potenciais candidatos ao pleito eleitoral de 2018 que receberão apoio direto e específico de organizações criminosas"; "não há informação concreta de que integrantes de grupos/facções que atuam em tais modalidades criminosas estejam se articulando com o objetivo de interferir nas eleições".

    Caso Melo

    O ex-governador do Amazonas, José Melo (Pros) foi acusado de negociar o apoio de uma facção criminosa, no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), para a sua reeleição, em 2014. Um suposto diálogo entre o então subsecretário de Justiça do Amazonas, major Carliomar Barros Brandão, e o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, um dos líderes da facção que negociou os votos, foi gravado e divulgado durante a campanha eleitoral de Melo.

    O governador José Melo foi acusado, durante o processo eleitoral de 2014, de negociar votos com líderes de facções criminosas.
    O governador José Melo foi acusado, durante o processo eleitoral de 2014, de negociar votos com líderes de facções criminosas. | Foto: Secom

    Na gravação, o traficante promete até 100 mil votos para José Melo. Em troca, ‘Zé Roberto’ pede que ele 'não os prejudique'. O representante do governo então afirma que 'ninguém vai mexer' com os bandidos. Na ocasião, o major Brandão foi exonerado do cargo. “A mensagem que ele (governador) mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não”, diz, no áudio, o major Brandão.

    Influência criminosa

    Ainda de acordo com o documento da PF, a partir das parcerias ou da eleição de representantes diretos, as organizações criminosas tentam interferir na ocupação de cargos e até na elaboração de políticas públicas. "Uma vez infiltrados na política, criminosos poderiam influenciar decisões nas instituições públicas e participar da partilha dos cargos, eventualmente até em cargos da área policial", diz a PF.

    O ministro Gilmar Mendes, que presidia o TSE quando enviou o alerta às autoridades de investigação e inteligência, lamentou que o assunto não tenha sido tratado como prioridade.

    “É preocupante (que nada tenha sido feito). O Brasil perdeu a noção de prioridade. O que acontece no Rio é só um exemplo, porque há problemas nesse campo em vários outros Estados. Aquela resposta que estávamos buscando nós não obtivemos. Queríamos a relação de candidatos que foram beneficiados em determinados locais e nisso não se avançou”, afirmou o ministro. Mendes ainda acrescentou que “na verdade, temos o crime organizado e o Estado desorganizado”, finalizou.

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