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    Cinema


    Pandemia: transição do cinema para a era do streaming?

    O cinema quase sucumbiu à fúria letal do novo vírus, que antecipa uma transição para um futuro mais digital. Será o fim da era do cinema e consolidação das plataformas de streaming?

    Escrito por Rosangela Lira no dia 13 de janeiro de 2021 - 21:59

    Rosângela Lira

    Educadora, Bacharel em Direito, Mestranda em Segurança Pública e Acadêmica de Jornalismo.

     

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    Configurando-se um impacto catastrófico, a Covid-19 também atingiu a Sétima Arte. O cinema quase sucumbiu à fúria letal do novo vírus, mas o exército de cinéfilos mantém-se firme na batalha, reinventando-se para garantir a sobrevivência da indústria cinematográfica. A marcha acelerada da Covid-19 antecipa uma transição para um futuro mais digital já em andamento na última década. Será o fim da era do cinema e consolidação das plataformas de streaming?

    Pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), apresentada em junho de 2020, revelou que, pela primeira vez, o índice de audiência do streaming superou o da TV por assinatura no Brasil.

    As plataformas de streaming apresentaram um considerável índice de adesão, conforme matéria do Em Tempo, publicada em janeiro de 2021: Globoplay com aumento de 145% no número de assinantes, no 1º semestre do ano passado; e a Netflix com 16 milhões de novas assinaturas.

    Matéria do Jornal Valor Econômico apurou que, com a TV ganhando destaque como a central de entretenimento durante a pandemia, o brasileiro tem buscado telas de TV cada vez maiores, 49, 65, 75 e 82 polegadas. E frisou: “o brasileiro quer uma tela cinematográfica em casa”.

    À medida que a ferramenta se consolida como a nova saída ao entretenimento, será que a experiência das telonas, da sala escura, coletiva, vai garantir a sobrevivência do cinema?

    No início da pandemia, a indústria cinematográfica perdeu mais de 7 bilhões em bilheteria, números que se tornaram muito maiores com o passar dos meses. Mais de 120.000 trabalhadores foram demitidos só em Hollywood. Era impossível mensurar a dimensão do impacto da crise sanitária nos negócios.

    Festival como o de Cannes que só havia sido derrubado pela revolução ou pela guerra sucumbiu à fúria da Covid-19, assim como o Oscar. O mundo precisou se reinventar.

    Celebridades testaram positivo, produções e lançamentos foram adiados, festivais foram cancelados. O mundo caminhava para o virtual, o espectador remoto.

    Mas os cinéfilos de plantão, prontos para a batalha, encontraram outra saída: os cines drive-in que se tornaram uma tendência pelo mundo como alternativa diante do cenário pandêmico, configurando-se uma oportunidade para sair de casa e se divertir.

    Para uns o streaming ameaça o papel do cinema como fruição coletiva, já para outros o futuro é digital. São muitas as possibilidades para a nova ordem mundial. O lançamento simultâneo de filmes no cinema e nas plataformas poderá se tornar comum. São maneiras inovadoras de contornar os obstáculos.

    Pessoas consomem conteúdo em casa, outras não vão dispensar a experiência das telonas, afinal “não há forma melhor de experienciar a magia de um filme do que vê-lo em uma sala de cinema”, assim disse Davin Rubin, presidente da organização cinematográfica de Hollywood.

    Reinventar-se é a chave. A verdade é que se, antes, cinema e televisão traçavam caminhos paralelos, agora, seguem em convergência.

    Análises apocalípticas predizem o fim da indústria da Sétima Arte como a conhecemos, mas há também os nostálgicos defensores da sala escura, “como espaço sagrado de uma experiência sensorial”, assim disse Marcelo Hessel em artigo que analisa o novo acordo que prioriza o streaming. E você o que prefere?