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    Saúde


    Papanicolau e vacina podem prevenir câncer de colo de útero

    Tomar a vacina contra o HPV né uma das ações de prevenção ao câncer de colo de útero - Divulgação

    No Amazonas, o número de casos de câncer de colo de útero é o maior da região norte do país. Foram 680 diagnósticos da doença, em 2016, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Apesar da alta incidência da doença, esse tipo de tumor cancerígeno é facilmente evitável com a realização de exames preventivos.

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    Só em Manaus, a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) emitiu 77 certidões de óbitos devido a este tumor entre janeiro e julho deste ano. Conforme o Inca, essa doença é a terceira mais comum entre as brasileiras, perdendo apenas para o de mama e colorretal.

    Essa quantidade de diagnósticos poderia ser evitada com a realização de exames preventivos, como informa o diretor clínico e coordenador da radioterapia da Sensumed Oncologia, o radio-oncologista André Campana.

    “É importante realizar os exames preventivos logo após a primeira relação sexual. Esse procedimento deve ser cuidadoso com amostras bem armazenadas. E o mais importante é que seja feito regularmente”, diz Campana.

    André Campana aponta ser importante realizar os exames após a primeira relação sexual - Divulgação

    O Papanicolau, ou preventivo, como é popularmente conhecido, é o principal método para diagnosticar a doença. Campana explica que, durante o exame, são coletadas células do colo uterino da paciente. A partir dessa coleta, são usadas substâncias para verificar se há alterações no material coletado.

    “Quando a célula está infectada, apresenta alterações que são possíveis de ser verificadas com o preventivo”, conta o radio-oncologista.

    A ginecologista da FCecon, Zeliene Shoji, diz que, no início da doença, quase não há sintomas. Com o avanço do câncer, a mulher pode apresentar sangramentos vaginais, dores pélvicas e secreções com mal cheiro.

    “Esses sintomas denunciam que a doença já está em um estágio avançado e a paciente necessita ser encaminhada a um médico oncologista para iniciar o tratamento”, explica Zeliene.

    Vacina

    Além do Papanicolau, conforme o Ministério da Saúde (MS), é possível se prevenir com o uso de preservativos e a vacina contra o HPV. São três doses, aplicadas em meninas, de 9 a 14 anos, que estarão protegidas contra quatro variáveis do HPV. Dessas quatro, duas tem a ver com o câncer de colo de útero e as outras com verrugas genitais.

    A vacina é distribuída gratuitamente nos postos de saúde e, em junho deste ano, foi ampliada para meninos de 11 a 15 anos incompletos. O objetivo é imunizar esses jovens antes que iniciem a vida sexual e tenham contato com o vírus HPV.

    Campana afirma que é importante tomar todas as doses, mesmo os meninos.

    “o HPV não está associado só ao câncer de colo de útero, mas também ao câncer de pênis, além do mais, os homens são transmissores do vírus para as mulheres”, salienta.


    Desde o início da vacinação, em 2014, o MS informou ter distribuído 26,3 milhões de doses da vacina a todos estados e ao Distrito Federal.

    Com a inclusão dos meninos no público-alvo da vacinação, segundo o MS, o Brasil se tornou o primeiro país da América do Sul e o sétimo do mundo a oferecer a vacina contra o HPV para esses jovens em programas nacionais de imunizações.

    Tratamento

    Campana explica que há duas formas de tratar o câncer de colo de útero. “Em estágios iniciais, pode ser feita uma cirurgia para retirada de células pré-cancerígenas e, em estágios mais avançados, você faz a radioterapia”, afirma o médico, acrescentando que esta última se divide em outros dois procedimentos: a teleterapia e a braquiterapia.

    De acordo com o oncologista, na teleterapia são feitas, aproximadamente, 20 sessões em acelerador linear que é o responsável por emitir a radiação na paciente. Imediatamente após esses procedimentos, segundo Campana, é iniciada a braquiterapia que é uma radioterapia interna, onde o equipamento que emite a radiação é inserido no colo do útero.

    Regularidade

    A professora Lucia Comapa Auanario, 44, conta que costumava fazer exames preventivos, mas de maneira não regular, e, por isso, não detectou o tumor antes de sentir dores.  “No início houve só um aumento na minha menstruação, mas depois comecei a sentir dores muito fortes na região pélvica”, afirma ela, acrescentando que só descobriu a doença quando teve uma crise de dor que a paralisou.

    Sobre o tratamento da doença, ela diz que foi “muito doloroso, primeiro precisei tomar remédios e fazer os procedimentos de radioterapia. Por sorte, estava nos estágios iniciais e tive uma recuperação rápida”, relembra Lucia. Mesmo com o fim do tratamento, a professora vai regularmente ao médico para detectar possível retorno do tumor.

    Isabela Bastos
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