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    Saúde E Bem Estar


    Especialista alerta que eletrônicos são grandes inimigos do bom sono

    Luz emitida pelo celular é prejudicial - Reprodução

    A exposição à luz de dispositivos eletrônicos como computador, televisão, celulares durante a noite é um dos principais fatores que prejudicam a qualidade do sono. O alerta é do médico otorrinolaringologista Renato Martins, 34, que é doutor em Medicina do Sono.

    Ele informa que, atualmente, no Brasil, pelo menos 63% da população dorme menos do que sete horas durante os dias da semana. Desse percentual, aproximadamente 18% das mulheres e 26% dos homens são trabalhadores que atuam à noite, com privação crônica do sono. Segundo Martins, a iluminação desses aparelhos é causa traz alterações biológicas prejudiciais à saúde.

    “A gente está com cada vez mais luz, achando que a noite tem que ser dia. E dentro do corpo, existem hormônios para induzir o sono e também para deixar acordado. Só que estamos usando computador, smarthphone, lâmpadas de LED em casa e querendo fazer o dia ter 24 horas. Então, esses hábitos têm deixado as pessoas desequilibradas, mais estressadas, cansadas e com mais problemas de saúde. Um terço da nossa vida temos que passar dormindo”, alerta.

    Martins também é o responsável por realizar as atividades, em Manaus, da Semana Nacional do Sono. Neste ano, o evento tem como tema “Sonhos bons nutrem a vida”, em comemoração ao Dia Mundial do Sono, dia 17 de março. O objetivo da campanha é levar conhecimento científico para a população, informando e educando a sociedade sobre a importância de uma noite de sono de qualidade e a geração de distúrbios do sono como consequência de horas mal dormidas.

    Os distúrbios referidos, de acordo com o médico, são grupos de doenças que ocorrem somente durante o sono. E existem os subgrupos: distúrbios respiratórios, como apneia, os transtornos de movimentos como a síndrome das pernas inquietas, transtornos de ritmo de sono, mais comuns em pessoas que invertem o horário de dormir por situações de trabalho ou viagens com mudanças de fuso horário. Renato Martins ressalta que existem também as parassonias, que são distúrbios de comportamento, que ocorrem durante o sono, sendo dos mais simples como o sonambulismo aos mais complexos como transtornos compulsivos de alimentação e comportamentos violentos.

    Ainda de acordo com Martins, a insônia se caracteriza pela incapacidade de iniciar ou mesmo de manter o sono. “Sono de má qualidade, sintomas diurnos de fadiga ou baixo rendimento e insatisfação com a qualidade de sono obtida. Esses sintomas devem ocorrer pelo menos três vezes por semana e por mais de três meses para caracterizarmos insônia crônica”, explica, ressaltando que no sexo feminino ocorre com maior prevalência a depressão e a ansiedade e há também interferência de fatores hormonais.

    Especialista alerta que 63% da população brasileira dorme menos de 7h por dia - Reprodução

    As fases do sono

    O sono é dividido em quatro fases, de acordo com a profundidade, com substâncias diferentes que são produzidas em cada uma delas. As fases 1 e 2 são mais superficiais, a fase 3, mais profunda, chamada de não REM (do inglês, rapid eyes movement) e a quarta e última, denominada sono REM.

    A neurologista Aline Ferreira explica que, no caso do REM, o corpo está relaxado e o cérebro está trabalhando. É nesta quando ocorre a regeneração celular e a consolidação da memória. Enquanto no caso da não REM acontece a produção de hormônios como o do crescimento em crianças.

    “A diferença entre um e outro é a riqueza de cores e a complexidade dos sonhos. Quando uma pessoa sonha e é acordado no REM, ela consegue descrever as cores, as texturas com detalhes, enquanto no outro, o sonho não é tão vivo, mas ambos são muito necessários. Uma pessoa pode passar por todas as fases do sono em uns 90 minutos, então durante a noite ela realiza vários ciclos”, afirma Ferreira.

    Renato Martins acrescenta que o sono REM caracteriza-se pela baixa amplitude e alta frequência das ondas cerebrais. “Tanto essa fase quanto a não REM repetem-se a cada 70 a 110 minutos, com 4 a 6 ciclos por noite”, destaca.

    Diagnóstico e tratamento

    O exame mais comum para diagnosticar distúrbios do sono é a polissonografia. É preciso a avaliação de um otorrinolaringologista, exames de sangue para identificar se há alterações hormonais ou doenças associadas.

    Entretanto, cada distúrbio pede um tipo de cuidado. Para a insônia, na maioria dos casos, o médico irá conhecer o histórico do paciente e recomendar medicamentos. Outros métodos são psicoterapia, higiene do sono e reeducação alimentar. Também é recomendado evitar tabagismo e bebidas energéticas.

    O médico Renato Martins orienta que as pessoas devem ter horários do sono regulares – Arthur Castro

    Dicas

    Para uma noite bem dormida a palavra é reeducação. Segundo o médico Renato Martins, da mesma maneira que precisamos aprender a ter hábitos de higiene corporal e dentária, necessitamos cultivar bons hábitos do que ele chama de higiene do sono.

    “Inicialmente, devemos adotar horários regulares de sono. Ou seja, deitar e levantar habitualmente nos mesmos horários, mesmo nos finais de semana. Sabe-se que indivíduos que trabalham em turnos variados apresentam maior probabilidade de desenvolverem insônia crônica. Também convém evitar cochilos prolongados à tarde. Quando a sesta (ou descanso após o almoço) é hábito, ela não deve ultrapassar uma hora, não prejudicando assim o sono noturno”, ressalta.

    Outro cuidado orientado pelo médico é procurar ter ambiente adequado ao sono e usar o quarto apenas para dormir e não para trabalho ou local de alimentação.

    Laize Minelli
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