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    Saúde E Bem Estar


    Mulheres entre 50 e 60 anos são principais vítimas do aneurisma

    Outros sintomas que indicam a existência do aneurisma são a dilatação das pupilas, visão dupla ou embaçada e dor constante acima dos olhos - Fotos: Divulgação

    Dor de cabeça localizada, pupilas dilatadas, visão dupla ou embaçada, dor constante acima dos olhos, fraqueza e formigamento na cabeça. Esses sintomas podem indicar a presença de um aneurisma cerebral. De acordo com o médico coordenador do serviço de neurocirurgia do hospital e pronto-socorro João Lúcio em Manaus, Odilamar Andrade, o aneurisma cerebral é a dilatação de uma artéria do cérebro que ocorre devido à fragilidade da parede do vaso sanguíneo. Quando um aneurisma cerebral rompe, ele pode provocar uma hemorragia no cérebro, causando um Acidente Vascular Cerebral (AVC), conhecido popularmente como derrame cerebral.

    O sintoma mais comum de um aneurisma cerebral é a dor de cabeça, que pode surgir de forma repentina ou que vai aumentando com o passar do tempo. Para o neurocirurgião, quando os vasos rompem, geralmente, aparece uma dor de cabeça intensa associada com náuseas e vômitos. “Pode haver rigidez de nuca e déficits motores, dependendo da localização do aneurisma”, afirma.

    De acordo com Andrade, o aneurisma pode se desenvolver como consequência de outras doenças, como hipertensão, diabetes, tabagismo e alcoolismo. “Outras doenças como displasia fibromuscular e doença policística renal também podem predispor o surgimento do problema”, explica.

    Segundo o médico, não há informações estatísticas a respeito do assunto, mas há uma média de internação hospitalar de duas a três rupturas de aneurisma cerebral por semana. “As mulheres são as principais vítimas da doença e, no caso delas, a faixa etária pode variar entre 50 e 60 anos”, conta Andrade. “A dor de cabeça mais comum nas mulheres está relacionada com a enxaqueca, em que podemos observar também náuseas e fotofobia (sensibilidade à luz), diferente dos sintomas de ruptura do aneurisma cerebral”, afirma.

    A dilatação da artéria cerebral pode ocorrer como consequência de outras doenças como hipertensão, diabetes, tabagismo e alcoolismo

    Maria Reis, 70, estava em casa quando começou a vomitar e sentir fortes dores de cabeça. Segundo a filha dela, a jornalista Chris Reis, a dona de casa foi levada para o hospital 28 de Agosto. “Lá, eles disseram que era ‘refluxo gástrico’, mas nem examinaram a cabeça. Mandaram ela para casa”, conta.

    Ainda de acordo com Chris Reis, a dor de cabeça não cessou e ela resolveu procurar um neurologista, que constatou o aneurisma. Depois de alguns dias entre marcações de exames e consultas, houve o rompimento de dois vasos sanguíneos. Foram ao hospital João Lúcio para operar. “Minha mãe ficou consciente todo o tempo. Porém, a partir do dia em que estourou, ela diz não lembrar mais de nada. O médico conseguiu que ela fizesse a cirurgia em um outro hospital que tinha UTI disponível. A operação durou sete horas com cabeça aberta”, relembra.

    No período pós-cirúrgico, a paciente ainda teve um AVC. “O cérebro ‘esqueceu’ como respirar e minha mãe ficou na UTI por exatos dez dias em coma induzido. Quando saiu da UTI, passou mais cinco dias na enfermaria e saiu do hospital na cadeira de rodas, sem falar. No entanto, o médico disse que ela faz parte da estatística dos que se curam. Fez fonoaudiologia e fisioterapia. Hoje, ela já fala um pouco e faz tudo”, destaca.

    Diagnóstico e tratamento

    Os exames feitos para diagnosticar o aneurisma cerebral e para determinar a causa do sangramento no cérebro são a tomografia computadorizada de crânio, a ressonância magnética de crânio e angiografia cerebral digital ou angiografia cerebral por tomografia computadorizada, para revelar a localização e o tamanho do aneurisma.

    No tratamento, as equipes médicas atuam de forma multidisciplinar na decisão de qual metodologia será a melhor e mais confortável abordagem para cada tipo de aneurisma e cada condição física do paciente. “O objetivo do tratamento é correção do aneurisma cerebral, que pode ser através de uma cirurgia endovascular (realizada por dentro da artéria) e/ou cirurgia aberta”, pontua o médico.

    No início do mês passado, o HPS João Lúcio iniciou a realização da clipagem de aneurisma. Três cirurgias desse tipo foram realizadas com sucesso em pacientes com idades entre 45 anos e 50 anos. O procedimento consiste em colocar uma peça metálica no aneurisma para evitar que ele volte a sangrar. “É um grande avanço, pois não precisamos mais remover esse paciente para outro hospital”, disse o médico.

    Como identificar

    SINTOMAS
    • Dor de cabeça localizada;
    • Pupilas dilatadas;
    • Visão dupla ou embaçada;
    • Dor constante acima dos olhos;
    • Fraqueza e formigamento na cabeça;
    • Dificuldade para falar;
    • Déficit motor.

    CAUSAS
    • Predisposição familiar (15% dos portadores de aneurisma pertencem a uma família em que a incidência da enfermidade é maior);
    • Hipertensão arterial (pressão alta facilita o desenvolvimento e a ruptura dos aneurismas);
    • Dislipidemia (aumento dos níveis de colesterol e triglicérides);
    • Diabetes;
    • Tabagismo;
    • Alcoolismo.

    Bruna Chagas
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