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    Quarentena


    Coronavírus: como manter a saúde mental em tempos de quarentena?

    Isolamento social já é uma realidade em muitos países. Para lidar com situação é preciso cuidar da saúde mental

    O isolamento tende a exercer maior impacto emocional quando já existe predisposição para quadros depressivos ou para ansiedade | Foto: Divulgação

    Manaus- Escolas, universidades, espaços culturais e muitas lojas fechadas. As ruas, mais vazias. Nos supermercados, embora não haja uma ameaça de desabastecimento, aqueles que têm recursos para gastar começaram a encher os carrinhos de compras. Não é cenário de um filme de ficção sobre fim do mundo. É a atual realidade de grandes cidades brasileiras e até de outras partes do mundo diante do avanço do número de casos de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19).

    Em um momento de pandemia mundial, conforme declarado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma das mais importantes orientações tem sido para que as pessoas fiquem em casa. Para que isso ocorra, além da suspensão de aulas e do fechamento dos espaços de lazer e comércio, empresas que conseguem atuar no regime de home office adotaram esse sistema para reduzir a circulação nas ruas e dentro dos escritórios. São atitudes que ajudam a conter a cadeia de transmissão.

    Além de ser uma questão de saúde pública, uma pandemia como a que estamos vivendo impacta no social, na economia e em um aspecto muitas vezes ignorado: o emocional. O medo de um vírus novo, as mudanças na rotina, os cuidados extras com a higiene (por isso álcool em gel virou artigo de luxo) e o confinamento em casa são alguns dos fatores que vão alterar diretamente a saúde mental das pessoas.

    Não tem como ficar indiferente ao que está acontecendo e, por isso, são necessários cuidados, paciência e resiliência. O Portal EM TEMPO conversou com algumas pessoas que estão em quarentena (isolamento social), para saber como estão lidando com as notícias sobre o novo coronavírus e como estão cuidando da sua saúde mental.

    O excesso de informações pode causar picos de ansiedade constantes
    O excesso de informações pode causar picos de ansiedade constantes | Foto: Divulgação

    A jornalista Carol Givone, tenta ficar ao máximo longe das atualizações sobre o Covid-19 no Amazonas.  "Bom, as notícias sobre o aumento do contágio ainda me assustam. Tento não ver todas as atualizações de casos todo dia. Então vejo a evolução do boletim a cada dois dias. As notícias sobre os curados dão bastante esperança, no entanto, algumas pessoas ainda têm ignorado o isolamento social, ou têm feito de ‘férias’ para receber amigos em casa etc. Desse jeito, a tendência é que tenhamos mais doentes e por falta de leitos, mais mortes. Lamentavelmente podemos ser o epicentro do vírus no Norte," explica Carol.    

    Já a designer Desirée Souza, explica que a preocupação é grande. "Isso causa um certo pânico e tensão, logo no começo. Mas já me acostumei com isso, você vê pessoas não cumprindo as medidas de isolamento social impostas pelo governo é muito complicado. Só temos que nos cuidar para que essa epidemia no Brasil passe rápido. Continuo com as minhas atividades, mas com todo cuidado necessário," enfatizou a designer.

    Alternativas para lidar com a situação

    A psicóloga Thayllene Campos explica que o primeiro passo para controlar os desconfortos causados pelo isolamento e o distanciamento do contato físico, é saber reconhecer e aceitar as coisas que estão sob seu controle e as coisas que não estão. 

    “Uma forma de organizar os pensamentos é se perguntar, eu posso parar esse vírus? É possível saber quantas pessoas ficarão doentes? O que enquanto pessoa estou fazendo para evitar um caos maior na saúde? Como posso contribuir comigo, com minha família e com a sociedade? Responder esses questionamentos é um passo para estabilizar as emoções”, aponta a psicóloga. 

    Além disso, alguns comportamentos podem ser adotados para viver a quarentena de forma mais equilibrada. "A forma mais segura e eficaz de cuidar da saúde mental em tempo de pandemia, é limitar o consumo de notícias. Seguir as recomendações do Ministério da Saúde, mas evitar as notícias ruins, pois isso propicia uma ansiedade mais atenuante e consequentemente afeta a imunidade.

    Parte da população segue trabalhando dentro de casa e um dos maiores questionamentos é como manter a produtividade. 

    “A minha dica é tentar trazer sua rotina para dentro de casa. Como era seu planejamento diário antes do home-office? Coloque em prática sua rotina. Faça um planejamento do seu dia, mostre ao seu cérebro que também existe uma rota no home office”, orienta Thayllene.

    Montar seu ambiente de trabalho em um espaço diferente do seu descanso é uma forma de auxiliar.  “Acorde, organize seu ambiente e tente dar características semelhantes ao seu espaço de trabalho. Se informar sempre com notícias confiáveis. Racionalizar que nem sempre o nosso pensamento sobre algo é verdadeiro. Questionar sempre o pensamento, como: quais as evidências que comprovam que o que eu estou pensando pode acontecer?", enfatiza.

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