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    Professores fazem ato público no primeiro dia de greve da UFAM

    O ato público contou com a presença de 25 professores da UFAM - foto: Ione Moreno
    O ato público contou com a presença de 107 professores da UFAM - foto: Ione Moreno

    Cerca de 107 professores ligados à Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Adua), ao Comando Local de Greve e alunos participaram, na manhã desta segunda-feira (15), do ato público que marcou o início da paralisação anunciada na semana passada. 

    A categoria reivindica reestruturação da carreira, isonomia salarial entre ativos e aposentados, autonomia da universidade e combate à precarização das condições de trabalho.

    A ação foi aprovada em Assembléia Geral realizada na terça-feira (9). Na ocasião, a unidade da capital contabilizou 257 votos contra e 184 a favor da greve. Nos campi do interior (Benjamin Constant, Humaitá, Itacoatiara e Parintins), o número de votos favoráveis ganhou em larga escala, o que causou reações adversas.

    “A adesão dos professores do interior foi comprovada por listas e atas de assembleias. O problema é que os professores da capital se recusam a aceitar o voto dos companheiros”, avalia o presidente da Adua, José Alcimar de Oliveira.

    Ele assegurou que atividades essenciais – como pesquisas em laboratórios – serão mantidas. Uma Comissão de Ética e Essencialidade, vinculado ao Comando Geral de Greve, vai analisar os demais casos, a exemplo das atividades do internato do curso de Medicina.

    Entre outros objetivos, a greve pretende chamar a atenção para a Lei de Carreira aprovada pelo governo federal em 2012. A medida prevê a suspensão de benefícios para professores aposentados, como auxílio-alimentação, e elimina a relação entre titulação e vencimento. Professores doutores, por exemplo, perdem a remuneração relativa à qualificação ao se aposentar. “Isso cria distorções enormes no serviço público. Atualmente, funcionários graduados recebem salário maior que professores titulados”, exemplifica Alcimar.

    As instalações da universidade também são alvo de críticas do movimento. “O Centro de Documentação, que começou a ser construído na antiga sede da reitoria, está com data de inauguração prevista para o dia 14 de julho. A obra, no entanto, está abandonada há dois anos”, diz o presidente. O local deve abrigar as secretarias dos cursos de pós-graduação da Ufam.

    Adesões

    Enquanto alunos e professores se reuniam no hall do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL), as atividades acadêmicas pareciam seguir a rotina em algumas unidades, como a Faculdade de Tecnologia (FT). A frase “Estamos Em Aula Por Tempo Indeterminado” estampava camisas e faixas afixadas em vários pontos da universidade.

    De acordo com Roberto Prata, professor do curso de Matemática, o movimento anti-grevista obteve apoio significativo dos quadros das Faculdades de Direito, Medicina, Odontologia e Instituto de Ciências Exatas (ICE).

    “As decisões da última assembléia foram tomadas de forma arbitrária pelos dirigentes da Adua. Não divulgaram a quantidade de participantes nem o número de votantes”, afirma Prata. “O pior é que, no momento em que a greve foi anunciada, várias pessoas pularam de alegria, como se estivessem numa festa. Ora, a greve é uma situação triste para a comunidade acadêmica”, acrescenta.

    Para Diego Soares, aluno do 1º período de História, trata-se de uma reação previsível, já que, tradicionalmente, são cursos associados à ausência de mobilização política. “Nossa universidade é considerada elitista e essas pessoas, quando são admitidas aqui, fazem questão de incorporar essa atitude”, analisa. “A greve é um contraponto às decisões de um governo que se proclama a ‘pátria educadora’, porém corta de R$ 9 bilhões em investimentos para o setor. Isso reflete na precarização da universidade. Nesse contexto, os terceirizados são os mais afetados”.

    “Sou contra. No próximo ano, teríamos a oportunidade de ajustar os períodos, o que ficou comprometido pela greve de 2012. Agora, nossas férias serão canceladas. Fico pensando se isso vai se estender eternamente”, argumenta Julyene Oliveira, aluna do 3º período de Engenharia Elétrica.

    Por Daniel Amorim (equipe EM TEMPO)