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    Líder comunitário no Santa Etelvina já sofreu três atentados

    Sem saber o que pode lhe acontecer a qualquer momento, Henrique segue na luta por moradia. Foto: Ricardo Oliveira
    Sem saber o que pode lhe acontecer a qualquer momento, Henrique segue na luta por moradia. Foto: Ricardo Oliveira

    Escoltado por uma viatura até um local previamente combinado para a entrevista, Antônio Henrique Machado de Souza, 41, é professor de filosofia e militante do Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM), e está marcado para morrer.

    O dia? A qualquer momento. Henrique é apenas um dos muitos líderes comunitários no Amazonas que sofrem, diariamente, tentativas de morte, ou vivem ameaçados por lutar pelos direitos à moradia e terras no Estado.

    O “Professor”, como é chamado, lidera a comunidade Nobre, localizada no bairro Santa Etelvina, Zona Norte, com aproximadamente 600 famílias. Henrique sobreviveu a três atentados nos últimos 2 anos. “Sofri três atentados de morte. O primeiro deles em dezembro de 2012, depois em 30 de março de 2013, e o último em 18 de abril de 2013. Neste eu pude identificar o autor, que é um delegado e a esposa dele”, informa.

    Segundo Henrique, os atentados são motivados pelas denúncias que ele fez contra o agressor, envolvido no acobertamento de grileiros de terras naquela comunidade.

    “Eu o denunciei 15 dias antes do atentado. Ele foi até a comunidade Nobre com um grileiro da área em questão, levando um mandado de reintegração de terras vencido. Só foram eles dois, sem nenhum oficial de Justiça. Mesmo se o documento estivesse valendo ele precisava estar na presença do oficial e queriam tirar a comunidade na marra. Então ele e o grileiro entraram com uma pá mecânica e mandaram derrubar as casas e atirar contra os moradores”, denuncia o líder.

    Após a denúncia na Corregedoria da Polícia, Henrique e seu filho sofreram um atentado. “Cravaram a minha casa de balas. Não respeitaram nem a inocência do meu filho, à época com 7 anos. Tive que sair da minha casa. Hoje eu vivo escondido, não tenho mais a minha liberdade. Não consigo passear com meu filho por aí. A gente perde a liberdade. Meu filho hoje tem crises de ansiedade”, revela.

    Em um segundo atentado, Henrique foi atraído por um telefonema pedindo que ele fosse até o quilômetro 26 da estrada AM-010 (Manaus – Itacoatiara) onde deveria ministrar uma palestra. Porém, enquanto esperava a carona, homens encapuzados começaram a correr atrás da vítima, que escapou pela segunda vez.

    “Tenho vontade de abandonar essa luta, mas dificilmente a gente consegue sair. Eu venho de um movimento dos sem-terras. Então, o meu movimento e minha luta, não podem parar. Antes eu tinha a proteção da igreja, mas hoje não tenho mais, porque não sou mais seminarista”, desabafa.

    Doação

    Parte de uma área da comunidade Nobre foi doada pelo então governador Eduardo Braga, por meio de um decreto, o que acirrou a disputa de terras no local, por grileiros que se diziam donos do espaço. “De fato e de direito ela pertencia ao Estado. Existia um decreto de desapropriação de terras para aquelas áreas”, explica.

    O MNLM afirma que a política nacional por habitação ainda não atende à demanda da população em Manaus e no restante do Brasil. “São programas viciados. São critérios errados, por apadrinhamentos, são concessões corrompidas por propinas”, lamenta.

    Por Stênio Urbano