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    Moradores da 'Cidade das Luzes' prometem lutar contra retirada de casas

    Há mais de 2 anos e meio, a comunidade abriga, aproximadamente, 5 mil famílias - foto: Márcio Melo
    Há mais de 2 anos e meio, a comunidade abriga, aproximadamente, 5 mil famílias - foto: Márcio Melo

    Às vésperas de uma nova tentativa de reintegração de posse, moradores da comunidade Cidade das Luzes afirmaram que irão resistir no local e estarão dispostos a lutar para não serem expulsos de suas casas.  A ordem judicial para a desocupação da área localizada no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, está marcada para a próxima quinta-feira (10).

    Há mais de 2 anos e meio, a comunidade abriga, aproximadamente, 5 mil famílias, que já dispõem de serviços básicos como rede de iluminação pública e distribuição de água.

    Ontem, o defensor público Carlos Alberto Souza de Almeida Filho anunciou que irá protocolizar dois recursos junto à Justiça até a próxima quarta-feira (9). O conteúdo não foi revelado pelo defensor público para não atrapalhar as ações das medidas. “Com esses dois recursos vamos cobrar do prefeito de Arthur Virgílio Neto as ações por meio das políticas públicas. Não vamos admitir que essas pessoas sejam jogadas na rua. A defensoria pública não vai deixar de dar assistência a quem precisa. Há famílias que têm inscrições de moradia e o governo nunca sequer deu uma posição positiva”, argumentou o defensor Carlos Alberto.

    O autônomo Claudemir Brasil Palheta, 33, que mora no local desde o início da ocupação, informou que caso a ordem para a retirada das famílias aconteça, os moradores farão resistência para não deixar a comunidade. “O que nós queremos é uma moradia e o poder público está com descaso. Nós somos trabalhadores e pagamos nossos impostos. Muitas dessas famílias que aqui estão não têm para onde ir, como é o meu caso”, lamentou Claudemir com o tratamento dado pelo governo estadual e municipal.

    A dona de casa Zumira Batista, 59, reside no local há 3 anos e se mostra apreensiva com a ação prevista para a desocupação. Ela disse que gastou em torno de R$ 10 mil para fazer sua casa e se mostrou entristecida com a falta de respeito dos governantes. “Nós não somos bandidos. Aqui tem pessoas do bem e que precisam do local para morar”, disse a moradora.

    Outra moradora que está apreensiva com a desocupação é a técnica de enfermagem Cláudia Saraiva, 42. Ela argumentou que fez empréstimo bancário no valor de R$ 30 mil para construir sua casa na área. “Agora que comecei a pagar meu empréstimo e se me tirarem daqui não tenho para onde ir”, lamentou.
    Quem também fez empréstimo alto foi operador de empilhadeira Anderson Silva, 41. Ele informou que fez empréstimos pessoais junto a agência bancária e financeiras no valor estimado em R$ 17 mil, para a construção de sua moradia. “A gente não entende essa perseguição conosco. Se essas famílias aqui estão é porque realmente não têm outro lugar para ir e muito menos condições de pagar aluguel. O que queremos de fato é que o poder público entenda que há pessoas humildes e trabalhadoras que precisam de um lote de terra para ter sua casa e viver com suas famílias”, explicou Anderson Silva.

    O secretário da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), Sérgio Fontes, explicou que já está tudo organizado para uma nova tentativa de desocupação da área.

    Por Josemar Antunes

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