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    Morre em Manaus o médico psiquiatra Rogelio Casado

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    Morreu na manhã desta terça-feira (17) em Manaus o médico psiquiatra Rogélio Casado Marinho Filho, 63. Ele estava internado há mais de duas semanas no Hospital Uinimed, unidade Nilton Lins, Zona Centro-Sul, onde chegou apresentando complicações pulmonares. O falecimento se deu às 10h20 de hoje, após uma parada cardio-respiratória, segundo informou o jornalista Hernan Marinho, irmão do médico.

    Ainda segundo familiares, no hospital, foi detectado um sangramento na bexiga, que chegou a ser tratado, e posteriormente Casado apresentou uma fibrose no pulmão. Uma biopsia ainda foi feita para descartar suspeita de câncer, porém, o resultado ainda não havia ficado pronto. Durante a noite desta segunda-feira (16), ele começou a apresentar dificuldades para respirar e chegou a ficar com apenas 10% de sua capacidade pulmonar, vindo a óbito nesta manhã.

    Familiares disseram ainda que Casado perdeu a ex-esposa, vítima de câncer, há menos de um mês e desde então também não vinha gozando de saúde plana. Ele deixou dois filhos adultos, do primeiro casamento, e um meninos de 9 anos, do segundo.

    O velório de Casado vai acontecer a partir das 17h, na funerária Almir Neves, na rua Joaquim Nabuco, Centro e o sepultamento está previsto para esta quarta-feira (18), no Cemitério São João Batista, também na Zona Centro-Sul.

    Luta
    Nascido em 6 de janeiro de 1953, Rogelio Casado estudou medicina na Universidade Federal do Amazonas na década de 70 e fez residência médica em psiquiatria na Associação Pró-Reintegração Social da Criança e no Instituto de Psiquiatria Social de Diadema, São Paulo.

    De volta ao Amazonas, ganhou notoriedade levantando a bandeira em defesa dos direitos de cidadania dos portadores de doenças mentais, baseado nos princípios da Luta Antimanicomial. Ele fez história nos anos 80, quando, junto a outros ativistas, denunciou a violência com que eram tratados os usuários do Hospital Colônia Eduardo Ribeiro. Foi também neste período que ajudou a implementar no Estado a Reforma Psiquiátrica.

    “O Caso foi um grade nome nessa luta. Em 1987, ele chegou a fazer greve de fome para chamar atenção da sociedade sobre os retrocessos no campo da saúde mental”, comentou o jornalista Mário Adolfo, que também conhecia Casado de suas incursões pelo ramo da arte. “Ele era um apaixonado por fotografia e usava essa arte para fazer registros e denúncias sobre os problemas sociais e políticos da cidade”, acrescentou, lembrando ainda de sua participação como um dos fundadores da Banda Independente da Confraria do Armando (Bica).

    Outra marca de Casado era a sua inquietação com tudo que dizia respeito à cidade que amava, estando seu nome junto aos dos fundadores da Associação dos Amigos de Manaus (Amana). Ele também foi líder do movimento SOS Encontro das Águas, lutando contra a construção do Porto das Lajes.

    Ativista político, ele foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) no Amazonas, além de ter escrito vários artigos e atuado como blogueiro.

    “Nós estreitamos laços além da academia, estivemos juntos na luta da fundação do PT aqui no Amazonas. Ele era o nosso etnógrafo visual. Ele tinha um acervo de fotos das nossas lutas no PT, nos movimentos sociais e dos professores, isso nas décadas de 70, 80 e 90”, disse o professor Ademir Ramos.

    Rogelio Casado também deu sua contribuição ao ensino acadêmico, chegando a atuar como pro-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), no período de 2007 a 2010. Ele também coordenou, por cerca de 10 anos, o projeto ‘Nós & Voz’, criado em 2009 pela UEA, em parceria com Associação Chico Inácio, cujo objetivo era “promover a inclusão de pessoas portadoras de sofrimento mental, por meio de atividades de qualificação profissional, cultura e geração de renda”.

    O reitor da instituição, Cleinaldo Costa, emitiu nota lamentando, com profundo pesar, o falecimento do médico.

    Por equipe EM TEMPO Online