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    Em Manaus, artistas ocupam Iphan em protesto contra governo Temer

    Artistas e representantes de movimentos culturais que atuam em Manaus chegaram ao local por volta das 12h para se instalar ali e, ao mesmo tempo, oferecer uma programação cultural de 24 horas de duração - foto: Diego Janatã
    Artistas e representantes de movimentos culturais que atuam em Manaus chegaram ao local por volta das 12h para se instalar ali e, ao mesmo tempo, oferecer uma programação cultural de 24 horas de duração - foto: Diego Janatã

    Por mais cultura na política brasileira. Praticamente esse é o coro defendido por muitos artistas em todo o Brasil, sobretudo após o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff no Congresso. Com manifestações e ocupações de espaços públicos em diversas capitais, Manaus também aderiu ao movimento contra o governo Temer, que chegou a extinguir o Ministério da Cultura (MinC) e acabou voltando atrás na decisão, o que funcionou como incentivo a mais para que artistas locais de várias vertentes decidissem por “invadir” a sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Centro, na tarde desta terça-feira (24), como parte da iniciativa nacional Ocupa MinC.

    Artistas e representantes de movimentos culturais que atuam em Manaus chegaram ao local por volta das 12h para se instalar ali e, ao mesmo tempo, oferecer uma programação cultural de 24 horas de duração, a se estender até hoje, portanto. Entre as atividades para chamar a atenção para a necessidade de melhorias na área cultural estão cine-debate, projeção audiovisual, músicas ao vivo, poesia, maracatu, dança e teatro. A programação da manifestação começou com o hino nacional interpretado em língua indígena, pela cantora Djuena Tikuna.

    Para o representante do movimento negro hip hop, Lamartine Silva, 46, a ocupação do prédio significa a luta por uma política cultural mais participativa e justa, por entender que o grupo político que está no governo seria ilegítimo e que pode ter grandes impactos no movimento cultural. “Como artista negro, vejo que esse comando não está garantindo nenhum direito à cultura. Ocupar é preciso, para que a gente possa conseguir ter os direitos a um plano municipal de cultura, que nunca foi feito, por exemplo. Artista é trabalhador sim, como qualquer um”, declarou.

    Já a representante do movimento Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, Cida Aripória, 26, o lema é “ocupar e resistir sempre” e que, apesar da recriação do ministério, tudo que é favorável para a cultura ainda pode ser vetado. “A cultura pressupõe uma classe trabalhadora. Mas na visão desse novo governo, os artistas não são trabalhadores. Somos sim. A cultura transforma, além de embelezar no cenário político, ela também transforma”, disse.

    Por Lindivan Vilaça