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    Porto do São Raimundo vira balneário improvisado

    Dividindo espaço com as balsas, barcos e não se importando com a poluição produzida pelas fumaças e óleos das embarcações, populares ignoram as regras e transformam o local em balneário – foto: Diego Janatã
    Dividindo espaço com as balsas, barcos e não se importando com a poluição produzida pelas fumaças e óleos das embarcações, populares ignoram as regras e transformam o local em balneário – foto: Diego Janatã

    Porta de entrada e saída para diversos municípios do Amazonas, o porto do São Raimundo, localizado na Zona Oeste, que, recentemente, passou por uma revitalização, há algum tempo, vem sendo utilizado como balneário público, com música ao vivo e venda de bebidas alcoólicas, aos fins de semanas, sem qualquer tipo de fiscalização ou segurança.

    Dividindo espaço com as balsas, barcos e não se importando com a poluição produzida pelas fumaças e óleos das embarcações, populares ignoram as regras impostas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), órgão responsável pelo local, sobre o uso do porto, e usam o espaço para tomar banho e, ainda, comercializar refeições, roupas e acessórios para banho. O balneário improvisado é composto por pessoas que moram próximo ao local e que preferem a comodidade de frequentar um lugar mais calmo, sem a agitação das grandes praias de banho da cidade.

    “Moro no São Raimundo e como o porto fica perto da minha casa, decidi trazer as crianças para brincar no espaço. É bem mais calmo e mais seguro do que a Ponta Negra. Muitos dizem que a área é imprópria para o banho devido aos riscos apresentados pelas embarcações, que ficam ancoradas no porto, mas não concordo. Aos fins de semanas, as embarcações ficam paradas, por isso não oferecem perigo”, avalia a dona de casa, Roberta Teixeira.

    De acordo com um funcionário do porto, que preferiu não se identificar, a invasão de banhistas e comerciantes começou logo após a entrega do novo complexo, ainda de forma tímida, mas, desde o meio do ano passado, vem ganhando grandes proporções. O pouco de servidores que fazem a guarda do local não tem sido suficiente para impedir a ação dos populares.

    “O que está acontecendo aqui no porto, é a mesma situação vista quando ainda não existia ponte e a travessia até o Cacau-Pirêra era feita somente por aqui. Era uma confusão, gente tomando banho, vendendo espetinho, barraca espalhada pela via, lixo e falta de segurança. Hoje, isso se repete aos sábados e aos domingos e, infelizmente, não podemos fazer nada. Apenas duas pessoas ficam na guarita para controlar a entrada e a saída de carros, mas para fiscalizar o uso do porto como balneário não existe. É um problema que ainda trará muita dor de cabeça para a administração. Se nada for feito imediatamente, isso ficará pior que a Ponta Negra, aos fins de semanas”, ressalta o funcionário do lugar.

    Ainda segundo o servidor, uma solução para sanar esse problema, vem sendo estudada pelo Dnit, há meses, mas, devido ao agravamento da crise econômica do Estado e do corte de recursos na maioria das pastas, as medidas que estavam sendo planejadas, tiveram que ser reavaliadas, algumas mudadas, para, posteriormente, serem adotadas. O funcionário do porto destaca que não há previsão para que as ações de combate ao uso indevido do local, sejam colocadas em prática.

    Providências

    Questionada pelo EM TEMPO sobre a situação, a superintendência do Dnit, representada pelo coordenador-geral da Administração das Hidrovias da Amazônia Ocidental (AHIMOC), Luciano Moreira de Sousa Filho, por meio de nota, explica que o porto de São Raimundo é uma Instalação Portuária Pública de Pequeno Porte (IP4) e, portanto, não possui guarda portuária, que é obrigatória nos portos organizados, como é o caso do Porto Organizado de Manaus, no Centro.

    Ainda segundo o coordenador, na qualidade de IP4, o porto de São Raimundo possui somente agentes de portaria e vigias, sendo assim o acesso de pessoas às suas instalações é permitido. Entretanto, o Dnit já está em entendimento com a Polícia Militar, para melhorar o policiamento no porto do São Raimundo.
    A informação do servidor do porto, de que a crise econômica tem afetado o planejamento de ações para combater a invasão descontrolada de banhista no local, também foi confirmada por Luciano. Segundo ele, tal situação registrada há anos, “infelizmente não tem previsão para ser resolvida”.

    Ponte Rio Negro abandonada

    Desde o mês de fevereiro, a ponte fica totalmente no escuro, no período noturno, dificultando a visibilidade de motoristas e pedestres – foto: Diego Janatã
    Desde o mês de fevereiro, a ponte fica totalmente no escuro, no período noturno, dificultando a visibilidade de motoristas e pedestres – foto: Diego Janatã

    A pouco metros do porto do São Raimundo, a ponte Rio Negro, que teve um investimento de R$ 1,097 bilhão, também tem sido um problema para a atual administração do Estado. Devido à falta de recursos para investir na manutenção mensal da estrutura, hoje, a estrutura sem iluminação e sem sinalização, em alguns trechos, virou uma verdadeira armadilha para os frequentadores.

    O que era para ser um dos mais belos cartões-postais da cidade, uma vez que foram gastos R$ 17,5 milhões no sistema de iluminação cênica, virou apenas mais uma estrutura abandonada e destruída com a ação de vândalos e do tempo.

    Desde o mês de fevereiro, a ponte fica totalmente no escuro, no período noturno, dificultando a visibilidade de motoristas e pedestres. Os efeitos de iluminação, que chamavam a atenção e ressaltavam os traços da estrutura e que eram um dos motivos de orgulho para os manauenses, agora viraram alvo de diversas reclamações. Outro problema muito comum registrado desde o início do ano, quando o sistema de segurança foi reduzido no local, é o aumento de assalto aos frequentadores que utilizam a ponte para a prática esportiva.

    Além disso, as placas de sinalização implantadas na extensão da ponte, estão sendo destruídas ou pichadas por populares, que aproveitam a falta de fiscalização para praticar vandalismo. O lixo também pode ser visto espalhado pela via.

    Procurada para falar sobre o caso, a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), não se pronunciou sobre a situação da ponte Rio Negro.

    Por Gerson Freitas

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