Walter Junio
Especial para o EM TEMPO
walterjunio@emtempo.com.br
Uma suposta bomba causou tumulto e pânico na avenida Joaquim Nabuco, no Centro. O artefato foi localizado, por volta das 7h de ontem, no pátio da clínica Amostra — Assessoria em Medicina Ocupacional e Segurança do Trabalho, por uma funcionária da empresa. A via foi interditada por aproximadamente duas horas, para que a companhia de Manejo de Artefato e Explosivo (Marte) do Batalhão de Resposta Rápida de Ação e Intervenção Operacional (Raio) da Polícia Militar desarmasse o artefato.
Homens do Corpo de Bombeiros, Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e da 1ª Companhia Interativa de Comunitária (Cicom) mantiveram a área isolada por um perímetro de cem metros de distância da clínica, cujo diretor-administrativo, Alexandre Anthony, é primo do juiz da 2ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), Mauro Antony. O magistrado investiga a suposta organização criminosa liderada pelo ex-deputado Wallace Souza.
“Nós entramos na clínica e não percebemos a bomba. A nossa funcionária que trabalha na área de serviços gerais viu a maleta no pátio e nos avisou. Ligamos para a direção da empresa, e depois acionamos a polícia para desarmar a possível bomba. Na hora evacuamos todo o prédio, até porque não sabíamos se realmente se tratava de um explosivo”, declarou a funcionária Karla Costa, 28.
A suposta bomba continha uma espécie de comando de acionamento em uma maleta, que estava ligada por meio de fios ao explosivo (cilindro). Por volta das 14h40 de ontem, o material explosivo foi detonado pelos policiais do Marte, em um campo de futebol do Comando Geral do Corpo de Bombeiros, Petrópolis, Zona Centro-Sul.
De acordo com o comandante do batalhão Raio, Cláudio Silva, o artefato tinha todas as características de uma bomba propriamente dita. “O autor pode ter algum conhecimento com explosivos. Ela tinha todas as semelhanças de um explosivo real. A partir de agora, a perícia do Instituto de Criminalística vai emitir o laudo e constatar se realmente era uma bomba”, disse o comandante, ao ressaltar que não sabia mencionar o poder de explosão do material encontrado na clínica.
Para a soldado do Marte, Alexandra Cruz, primeira mulher brasileira especialista em materiais explosivos, a suposta bomba apresentava sinais de ativação por meio de radiofrequência. “Poderia ser acionada por um controle remoto. O autor do artefato acionaria o explosivo a distância do alvo. Mas isso só a perícia pode detalhar com mais precisão por meio do laudo”, comentou.
Ameaça
Alexandre Antony disse que, recentemente, recebeu uma ameaça verbal de um ex-funcionário da empresa. No entanto, afirmou não acreditar que este o caso estivesse envolvido com bomba. Na semana passada a clínica foi furtada e dois computadores foram levados.
Nenhum comentário cadastrado.