A Delegacia da Mulher registrou nos três últimos anos mais de 30 mil casos de violência praticada contra a mulher. Só em 2009, o número de registros foi de 11.578, segundo a Articulação de Mulheres do Amazonas (AMA) - dois mil casos a mais que em 2008. Para a AMA, o acréscimo nos números mostra que as mulheres estão denunciando mais. Paralelo ao número de denúncias, o julgamento destes processos é preocupante. Ontem, mulheres de diversos segmentos sociais foram para a frente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pedir celeridade no julgamento de processos que envolvam crimes contra o sexo feminino.
Além do movimento na frente do TJAM, o centenário do Dia Internacional da Mulher, comemorado ontem, foi lembrado por outras formas de manifestação ontem em Manaus. A praça do Congresso, Centro, por exemplo, abrigou, durante todo o dia, 10 estandes com oferta de serviços de orientação quanto a saúde da mulher, como aferição de pressão arterial e informações sobre os direitos adquiridos pelo sexo feminino com a instituição da Lei Maria da Penha. Também no Centro, entre as avenidas Sete de Setembro e Eduardo Ribeiro, a Liga Amazonense Contra o Câncer (LAAC) fez panfletagem com dicas de como a mulher pode prevenir a doença por meio de exames como o Papanicolau, para colo do útero, e mamografia, para detectar o câncer de mama.
Para a secretária do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam), Ana Cristina Rodrigues, que ajudou na organização dos estantes de serviços na praça do Congresso, as mulheres alcançaram, nas últimas décadas, reconhecimento e respeito em algumas profissões, porém precisam avançar em outras áreas. “A sociedade deve continuar nesse processo de conscientização no campo de atuação da mulher”, ressaltou. Em outro estande disposto na praça, a autônoma Juçara Cássia, 25, atenta à própria saúde, aproveitou o dia para checar a pressão arterial e o índice de glicose. “Felizmente está tudo bem e é bom, sempre que possível, fazer um check-up da saúde”, disse.
Apesar da aparente saúde, Juçara Cássia ouviu do cardiologista, Paulo Ferreira, da Sociedade Amazonense de Cardiologia que nos últimos 20 anos aumentou a incidência de doenças cardíacas entre as mulheres e, só na última década 22% de brasileiras morreram em consequência das doenças relacionadas ao coração. “O diagnóstico tardio e a falta de atenção das mulheres aos sintomas da doença são apontadas como as principais causas de óbitos”, ressaltou o médico.
Outras manifestações
Ainda pela manhã, a Liga Amazonense Contra o Câncer (LAAC) distribuiu panfletos no Centro chamando a atenção das mulheres para a prevenção do câncer de colo do útero e de mama, terceira e sexta causas de mortes, respectivamente, entre as amazonenses segundo a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon). “Queremos, com essa ação, orientar as mulheres a praticarem, com mais frequência, o autoexame para observação de possíveis alterações na mama, por exemplo”, frisou a coordenadora de prevenção e controle do câncer da FCecon, Aleksandera Oliveira, 34.
Já na frente do TJAM, um grupo de 60 pessoas reivindicava celeridade nos processos que tramitam na Vara Especializada de Crimes contra as mulheres. A coordenadora da AMA, Socorro Papoula, 48, denunciou que mais de quatro mil processos estão parados na Delegacia da Mulher a espera de tramitação para o Judiciário. “A Lei Maria da Penha foi uma conquista, mas não basta apenas denunciar e, sim, punir os responsáveis pela violência contra o sexo feminino”, atestou a coordenadora.
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