A semana teve dias marcados por temperaturas acima dos 37°C em Manaus. O cenário reforça a necessidade de cuidados entre praticantes de atividades físicas em espaços abertos. No Dia do Profissional de Educação Física, celebrado em 1º de setembro, especialistas alertam que o acompanhamento técnico ajuda a dosar a carga de exercícios e evitar riscos durante o verão amazônico.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 37,3ºC em Manaus, a maior temperatura do ano até então. O novo recorde superou os 37,1ºC registrados em 25 de agosto e confirmou agosto como o mês mais quente do ano na capital amazonense até aquele momento.
Treino precisa considerar o calor
Profissional de Educação Física, fundador do LD Personal Soccer e treinador na Escolinha de Futebol Oficial do Santos em Manaus, Lucas David explica que o trabalho do treinador vai além da prescrição de exercícios.
Segundo ele, o profissional também precisa observar as condições climáticas. Dessa forma, consegue ajustar a intensidade e a duração dos treinos de acordo com a temperatura.
“O papel do treinador vai muito além de apenas passar uma atividade. É preciso observar todas as variáveis do treinamento e o ambiente em que o aluno está inserido. Tratando desse calor extremo em Manaus, é necessário entender sobre a questão da intensidade e a duração do treinamento. Não tem como fazer uma atividade muito intensa e com duração prolongada em dias de calor excessivo ou nos horários em que as temperaturas atingem o pico”, destaca o treinador.
Sinais do corpo exigem atenção
A exposição prolongada ao calor durante o esforço físico pode sobrecarregar o sistema cardiovascular. Além disso, também pode prejudicar a capacidade do organismo de controlar a própria temperatura.
Por isso, o aparecimento de sintomas deve servir de alerta para interromper o exercício. Entre os sinais estão tontura, dor de cabeça e náusea.
Segundo Lucas, o profissional precisa identificar esses sintomas rapidamente. Assim, pode interromper a atividade e levar a pessoa para um local fresco.
“Em relação aos sinais de alerta, é comum o aluno ou atleta começar a apresentar tontura, dor de cabeça e, em alguns casos, até náuseas. O treinador precisa estar atento, especialmente ao primeiro sintoma de tontura, para conduzir a pessoa imediatamente a um local fresco e interromper a atividade. É necessário avaliar a evolução do quadro para checar se ele pode retornar de forma moderada ou se há necessidade de atendimento médico imediato”, orienta Lucas.
Hidratação deve começar em casa
Outro cuidado importante envolve a perda de líquidos e sais minerais durante a transpiração. Por isso, a hidratação deve fazer parte da rotina e não ficar restrita ao momento do treino.
“No LD Personal Soccer buscamos conscientizar nossos atletas de que a hidratação não deve acontecer apenas durante o treinamento. O hábito de se hidratar precisa ser diário, começando em casa, antes e depois das atividades. Além da ingestão de água, recomendamos o consumo de bebidas isotônicas para a reposição de eletrólitos, fundamentais para recuperar os minerais que são perdidos em abundância através do suor durante o exercício”, pontua.
Crianças precisam de atenção redobrada
Quando o trabalho envolve iniciação esportiva infantil, o cuidado precisa ser ainda maior. Crianças podem se concentrar no aspecto lúdico da atividade e nem sempre perceber os sinais de cansaço.
Por isso, o profissional deve adaptar a metodologia e aumentar os períodos de descanso. As pausas também precisam ocorrer com mais frequência.
“A atenção com o público infantil precisa ser redobrada, pois as crianças nem sempre conseguem expressar de imediato o que estão sentindo no corpo. Muitas vezes, elas querem continuar a atividade até o fim e dizem que não estão cansadas. Por isso, na nossa metodologia, aumentamos o tempo de descanso e fazemos pausas mais frequentes durante as sessões com crianças em comparação com as turmas de adultos”, finaliza o profissional.
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