“A paz esteja convosco”, foi a saudação ao se apresentar na Praça de São Pedro depois da eleição como Papa Leão XIV. A Paz!! A mesma saudação e anúncio de Jesus depois da ressurreição.
A humanidade vive na disputa, na busca de dominação, subjugação, mas ao mesmo tempo continua a conjugar a fraternidade: fraternizar. Na recente Encíclica Magnifica humanitas, o Santo Padre alertava e acordava a humanidade para permanecer no caminho da dignidade da pessoa, diante dos avanços tecnológicos e desejo de dominação. O horizonte que não se pode perder: a Paz!
Numa recente publicação com as manifestações nas homilias, discursos e audiências, é possível retomar a insistência e persistência de Leão XIV na busca da paz. O título é inspirador: “Desarmada e desarmante. A paz é um dom”! A paz desponta no horizonte humano quando recebida como dom! Como dom, desarma a mente e o coração, para desarmar as mãos.
A paz é cultivada na cotidianidade, isto é, nas relações de proximidade como a família, a comunidade, o trabalho. É ali que acontece a escuta, o perdão, a mão estendida, a reconciliação que desarma e possibilita a harmonia nas relações.
As guerras não se justificam, apesar de continuamente acontecer a argumentação favorável. As guerras não possibilitam segurança, mas deixam ressentimento, ódio, distanciamento. Com a corrida armamentista e o uso crescente de novas tecnologias nos conflitos, Papa Leão ensina: “Não são as armas atômicas que geram a paz, mas sim o desarmamento”.
A paz é visibilizada no silêncio que silencia, na escuta que escuta, na palavra-palavra, pedra sobre pedra, mãos vazias, desarmadas, até ressoar a graça da fraternidade universal. São muitas as testemunhas da paz; todas as mulheres e todos os homens que caminham ao encontro do outro com a suavidade de um dom: a paz! São muitas as testemunhas na Igreja e na sociedade. Lembramos dois: Francisco de Assis, lembrado e venerado com São Francisco de Assis e Mohandas Karamchand Gandhi, mais conhecido como Mahatma Gandhi. São muitos os que buscam impedir a tragédia da guerra.
O dom da Paz é sempre um chamado à esperança. Vivemos, por convocação do Papa Francisco, o “Ano da Esperança”! Engendrar todos os esforços para que o dom da paz transforme a humanidade numa fraternidade.
Nos aproximamos do tempo das eleições onde muitas vezes os discursos são de acusação, violência, “desdignificação” da pessoa, como se fossem inimigos. Adversários políticos usam linguagem e gestos que dignificam a nobre tarefa, por que não dizer missão, política.
A política no seu exercício necessita ser desarmada; acontecerá no modo de falar, agir, olhar, gesticular. O cristão encontra no Evangelho a razão e a certeza de que a esperança, o amor, e a entrega aos outros, são capazes de vencer a violência e conceder a paz!

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