Simone Weil, numa das suas cartas endereçadas ao padre Joseph-Marie Perrin, uma espécie de autobiografia espiritual, escreveu; “O Senhor não me trouxe a inspiração cristã em Cristo, pois quando eu o encontrei isso não estava mais por fazer; já tinha sido feito sem a intermediação de nenhum ser humano. Se assim não fosse, se eu já não tivesse sido arrebatada por Cristo, não apenas implícita, mas conscientemente, o senhor nada teria me dado, pois eu nada teria recebido do senhor” (Espera de Deus). A vocação, como na fé e no amor, é ser atingido, ser despertado para o mistério da vida, o ser iluminado pelo Amor que tudo cria, gera e mantém. Ser encontrado, chamado.
Lemos em Marcos: “Jesus subiu à montanha e chamou os que ele quis; e foram até ele” (Mc 3,13). A vocação tem sempre gosto e sabor de encontro. Encontro: ser é encontrado, chamado.
Desse chamado vivem, se realizam as vocações! Um despertar, iluminar, encantar para uma realização, para uma missão. Despertar para a vocação matrimonial, para vocação presbiteral, para a vocação à vida consagrada, como graça. Por isso, sempre se reafirma a vo-cação, isto é, o chamado, o escutar a sonoridade de Alguém que chama, atrai.
Como lembrava Papa Leão XIV: “cada vocação é um dom imenso para a Igreja e para quem a acolhe com alegria”. Animava os jovens: “Queridos jovens, escutai a voz do Senhor que vos convida a viver uma vida plena, realizada, fazendo frutificar os próprios talentos (cf. Mt 25,14-30)”; descobrireis como doar-vos no caminho do matrimônio ou do sacerdócio, ou do diaconato permanente, ou na vida consagrada, religiosa ou secular (cf. Dia Mundial de oração pelas vocações/2026). Ou como ensinava Papa Francisco: “são muitos os jovens que procuram conhecer o caminho que Deus os chama a percorrer: alguns constatam – muitas vezes com surpresa – a vocação ao sacerdócio ou à vida consagrada; outros descobrem a beleza do chamado ao matrimônio e à vida familiar, bem como ao empenho pelo bem comum e ao testemunho da fé entre colegas e amigos(cf. Dia Mundial de oração pelas vocações/2025).
A vocação faz germinar uma resposta como impulso interior ao amor e ao serviço, como fonte de esperança e caridade e não como busca de autoafirmação. Vocação e esperança entrelaçam-se, portanto, no projeto divino pela alegria de cada homem e mulher, todos eles são chamados em primeira pessoa a oferecer a sua vida pelos outros (cf. EG).
Toda vocação tem a sua beleza, a sua entrega, o seu deixar tudo, o seu encanto, o seu sofrer no amor, o seu perdão, a sua participação, a sua entrega, a sua realização. Quando amor, entrega, serviço, nasce a realização plena. A vocação, portanto, não é estática, mas um processo dinâmico de amadurecimento, de intimidade, de admiração, entrega, oblação. Tecer a vocação relendo tudo à luz do dom da vocação recebida. É missão!
No mês de agosto a Igreja Católica no Brasil lembra e reza pelas vocações.

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