Depois de iniciar setembro registrando o dia mais quente do ano, conforme dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a capital amazonense se prepara para temperaturas ainda mais extremas até outubro, aumentando o alerta para tutores de cães braquicefálicos. Se o calor intenso já afeta a saúde dos seres humanos, imagine no caso desses animais com particularidades anatômicas que dificultam a regulação da temperatura corporal por meio da respiração. O simples ato de passear pode ser fatal.
Sócia-fundadora do Centro de Especialidades Cirúrgicas e Veterinárias (CECV), a médica veterinária Ádria Camila Souza da Silva explica que, devido ao formato encurtado das vias respiratórias, esses amigos de quatro patas (popularmente conhecidos como cães de focinho achatado) apresentam maior vulnerabilidade ao calor, podendo sofrer com falta de ar, exaustão e até quadros de hipertermia, quando a temperatura central do corpo passa por um aumento abrupto.
“Pug, Buldogue Francês, Shih Tzu, Affenpinscher, Lhasa Apso, Cane Corso, Pequinês e Boston Terrier são alguns dos que se enquadram na lista. A anatomia das vias aéreas dessas raças faz com que haja uma limitação natural na passagem de ar. Como a regulação térmica dos cães não ocorre pela transpiração e sim por meio da respiração ofegante, essa limitação anatômica dos cães braquicefálicos dificulta a dissipação do calor, aumentando a possibilidade de superaquecerem. E, em casos extremos, isso pode levar a óbito”, esmiuça a veterinária, que faz questão de compartilhar conhecimento em seu perfil do Instagram (@dra.adriacamila).
Procedimentos cirúrgicos
Para garantir o bem-estar desses cães durante o período de altas temperaturas, é necessário que os tutores sigam algumas dicas, de acordo com Ádria: mantenham os animais em ambientes arejados, com sombra e ventilação; evitem que eles façam atividades físicas intensas; planejem o horário do passeio em momentos mais frescos do dia; ofereçam uma alimentação leve e bastante água fresca; realizem o acompanhamento veterinário com regularidade.
Segundo a veterinária, que é especializada em cirurgia oncológica e reconstrutiva e em Videocirurgia em Pequenos Animais, a rotina de consultas de cães braquicefálicos deve ser ainda mais frequente, até mesmo para identificar a necessidade de cuidados específicos, como intervenções cirúrgicas. “Às vezes é preciso recorrer a cirurgias corretivas para melhorar a respiração dessas raças, a exemplo de rinoplastia e estafilectomia”, especifica.
A profissional detalha que a rinoplastia é um procedimento funcional e não estético que consiste no aumento dos orifícios nasais para facilitar a passagem do ar. Já a estafilectomia visa remover o excesso do palato mole (céu da boca), que costuma obstruir a passagem do ar nos animais braquicefálicos. “Em determinadas situações, os dois procedimentos podem ocorrer de forma associada”, observa.
De acordo com ela, há casos em que, independentemente do clima, algumas dessas raças precisam passar pelas cirurgias para conseguirem sobreviver ao dia a dia. “Apesar do período de calor ser ainda mais sufocante, há situações em que eles também passam mal na rotina diária, mesmo sem altas temperaturas. Por isso, é sempre indicado que os tutores procurem profissionais com experiência no acompanhamento clínico e cirúrgico para entenderem qual a melhor estratégia para garantir a qualidade de vida dos amigos de quatro patas. Todo cuidado é fundamental para que essas raças consigam viver com bem-estar”, finaliza.
LEIA MAIS:
Calor intenso faz Defesa Civil emitir alerta para a Região Metropolitana de Manaus
