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A cheia em Manaus e os riscos da contaminação em casas alagadas

734 áreas de risco estão registradas atualmente em Manaus

As principais ocorrências de desastres naturais são nas zonas Norte e Leste
As principais ocorrências de desastres naturais são nas zonas Norte e Leste | Foto: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

Manaus - Com o fim do ano cada vez mais próximo, manauenses começam a se preocupar mais devido às chuvas fortes. Enquanto alguns vigiam possíveis goteiras e infiltrações, outros se preparam para não perderem eletrodomésticos por conta das alagações nas residências em áreas de risco. 

Quem vive de perto essa situação, são os moradores de palafitas (casas construídas acima do nível dos rios com o auxílio de grandes pedaços de madeira). Às margens de igarapés no meio da cidade ou longe das principais avenidas, a realidade sempre é a de fugir ao máximo das enchentes.

O catador Francisco do Nascimento, de 54 anos, relatou que todos os anos sempre é obrigado a fazer alguma mudança na casa. Morador há mais de 30 anos da rua Barão do Rio Branco, no bairro São Jorge, Zona Oeste, ele conta que o fim do ano é marcado com expectativas e ações de prevenção.

"Na primeira cheia, a água atingiu o  telhado de casa. Fomos obrigados a mudar de lugar", dizem moradores
"Na primeira cheia, a água atingiu o telhado de casa. Fomos obrigados a mudar de lugar", dizem moradores | Foto: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

"É de lei. Quando começa dezembro me preparo para tomar alguma medida. Na primeira vez, mudei para a casa da minha mãe e depois subi a minha no terreno mais acima. Da outra vez, fiz um andar a mais, porque a água chegava em toda a parte", explicou.

Segundo a Defesa Civil do Município (DCM), há dois anos não há enchentes na cidade. Para este período, Nascimento disse que a única alternativa que tem é esperar pelo auxílio humanitário da Prefeitura de Manaus. "Quando enche muito, eles instalam pontes de madeira, e eu deixo meu carrinho na casa de amigos. Não sei mais o que posso fazer", revela o catador.

A esposa dele, Mari Ferreira, de 40 anos, diz que a cheia de 2012 foi a pior. "Nesse ano, a água foi até o telhado. Perdemos tudo", lamentou. Outros que moram próximo a igarapés reclamam da mesma dificuldade. A dona de casa Débora Oliveira, de 37 anos, que reside na comunidade Jesus Me Deu, Zona Norte, comenta que do final do mês de outubro para novembro reunia os vizinhos para aumentar o barranco de terra evitando que a água não subisse para as casas.

Uma moradora da comunidade Jesus Me Deu, Zona Norte, reúne vizinhos para cavarem o barranco do igarapé e aumentar a barreira contra a água
Uma moradora da comunidade Jesus Me Deu, Zona Norte, reúne vizinhos para cavarem o barranco do igarapé e aumentar a barreira contra a água | Foto: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

"Quem mora mais perto do rio não tem saída, precisa se preparar para impedir a alagação como pode. A gente juntava as três famílias que eram mais atingidas para cavar a terra e aumentar a ribanceira. Diminuía um pouco a água e aumentava a nossa sensação de segurança", falou.

Na época em que teve a casa alagada, a dona de casa lembrou das manhãs diárias em que andava com os pés na água. "Foram os piores anos da minha vida. Todos os dias a gente acordava com os pés molhados, tirávamos a água e no dia seguinte era tudo de novo. Pegamos até micose no pé por causa da água suja", completou.

Doenças

Dentro desse cenário, a proliferação de insetos e animais como ratos, cobras e mesmo jacarés é favorável. Francisco conta que em um dos anos de cheia, encontrou um jacaré nadando perto ao mato acumulado na beira da residência. Além disso, doenças dermatológicas também são acarretadas.

Com o lixo acumulado e a cheia de água, bichos e insetos se proliferam favorecendo doenças
Com o lixo acumulado e a cheia de água, bichos e insetos se proliferam favorecendo doenças | Foto: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

"Como sempre molhávamos o pé na água suja, toda a minha família ficou com micose e outras coceiras", lembrou Débora.

Alerta

A infectologista Maria Paula Mourão destacou que em ambientes, onde há casas alagadas, aumenta a probabilidade de contaminação de doenças por diversas causas. Diarreia aguda, febre tifóide e hepatite do tipo A são alguns exemplos. 

"Isso se dá pela transmissão fecal-oral, ou seja, quando a água ou alimentos ingeridos são contaminados por fezes de outros indivíduos infectados", esclareceu. 

Além disso, a proliferação de insetos e o contato com o lixo acumulado facilitam o envio de bactérias e vírus podendo causar tétano, leptospirose e dengue, dependendo dos casos. O convívio de bichos como serpentes e escorpiões atraídos pelo ambiente ainda é outro agravante nesses locais, alerta a especialista. 

Defesa Civil

O órgão responsável pelo monitoramento de desastres naturais e alagamentos informou que a cidade possui atualmente 734 áreas de risco, sendo as zonas Leste e Norte com o maior número de ocorrências. Com monitoramento 24h, a central de emergência funciona pelo disque 199.

734 áreas de risco estão registradas atualmente em Manaus
734 áreas de risco estão registradas atualmente em Manaus | Foto: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

Nos casos de perda de eletrodomésticos ou perda completa da casa, o morador recebe a doação de colchões e itens básicos de higiene, além de um auxílio aluguel. Para este ano, a pasta afirmou que o monitoramento climático é feito em parceria com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Pluviômetros em 13 bairros auxiliam na inspeção.

Plataformas de coleta de dados no igarapé do Mindu, Zona Centro-Sul, e no igarapé do Quarenta, Zona Sul, apontam as informações de subida do nível da água, também. No mês de novembro, apenas um caso de alagação foi registrado na Cidade Nova, Zona Norte.

Confira a reportagem completa da TV Em Tempo. 

Confira a reportagem | Autor: TV Em Tempo

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