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    ‘Só restou R$ 5 no bolso’, lamenta vítima de incêndio em Manaus

    Aproximadamente 600 moradias foram destruídas pelas chamas. Muitos desabrigados realizam o cadastro do auxílio humanitário nesta terça-feira (18)

    A comerciante Cheased Maia esteve na manhã desta terça-feira (18) na fila para cadastramento de auxílio humanitário
    A comerciante Cheased Maia esteve na manhã desta terça-feira (18) na fila para cadastramento de auxílio humanitário | Foto: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

    "Só fiquei com cinco reais no bolso. Amanheci na fila para o abrigo social e me deram algo para comer. Tentei salvar o máximo que pude da minha casa e também nas dos meus vizinhos, mas foi tudo em vão. Minha esperança é receber ajuda para recomeçar". As palavras são da comerciante Cheased Maia, de 34 anos, uma das vítimas do incêndio que destruiu aproximadamente 600 casas em torno da Bacia do Educandos, Zona Sul de Manaus, na noite de segunda (17) e madrugada desta terça (18). 

    O relato da comerciante é apenas um dentre centenas contando lembranças ruins da noite de ontem. Na manhã de hoje, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) ainda realizado trabalho de rescaldo (monitorar e apagar possíveis focos de fogo). 

    A Prefeitura foi acionada e as pastas de Defesa Civil e Assistência Social (Semasc) oferecem o cadastramento para as famílias receberem o auxílio humanitário, que envolve auxílio-aluguel e doações de itens pessoais. 

    Famílias desabrigadas aguardam para receberem doações
    Famílias desabrigadas aguardam para receberem doações | Foto: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

    Para o aposentado Manuel Batista, de 65 anos, toda essa situação poderia ter sido evitada. "Moro há 30 anos nessa favela e nunca teve uma rota de fuga se caso ocorresse desastres assim. O lamentável é que só olham para a nossa necessidade depois que tragédia está feita", reclama ele. 

    A comerciante Cheased acrescentou que se feriu no rosto e nos braços tentando apagar o fogo ainda nas primeiras horas de incêndio. "Vi um clarão em frente à minha porta e corremos para tentar apagar. Quebramos canos d'água, jogamos baldes, mas tudo isso não serviu para apagar as chamas de dois metros nas casas. Os bombeiros demoraram muito tem para chegar", lamenta ela. 

    Silva confirmou a fala e reportou que, quando as equipes chegaram, muitas casas já haviam sido destruídas. De acordo com o secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP), Amadeu Soares, a explosão de uma panela de pressão foi a causa preliminar do desastre. 

    Morador relata que em todos os anos que reside na favela, nunca houve uma rota de fuga | Autor: Nícolas Daniel Marreco/Em Tempo

    "O vento estava forte na noite de ontem e como as casas são de madeira e coladas umas às outras, o fogo se espalhou com facilidade", destacou. O Instituto de Criminalística (IC) vai apurar as causas oficiais com a equipe técnica. 

    Apoio 

    Servidores e voluntários ajudaram a contornar alguns tumultos nesta manhã durante a formação da fila de cadastramento. Devido aos auxílios oferecidos, muitas pessoas que não moram no local tentaram se aproveitar do benefício. 

    Além disso, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou atendimentos nesta manhã de pessoas que passaram mal devido a inalação de fumaça tóxica, além da exaustão física após ficar a madrugada sem dormir. 

    Aproximadamente 600 casas foram destruídas na noite/madrugada desta terça (18)
    Aproximadamente 600 casas foram destruídas na noite/madrugada desta terça (18) | Foto: Ione Moreno/Em Tempo

    A diretora do departamento de proteção social especial da Semasc, Mirella Lauschner, falou que pela triagem de cadastros vai oferecer o auxílio-aluguel somente aos necessitados. "Muitas vítimas podem ir para casa de parentes e estamos fazendo o levantamento daqueles que, realmente, não tem onde ir. A partir dessa divisão vamos começar os trabalhos de realocação", confirmou. 

    Para interessados em fazer doações, basta clicar neste link e conferir os pontos de coleta.

    A fumaça que atingiu grandes alturas até o meio-dia desta terça (18) prejudicou os moradores do entorno da Bacia do Educandos
    A fumaça que atingiu grandes alturas até o meio-dia desta terça (18) prejudicou os moradores do entorno da Bacia do Educandos | Foto: Ione Moreno/Em Tempo

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