Fonte: OpenWeather

    Vida ao volante


    Histórias de amor a profissão contadas por um taxista de Manaus

    Renato Augusto trabalha desde 2011 como taxista e tem verdadeiro amor pela profissão

    Taxista é uma das profissões mais antigas do mundo
    Taxista é uma das profissões mais antigas do mundo | Foto: Bianca Ribeiro/Em Tempo

    Manaus - O serviço de transporte de pessoas é tão antigo quanto a própria civilização. Mas antes mesmo da palavra ‘táxi” ser conhecida mundialmente, os cocheiros de Paris e Londres, na França e na Inglaterra, respectivamente, já transportavam famílias ricas de um lado para o outro da cidade e cobravam uma taxa por isso. De lá para cá, a figura do taxista foi se tornando conhecida e ganhando espaço internacional.

    Em Manaus, eles ficam distribuídos em pontos específicos na cidade, principalmente, próximo a pontos turísticos. É em um deles que você encontrará Renato Augusto Batista das Neves, de 33 anos. Ele trabalha no ramo há 8 anos.

    “Eu costumo falar que o táxi é uma terapia para mim. Por isso, amo o que eu faço. Nós procuramos profissões onde nos adaptamos e gostamos. E eu gosto do que eu faço,  mesmo com tudo isso que a categoria está passando”, conta o taxista.

    Antes de virar taxista, ele trabalhava na área de construção civil e chegou a atuar em importantes construções como a Ponte Rio Negro e a Arena da Amazônia. Ao ficar desempregado optou por virar mototaxista para não ficar sem dinheiro.

    “Eu vi que era bom dirigir, ser seu próprio chefe e trabalhar a hora que você quisesse no teu próprio carro. Minha mãe ficou doente há três anos, infelizmente, ela faleceu há sete meses. Eu sou filho único, então, se não fosse o táxi, eu não ajudaria o tanto que eu a ajudei e fiquei ao lado dela enquanto estava doente”, relata.

    Renato começou a carreira em 2011
    Renato começou a carreira em 2011 | Foto: Arquivo Pessoal

    Com o táxi, além de ajudar a mãe, ele também pôde pagar as contas e se sustentar mesmo com a chegada dos aplicativos.

    “Já fiz cursos através do táxi, já posso comprar roupas, pago meu aluguel e minhas contas e moro só. É uma renda onde eu posso fazer o que eu quero. A renda caiu um pouco mas dá para sobreviver”, fala o taxista.

    É com muita clareza que ele se lembra da primeira corrida feita mesmo após todos os anos em que exerce a profissão. A primeira viagem dele foi feita em uma segunda-feira do mês de abril de 2011 por volta das 8h da manhã e um Fiat Siena Celebration 2008.

    “A primeira viagem foi interessante. Estava em um ambiente onde eu podia ouvir a música que eu quisesse. Era um ambiente meu.  Estava ouvindo Bom Jovi, e de repente, um casal levantou a mão e eu parei na Avenida Brasil.  Levei até o bairro Alvorada e como não sabia usar a bandeira, ele só me pagou R$ 10,00. A corrida foi muito barata por causa da distância. Depois que entendi que tinha que ligar o relógio durante a corrida. Fui aprendendo aos poucos e sozinho mesmo”, conta Renato Augusto Batista das Neves.

    Durante tratamento da mãe, o táxi serviu como terapia para Renato
    Durante tratamento da mãe, o táxi serviu como terapia para Renato | Foto: Arquivo Pessoal

    Horário noturno como opção primária

    Desde que começou a exercer a profissão, ele trabalha a noite. A preferência de horário é porque a cidade fica mais tranquila.

    “Manaus é minha até as 5h da manhã. Depois, a cidade é da população.  Você anda por aí e não tem ninguém te perturbando, buzinando ou fazendo babaquice no trânsito. Em questão de 5 a 10 minutos, você chegou no local onde você quer. Tem o perigo do assalto, mas a gente bota Deus na frente e vai trabalhar firme e com coragem”, explica o taxista

    Infelizmente, com o trabalho noturno veio os assaltos. O taxista já tem cinco no total. Um deles aconteceu na sexta-feira da semana passada (10). Ele pegou um senhor, que aparentava ter 40 anos de idade, na Cachoeirinha e levou até o bairro Educandos onde foi anunciado o assalto.

    O outro assalto que o taxista sofreu foi há um mês. Na ocasião, ele começou uma viagem em frente a um centro comercial localizado na Zona Centro-Sul até o bairro Tancredo Neves, na Zona LesTe.

    “Os dois rapazes estavam conversando normalmente. Eu não percebi que iria ser assaltado. Quando cheguei na conhecida “Ponte do Sete” que faz a divisa entre o Tancredo Neves e o Mutirão, ele mandou eu dobrar a esquerda numa rua sem saída. Só pensei ‘é, eu perdi’. Ele anunciou o assalto e tirou a chave da ignição, eu saí e comecei a correr. Ele falava que ia me matar e eu continuava correndo”, conta.

    Para fugir dos assaltantes, ele se jogou em um terreno baldio cheio de cascalhos. Com isso, ele se machucou, mas mesmo assim, o assaltante pediu o celular novo. O taxista jogou o objeto na parede e continuou a fugir. Ao voltar ao local do anúncio do assalto, ele encontrou o táxi abandonado no local. “Se eles soubessem dirigir, tinham levado o carro”, conclui.

    “Carona” para famosos

    Taxista já fez corrida para atriz global
    Taxista já fez corrida para atriz global | Foto: Arquivo Pessoal

    Apesar do perigo que a noite oferece, o taxista tem boas experiências. Principalmente, se o cliente é famoso. Ele destaca que já fez uma viagem com a atriz Paolla Oliveira e com o ator Fiuk na época em que era gravada uma novela aqui em Manaus. Mas foi outra corrida, dessa vez com um parlamentar que mudou a vida de Renato.

    “Há dois meses, eu estava na frente de uma casa de festa, já era quase 5h da manhã. Entrou um cliente muito legal e importante. Não foi o dinheiro que me chamou atenção, mas sim a amizade. Ele é de outro estado, tinha brigado com a família e veio para Manaus esfriar a cabeça. Foram cinco dias andando com ele para os mais diversos lugares. Foi marcante porque acabei ganhando um amigo real”, relata.

    Aplicativos

    Utilizando aplicativos como 99Taxi e Taxi Manaus, ele faz um panorama sobre o relacionamento com o surgimento dos aplicativos em Manaus.

     “Já existia essa ‘modernidade’ que o povo fala só que não era liberado como hoje em dia. Abriu uma clientela nova e totalmente diferente do que era diferente. Temos que entender uma coisa: as pessoas que andam de aplicativo são pessoas que não andavam de táxi”, fala.

    Renato avalia que o público é diferente nos aplcativos
    Renato avalia que o público é diferente nos aplcativos | Foto: Bianca Ribeiro

    De acordo com ele, vários discursos são feitos em relação aos dois grupos, porém, no ramo, ninguém é inimigo de ninguém. O único pedido que a classe faz é que a regulamentação não prejudique a ninguém.

    “Aplicativo nenhum irá mudar a mobilidade urbana. Nunca vai mudar. É uma coisa que apareceu, pode ficar ou não ficar. O táxi pode voltar, mas não como era antes. A gente tem que entender que o táxi é uma renovação constante. É uma figura mundial”, fala.

    Táxi Manaus

    De acordo com ele, o aplicativo Táxi Manaus fortaleceu a categoria e é uma boa opção para quem deseja continuar trabalhando como táxi. O único problema que ele enxerga é a divulgação escassa, se comparado a de outros aplicativos.

    “O Táxi Manaus é um aplicativo muito bom de ser usado: tem 30% de desconto e tem táxi disponível durante 24h.Se o cliente quiser conhecer será muito bem-vindo. Não tem preço dinâmico que os outros aplicativos têm. Por exemplo, quando chove, o preço não aumenta pois é fixo”, comenta.

    Para ele, o taxista é o guardião da cidade. E, não importa qual local do mundo você está, sempre terá um táxi perto para levar até o destino desejado.  

    Leia Mais

    Receba as principais notícias do Portal Em Tempo direto no Whatsapp. Clique aqui!

    App Rota Táxi já contabiliza 1.700 downloads antes de iniciar serviços

    Francisco é o primeiro taxista a adaptar carro para PCDs no Amazonas