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    Trânsito


    Sem fiscalização, mototaxistas clandestinos continuam circulando no AM

    Pelo menos 130 moto táxis clandestinos foram apreendidos este ano em Manaus

    Falta de fiscalização ainda é o principal fator para que condutores permaneçam irregulares. | Foto: Ione Moreno

    Manaus - O serviço de moto táxi é muito utilizado na capital amazonense. Na hora de escolher, é preciso estar atento ao condutor, para não pegar carona com um motorista ilegal. Este ano, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) efetuou, até agosto, a apreensão de 130 moto táxis clandestinos. Em 2018, foram 499 apreensões. 

    De acordo com o IMMU, existem 2,8 mil permissionários ativos em Manaus. Ainda assim, a população deve estar atenta, pois dados mostram que existe grande incidência de assaltos e acidentes envolvendo irregulares, ao contrário do que acontece quando se utiliza o serviço de mototáxi legalizado, serviço mais seguro, confiável, devido às exigências do Instituto para a legalização.

    Thiago Farias, 34, é mototaxista legalizado há sete anos. Ele conta que ainda que os companheiros clandestinos quisessem se legalizar, encontrariam barreiras legais, uma vez que é preciso abrir o processo licitação. “Querendo ou não a gente (legalizados) se prejudica. Os encargos financeiros pesam muito para nós. Como os outros não pagam as taxas, é uma concorrência desleal”. 

    Thiago Farias é mototaxista há sete anos.
    Thiago Farias é mototaxista há sete anos. | Foto: Ione Moreno

    Um mototaxista clandestino, que não quis ser identificado, conta que fazem dois anos que ainda não se regularizou, porque considera o processo burocrático e caro. “Um amigo meu gastou R$ 5 mil para se legalizar, é muito caro e eles pedem um monte de coisa”, relata. 

    Legalização

    Para se regularizar na IMMU, o mototáxista precisa esperar a abertura do edital do processo de licitação, em que é possível se candidatar. Após esta inscrição, o condutor passa por um processo de seleção rigoroso, que inclui apresentação de uma série de certidões e documentos, entre eles o de antecedentes criminais. 

    Além disso, também é preciso participar de curso de mototaxista no Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), ter uma moto com bom período de vida útil pela frente e ainda arcar com os custos de personalização dos seus instrumentos de trabalho. O último processo de licitação ocorreu em 2016, de acordo com o Sindmoto. 

    Apesar da burocracia, Jordan acredita que legalizar ainda é vantajoso.
    Apesar da burocracia, Jordan acredita que legalizar ainda é vantajoso. | Foto: Ione Moreno

    “Tem muito pais de família desempregados que precisam trabalhar e levar alimento para casa. Eu não sou contra eles trabalharem, mas têm alguns que não querem se legalizar, que nem têm habilitação”, conta o mototaxista Jordan Lopes, 54, que atua há 15 anos no ramo. 

    A convivência entre clandestinos e regularizados nem sempre é amistosa. “Têm pontos que aceitam os clandestinos, têm pontos que não. Já vi até partirem para agressão física. Tem muitos colegas que ainda não conseguiram pagar a taxa do IMMU, por conta da concorrência, que às vezes faz até corridas mais baratas”, relata Jordan.

    Jordan investe de R$ 550  a R$ 600 por ano para se manter legalizado. Apesar do alto custo, ele conta que vale a pena. Um dos principais benefícios que ele cita é o Seguro Passageiro, que garante que em caso de acidentes a vítima e a família recebam indenização. 

    Falta de fiscalização

    Ricardo Castro, representante jurídico do Sindicato dos Profissionais Mototaxistas de Manaus (Sindmoto), explica que a organização da classe é contra o serviço ilegal, mas a falta de fiscalização contribui muito para que alguns permaneçam irregulares.

    “Esse não é um problema só nosso. Hoje, a gente não tem fiscalização nos alternativos, executivos e até mesmo nos carros de aplicativos. Os mototaxistas legalizados pagam por um sistema que não está funcionando”, complementa.

    Segundo o representante do Sindmoto, os locais que mais concentram condutores clandestinos são os bairros da Zona Leste, Mauazinho, Colônia Antônio Aleixo, Cidade de Deus, Jorge Teixeira, Zumbi e São José.

    Como identificar um mototaxista legalizado?

    Os mototaxistas legalizados possuem sua moto e equipamentos padronizados nas cores laranja e verde. No capacete, têm uma identificação, que é o IMT, com este número é possível identificar todas as informações sobre o condutor. 

    Aplicativo 

    O condutor Jordan Lopes conta que uma das grandes vantagens de se estar legalizado é poder fazer parte do aplicativo da classe, o “Moto Táxi Oficial”. Por dia, ele atende em média dez chamadas pelo app, sem contar as “mãozinhas” - que são os passageiros de rua. 

    Aplicativo pode ser solicitado de todas as áreas da cidade.
    Aplicativo pode ser solicitado de todas as áreas da cidade. | Foto: Ione Moreno

    Durante o dia as tarifas pelo aplicativo são de R$ 1,05 por quilômetro rodado, mais R$ 3,50 de bandeira. À noite, nos feriados e fins de semana a taxa sobe para R$ 1,15 por quilômetro rodado, mais R$ 3,50 de bandeira. 

    Formação 

    A Prefeitura de Manaus, por meio do IMMU, promove novo Curso de Pilotagem Defensiva no Centro de Treinamento da Moto Honda - CETH, Zona Sul de Manaus, destinado a mototaxistas/auxiliares permissionários. O IMMU já formou, de 2015 até este ano, 2.610 mototaxistas e auxiliares no curso que inclui medidas preventivas para a segurança de condutores e passageiros, legislação, dentre outros assuntos, com validade de três anos, pré-requisito para a renovação do licenciamento anual da permissão de mototaxista, por meio da Resolução nº 001/2018 – SUP/SMTU. A inscrição pode ser feita pelo telefone (92) 3632-2798 - Setor de Educação do IMMU/Gestão de Transporte.

    O Instituto também afirmou que realiza trabalho de educação por meio da sensibilização das pessoas, com blitz educativas em Terminais de Integração, ruas e escolas municipais, falando sobre a importância de usar o serviço de transporte legalizado, que confere mais segurança e credibilidade ao usuário.