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    Saúde


    Mortes por doenças crônicas têm números expressivos AM

    Em Manaus ocorreram, até outubro de 2019, 1.735 óbitos de pessoas de 30 a 69 anos, por hipertensão, diabetes, câncer e obesidade

    Doenças crônicas são responsáveis por 72% das mortes no mundo. | Foto: Leonardo Mota

    Doenças crônicas são responsáveis por 72% das mortes no mundo.
    Doenças crônicas são responsáveis por 72% das mortes no mundo. | Foto: Leonardo Mota

    Manaus - Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) matam 41 milhões de pessoas a cada ano no mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), elas são responsáveis por 72% de todas as mortes. No Amazonas, não se têm dados exatos sobre o total de pessoas que perdem a vida para estas enfermidades. Ainda assim, os óbitos causados por estas doenças apresentam números expressivos. 

    A Secretaria Municipal de Manaus (Semsa) realizou, até novembro de 2019, aproximadamente 269 mil atendimentos a portadores das principais  doenças crônicas não transmissíveis. São elas: hipertensão, diabetes, câncer e obesidade. Em Manaus ocorreram, até outubro de 2019, 1.735 óbitos de pessoas de 30 a 69 anos pelas quatro principais causas de doenças crônicas não transmissíveis.

    Fatores genéticos, inatividade física, alimentação inadequada, tabagismo, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, má alimentação e poluição do ar são alguns dos principais fatores de desenvolvimento das doenças crônicas não transmissíveis. 

    Entre as doenças crônicas não transmissíveis estão: hipertensão arterial, o diabetes, cânceres, asma, a rinite alérgica e a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).

    As doenças crônicas transmissíveis mais comuns são: AIDS/HIV, hepatite B e C, doença de chagas e tuberculose. De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), em 2019, as neoplasias (tumores) causaram a morte de 1.971 pessoas no Amazonas. Em 2018, a doença foi a causa do óbitos de 2.024 pessoas.

    As doenças cerebrovasculares foram responsáveis por 925 óbitos em 2019. No ano anterior, foram registrados 794 óbitos nesta categoria. O diabetes causou 824 óbitos em 2019. Em 2018 foram 794.  Já as doenças isquêmicas do coração mataram, ao todo, 696 pessoas em 2019, no ano anterior, 2018, foram 629.

     Aproximadamente 269 mil pessoas em Manaus receberam tratamentos de doenças crônicas.
    Aproximadamente 269 mil pessoas em Manaus receberam tratamentos de doenças crônicas. | Foto: Leonardo Mota

    Doenças crônicas 

    As doenças crônicas são doenças de longa duração e de progressão lenta, mas que não possuem cura. As doenças podem ser divididas em doenças crônicas transmissíveis e não transmissíveis, com tratamentos diferenciados. 

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou no início deste ano um relatório em que destacava o controle das doenças crônicas como um das prioridades organização em todo o mundo. Segundo dados da OMS, as doenças crônicas são responsáveis por 74% dos óbitos somente no Brasil.

    Doenças crônicas são responsáveis por 74% dos óbitos no Brasil.
    Doenças crônicas são responsáveis por 74% dos óbitos no Brasil. | Foto: Leonardo Mota

    Atendimento no sistema público

    As principais DCNT atendidas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBS) são hipertensão, diabetes, câncer e obesidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Manaus (Semsa), o ranking das mais frequentes tem em primeiro lugar as doenças do aparelho circulatório (ex: hipertensão), em segundo lugar, as neoplasias (tumores), e, em terceiro lugar, as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas. 

    120.861 pacientes de pé diabético foram atendidos em 2019.
    120.861 pacientes de pé diabético foram atendidos em 2019. | Foto: Leonardo Mota

    A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) possui linhas de cuidados prioritárias na Rede de Atenção às Pessoas com Doenças Crônicas, sendo elas nas especialidades de nefrologia, oncologia e diabetes (pé diabético).

    Na nefrologia são atendidos 1.120 pacientes, sendo 1.030 em tratamento de hemodiálise convencional, 35 em tratamento de urgência e 55 diálise peritoneal. Na oncologia, os dados do ano passado apontam que 334 mulheres passam por tratamento de câncer de colo uterino e 952 foram diagnosticadas com câncer de mama. Já em relação ao pé-diabético, 120.861 pacientes foram atendidos nas Policlínicas para curativos. Em casos de urgência, os pacientes são atendidos nos pronto-socorros e com tempo médio de internação entre 15 a 20 dias.

    Tratamentos disponibilizados

    Hemodiálise é ofertada apenas na capital, devido a complexidade do serviço e a baixa presença de médicos nefrologistas no interior. Os pacientes do interior realizam Diálise Peritoneal, pois é a mais indicada para pacientes com dificuldades de acesso como no caso dos municípios distantes.

    O tratamento oncológico é realizado na Fundação Centro de Controle Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). Na Capital se realiza tratamento de lesões de médio e alto grau para Colo Uterino, com profissionais treinados e qualificados para a execução de Colposcopia e EZT.

    As UBS são as principais portas de entrada para os pacientes com diabetes, devendo realizar o acompanhamento dos mesmos para evitar o agravamento da doença. Os pacientes que apresentam pé diabético devem ser tratados nas UBS a partir do início da lesão para evitar o aumento da gravidade.

    Em todas as Unidades Básicas de Saúde também acontecem ações de educação em saúde, busca ativa de casos novos e de faltosos, visita domiciliar, acompanhamento nas unidades de saúde por meio de consulta clínica, distribuição de medicamentos e insumos, avaliação neuromotora do pé diabético e exame Índice Tornozelo Braquial com Dopller Vascular Periférico. 

    A Semsa também oferece o Serviço de Automonitoramento da Glicemia Capilar para os usuários insulino-dependentes. Após cadastrado, o usuário terá direito ao aparelho de glicemia, fitas, lancetas, insulina Regular e NPH, seringa e coletor de material perfuro-cortante. 

    Este serviço está disponibilizado nas seguintes unidades: 

    Zona Leste - UBS José Avelino Pereira, Alfredo Campos, Josephina de Mello, Gebes de Medeiros, José Amazonas Palhano, Cacilda de Freitas, UBS Enfª Ivone Lima dos Santos. 

    Zona Norte - Policlínica José Antônio da Silva, UBS Augias Gadelha; 

    Zona Sul - Policlínica Antônio Reis, Policlínica Castelo Branco.

    Zona Oeste - Policlínica José Raimundo Franco de Sá, Policlínica Djalma Batista; Rural: Distrito de Saúde Rural.

    O exame de eletrocardiograma está disponível em unidades dos quatro Distritos de Saúde: 

    Zona Norte – UBS Frei Valério, Sálvio Belota, Augias Gadelha, Policlínica José Antônio da Silva, UBS Balbina Mestrinho, UBS Ana Barreto; 

    Zona Sul – UBS Japiim, Policlínica Antonio Reis, Policlínica Parque Dez. 

    Zona Leste - Alfredo Campos, UBS Ivone Lima, Policlínica Comte Telles.

    Zona Oeste – Policlínica Djalma Batista, Policlínica Raimundo Franco de Sá, Leonor de Freitas.

    O Programa de Atendimento aos Nefropatas Diabéticos  (PANEDI) é uma parceria entre a Semsa com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam). O objetivo é realizar triagem com foco em nefropatias diabéticas, para os usuários diabéticos cadastrados e acompanhamentos nas Unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF) e UBS. Acontece trimestralmente, no sábado, na UBS Deodato de Miranda Leão – Distrito Oeste.

    Anemia falciforme

    Desde os seis anos de idade, Thalyta Machado Marques, hoje com 17 anos de idade, enfrenta a anemia falciforme, uma doença crônica que é uma das formas alternativas da doença falciforme. Trata-se de um grupo de distúrbios hereditários em que os glóbulos vermelhos assumem o formato de foice. As células morrem prematuramente, causando uma escassez de glóbulos vermelhos saudáveis (a anemia), e podem obstruir o fluxo sanguíneo, causando dor.

    Thalyta enfrenta a anemia falciforme desde os seis anos de idade.
    Thalyta enfrenta a anemia falciforme desde os seis anos de idade. | Foto: Leonardo Mota

    De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), a doença falciforme é uma das doenças hereditárias mais prevalentes no Brasil, sobretudo regiões Norte e Nordeste, de maior contingente negróide, com frequência de 6% a 8% da população. 

    Segundo dados do Ministério da Saúde do Brasil, estima-se que existam cerca de 7 milhões de brasileiros portadores do traço falciforme. O número estimado de brasileiros com anemia falciforme é cerca de 25 a 30 mil. Já o número de casos novos, por ano, é de 3,5 mil, ou seja, um recém-nascido doente para cada mil recém-nascidos.

    Infecções, dores e fadiga são sintomas de anemia falciforme. Os tratamentos incluem medicamentos, transfusões de sangue e, raramente, transplante de medula óssea. Thalyta conta que lembra de viver internada e tomar vários remédios quando era pequena. Hoje, ela sabe lidar melhor com a doença e vai ao hospital apenas a cada três meses, para fazer exames de rotina. 

    As crises a afetam bastante. “Quando eu fico com muito dor, parece que lateja meu corpo todo. Quando acordo de manhã cedo para ir para a escola, dá uma pontada nas minhas pernas, atrapalha bastante”, relata. 

    Ela também sofre com a restrição alimentar. “Não posso comer ‘milhitos’, miojo, bolacha, nada artificial, mas sou teimosa. Gosto muito de miojo, mas não posso comer". Vez ou outra, ela foge da dieta e tenta comer escondido, mas irmã mais nova, de 13 anos, a denuncia para a mãe, Cristina Maciel, 39. 

    Cristina conta que Thalyta sempre foi um pouco diferente das outras crianças. "Ela sempre tinha problema de saúde, vivia gripada, vivia doente, eu via que ela não era uma criança normal. Foi com seis anos que eu descobri que ela tinha anemia falciforme, quando ela passou 30 dias internadas com febre de 40 graus", revela. 

    À época, o diagnóstico não foi fácil. Os médicos não sabiam o que Thalyta tinha e fizeram vários exames sem resultados positivos. A solução veio por meio de um hematologista. "Bastou ele olhar para ela e fazer o exame para confirmar que ela tinha anemia falciforme", diz Cristina. 

    Thalyta, 17. Cristina, 39.
    Thalyta, 17. Cristina, 39. | Foto: Leonardo Mota

    Como não conheciam muito sobre a doença, a família sofreu bastante. "Eu nunca imaginei isso, parece que meu mundo desabou, mas aí fui me controlando, tendo fé em Deus", compartilha a mãe. A fé foi uma das melhores formas que encontraram de enfrentar a doença. Cristina diz que nos momentos em que Thalyta acredita que não irá mais aguentar, ela lhe relembra que as dificuldades da vida são como uma tempestade: são ruins, mas elas passam.

    Cristina e Thalyta sempre usaram o sistema público de saúde. Elas relatam que nunca lhes faltou tratamento. Para sua sorte, Thalyta também nunca precisou fazer cirurgias. "Graças a Deus ela nunca precisou fazer cirurgia, eu oro muito a Deus agradecendo todos os dias, porque eu vejo crianças pequenininhas que tiraram o baço por conta da doença", a Cristina, aliviada.

    Preocupação a nível mundial 

    As doenças crônicas são umas das preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS). "Essas enfermidades são especialmente prejudiciais para as famílias em ambientes de poucos recursos, uma vez que o tratamento demorado e dispendioso drena os recursos domésticos, força as famílias à pobreza e sufoca o desenvolvimento", diz um dos relatórios da organização.

    A OMS informa ainda que a maioria das mortes prematuras por doenças crônicas não transmissíveis são evitáveis. Dos 38 milhões de vidas perdidas em 2012 por DCNT, 16 milhões, ou seja, 42% eram prematuras e evitáveis (um aumento de 14,6 milhões mortes em relação a 2000).