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    Turismo


    Casarão é restaurado e vira Casa Perpétua na avenida Eduardo Ribeiro

    Antiga residência da família do desembargador Raimundo Vidal Pessoa, o local hoje funciona como charmoso hotel boutique no Centro de Manaus

    Casarão foi construído em 1906. Hoje se destaca por seu charme e valor histórico.
    Casarão foi construído em 1906. Hoje se destaca por seu charme e valor histórico. | Foto: Lucas Silva

    Manaus - Basta dar uma passeio na avenida Eduardo Ribeiro, uma das mais tradicionais de Manaus, para notar um prédio histórico imponente que se destaca por sua beleza e charme característicos da Belle Époque. O casarão construído em 1906, que já foi o lar da família do desembargador Raimundo Vidal Pessoa, passou por uma reforma e hoje funciona como um charmoso hotel boutique, a Casa Perpétua. 

    A antiga residência da família que viveu o auge da economia da borracha foi reformada seguindo os padrões originais de construção e decoração com mobiliário de época. Com oito quartos e capacidade para até 19 hóspedes, seu ar histórico é reforçado ainda mais por conta da localização, em frente ao Ideal Clube e no entorno do Teatro Amazonas e do Largo de São Sebastião, "coração" turístico da cidade.

    Manaus - AM 07.02.2020. Casa Perpétua.  Foto: Lucas Silva/ Em Tempo
    Manaus - AM 07.02.2020. Casa Perpétua. Foto: Lucas Silva/ Em Tempo | Foto: Lucas Silva

    A pessoa responsável por este espaço é a empresária Cláudia Mendonça.  Atuando no ramo do turismo há 30 anos, Cláudia sempre foi uma observadora da cidade de Manaus. “Como viajo bastante, eu vejo que Manaus tem um grande potencial e quero muito que a cidade se torne uma referência em turismo de charme, com identidade, espírito de delicadeza e conservação de tudo que for histórico”, compartilha.

    Observando os prédios antigos do Centro, ela avistou um casarão charmoso que despertou seu interesse. “Eu passava pela Eduardo Ribeiro e via uma casa muito linda, com a sacada, e ela estava fechada, não estava entregue à cidade”, relata. 

    Itens antigos trazem charme para o ambiente.
    Itens antigos trazem charme para o ambiente. | Foto: Lucas Silva

    Cláudia buscou os donos do casarão e perguntou se eles queriam que ela fizesse a reforma e devolvesse o prédio à cidade, porque a casa era muito bonita. Eles aceitaram e assim nasceu a Casa Perpétua, situada avenida Eduardo Ribeiro, nº 890. 

    A empresária também é a responsável pelo Boutique Hotel Casa Teatro, primeiro hotel boutique da cidade de Manaus, situado na Rua 10 de Julho, nº 632 - Centro. 

    Casa Perpétua

    O nome do hotel é uma homenagem à santa que fica no local. “Quando eu falei com o proprietário da casa, ele me disse que eu poderia fazer qualquer modificação, menos mexer na Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que tinha lá, pois seus pais eram devotos”, conta Cláudia. 

    Casa Perpétua tem apenas oito quartos.
    Casa Perpétua tem apenas oito quartos. | Foto: Lucas Silva

    Com apenas oito quartos, a Casa Perpétua foi construída com a parceria de investidores que acreditaram no projeto. O casarão antigo precisou de um ano e meio de reforma para se tornar um imponente hotel de charme. Sua inauguração ocorreu no dia 26 de junho de 2019.

    A casa já foi habitada por um importante figura na história do Amazonas, o desembargador Raimundo Vidal Pessoa, fato que torna o espaço ainda mais interessante. Posteriormente, o casarão passou a ser propriedade da família Harb.

    Para se hospedar lá, o cliente deve desembolsar no mínimo R$ 340. O valor varia de acordo com a quantidade de hóspedes e o tipo de quarto.

    Casa tem capacidade para 19 hóspedes.
    Casa tem capacidade para 19 hóspedes. | Foto: Lucas Silva

    “Nosso grande diferencial é que as pessoas veem que a Casa Perpétua realmente é uma casa que voltou ao original dela”, conta a atual diretora proprietária, Cláudia Mendonça. 

    Para remontar o ar histórico do espaço, Cláudia e sua equipe precisaram garimpar antiguidades na cidade de Manaus. Buscaram por pessoas que viveram no mesmo contexto que os tempos áureos do casarão e que guardaram objetos em bom estado de conservação.  

    Área externa da Casa Perpétua.
    Área externa da Casa Perpétua. | Foto: Lucas Silva

    “O que chama atenção na Casa Perpétua é justamente os objetos antigos, que a gente colocou no ambiente com muita graça e respeito a essa vida anterior que as pessoas tiveram com os objetos”, compartilha. 

    Outro diferencial é o cheiro do ambiente, uma essência desenvolvida para dar personalidade e autenticidade ao espaço. A Casa também preza por oferecer um atendimento mais intimista para os hóspedes. No lugar de uma recepção tradicional de hotel, há uma mesa acolhimento. 

    A Casa perpétua dispõe de um sistema que é lincado aos maiores brokers hoteleiros do mundo. Brokers são operadores intermediários na compra e venda de serviços de hotel. Por conta deste sistema, é possível saber quando os hóspedes vão chegar. Assim o coordenador de horário recebe os clientes e dá boas vindas. 

    O hotel tem sido bem aceito pelo público e tem recebido pessoas de várias partes do mundo. “Eles ficam como se estivessem em sua própria casa”, diz Cláudia. 

    Elementos que compõem a Casa Perpétua 

    Um dos itens que chamam atenção na estrutura da Casa Perpétua é a uma banheira que fica na área externa do andar superior. “Essa banheira é toda de pedra sabão, muito antiga,  com os pés de cobre. É muito linda mesmo. Estava bem esquecidinha em uma casa super antiga e a gente conseguiu resgatar para colocar no nosso hotel”, destaca. 

    Banheira de pedra sabão e pés de cobre.
    Banheira de pedra sabão e pés de cobre. | Foto: Lucas Silva

    Uma casa sem plantas é uma casa nua. Acreditando piamente nesta afirmação, Cláudia fez questão de deixar o jardim da Casa repleto de plantas nativa. “A gente tem até urucum plantado no nosso jardim. É um ambiente muito gostoso”, ressalta. 

    Plantas são o grande destaque da área externa.
    Plantas são o grande destaque da área externa. | Foto: Lucas Silva

    A influência dos povos indígenas também é algo muito marcante no hotel. “Eles (indígenas) que fizeram as nossas cortinas, as nossas esteiras e algumas cadeiras. A gente fez um mix bem interessante, valorizando o antigo e o nativo”, pondera. 

    Influência dos povos indígenas é algo marcante na decoração do hotel.
    Influência dos povos indígenas é algo marcante na decoração do hotel. | Foto: Lucas Silva

    A estrutura do hotel conta ainda com piscina, bistrô, bar, área de café da manhã e gazebo para os hóspedes relaxarem e lerem livros. O bar e o bistrô são abertos ao público externo e funcionam de segunda a sexta, das 9 às 20h. Esta é uma forma de conhecer o local sem precisar se hospedar.  

    Bistrô e bar são abertos ao público.
    Bistrô e bar são abertos ao público. | Foto: Lucas Silva

    Quem assina todo o projeto da Casa é a própria Cláudia. “Eu não sou arquiteta, sou apenas uma amante do bem-estar”, explica a empresária. Ela conta que gosta de proporcionar para os seus hóspedes uma boa experiência. Para isso, ela se baseia na experiência que tem de conhecer outros lugares pelo mundo afora. 

    “O wellness (bem-estar) está muito em alta. Não precisa de um hotel muito luxuoso para você se sentir bem. O interessante é você se sentir em harmonia no local, e é isso que a gente busca em todos os empreendimentos”, reforça Cláudia, que também é administradora da Casa JG Araújo, um espaço de eventos que também se destaca por ser em um prédio histórico. 

    Hotel boutique 

    Os termos ‘hotéis boutique’ ou ‘hotéis de charme’ se referem a espaços que oferecem serviço de hospedagem agregados a valores históricos. Esta modalidade é uma tendência no segmento hoteleiro de luxo.

    Como o consumidor de uma loja boutique, o hóspede tem direito a usar toda a infraestrutura que um hotel normal teria, com o bônus da exclusividade por tratar-se de um estabelecimento para poucos. 

    Edição: Rebeca Mota