Fonte: OpenWeather

    VACINAÇÃO


    Em Manaus, taxas de vacinação são menores que indicadas pela OMS

    Semsa identificou baixos números de adesão em vacinas essenciais. Zona Norte e Leste apareceram em destaque na pesquisa

    Números recentes mostram queda na adesão de vacinação em Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus – A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda uma taxa de 95% de adesão de uma vacina para ser considerada efetiva. No entanto, nas zonas Norte e Leste de Manaus, esse número chega a alcançar até 73,67%, ou seja, bem abaixo do indicado. É o caso da injeção que previne a febre amarela. Além dela, outras vacinas não alcançam o número estipulado pela OMS, como a Pentavalente (82,30%), Rotavirus (84,63%), (91,83%), Meningocócica (92,71e Tríplice Viral (89,39%). Os dados são de um levantamento da Divisão de Imunização da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

    Segundo a Isabel Hernandes, chefe de imunização da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), há pelo menos dois fatores que puxaram os números para baixo. “Pais e responsáveis deixaram de ver algumas doenças que eram mais comuns antes, como sarampo, caxumba e catapora. Eles acham que não vai voltar mais, porém, só por causa das vacinas é que elas se tornaram raras. E não vacinar a criança tem gerado resultados negativos, afinal, o sarampo está de volta”.

    Há pelo menos dois fatores que puxaram os números para baixo
    Há pelo menos dois fatores que puxaram os números para baixo | Foto: Alex Pazuello / Semcom

    Ela lembra que a vacinação é um direito resguardado no Estatuto da Criança e que responsáveis que não vacinarem seus filhos, ficarão sujeitos ao conselho tutelar. “Não é comum que se neguem a vacinar as crianças, mas se acontecer, precisamos tomar medidas para assegurar o direito da criança”, afirma Isabel.

    Para Isabel, que também é enfermeira, outro ponto a ser levantado são as famosas fake news. “Hoje já não acontece tanto, mas ainda vemos que alguns pais e responsáveis estão bastante desinformados sobre vacinação, e inclusive tem medo de permitir que a criança tome certas vacinas. Contra isso, a Semsa tem realizado desde 2018, um trabalho de informação por meio das redes sociais, para evitar que mais pessoas deixem de tomar vacinas por boatos.

    O que não é fake news é a notícia de que a cobertura vacinal em crianças de até um ano está em queda no Brasil. É o que apontam os dados mais recentes do Ministério da Saúde. Segundo o levantamento, a taxa de vacinação da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, passou de 102,3% em 2011 para 90,5% em 2018. O número está abaixo do indicado pela OMS.

    Francinete Cardoso, que é técnica em enfermagem e trabalha em uma unidade básica de saúde da capital, destaca o saldo negativo deixado por desinformação. “Ainda encontramos quem não quer vacinar os filhos, apesar de ser mais raro. É triste, porque doenças que já estavam ‘extintas’ no Brasil, como sarampo e febre amarela, retornaram”, afirma.

    Projeto quer frear queda de adesão das vacinas

    De autoria do vereador Elias Emanuel (PSDB), o Projeto de Lei 404/19 quer tornar obrigatório a apresentação da carteira de vacinação e declaração no ato da matricula escolar. A medida é destinada às escolas da rede pública e privada de Manaus, e busca ampliar os índices de adesão às vacinas.

    Caso seja aprovado, pais e responsáveis deverão apresentar os documentos de vacinação no ato da matrícula. Caso não seja possível, a pessoa ainda tem 15 dias úteis para conseguir o documento e garantir uma vaga na escola de interesse.

    Vereador Elias Emanuel (PSDB)
    Vereador Elias Emanuel (PSDB) | Foto: Divulgação

    “O projeto foi construído juntamente com a Sociedade Amazonense de Pediatria (SBP), com quem eu já aprovei projeto sobre o teste do pezinho, ainda em 2005. Juntos, temos pensados políticas públicas para a primeira infância”, comenta Elias Emanuel, sobre a origem do projeto.

    Elena Amaral, presidente da SPB, explica que eles já vinham observando a queda da adesão às vacinas. “Verificamos os baixos índices, bem como o aumento de desinformação no tema. Foi no período em que houve o surto de sarampo em Manaus. Logo após, criamos o projeto”.

    Ela ressalta que o Projeto Nacional de Imunização do Brasil é respeitado no mundo inteiro. “São mais de 20 doenças prevenidas. Por isso é importante que aprovemos esse projeto e que as escolas participem”.

    Portaria vigente

    O vereador Elias Emanuel lembra que a portaria 0144/19 criada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) já faz com que pais e responsáveis precisem apresentar o cartão de vacinação no momento da matrícula escolar. A preocupação de Elias, no entanto, é o prazo desse ofício, que encerra em 2021, com o início da nova gestão municipal.

    Segundo ele, as fake news têm desvirtuado o país em diversos aspectos, incluindo nas vacinas. “Há boatos que produtos naturais podem substituir vacinas, ou que elas podem causar autismo. É mentira. São factoides”, ressalta o vereador, e completa. “Precisamos resolver esse problema”.