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    Covid-19


    Amazonas registra 2.270 mil casos da Covid-19 e quase 200 mortos

    Neste último balanço, são 110 casos novos. Subiu para 726 o número de pacientes curados

    | Foto: Reuters/Matthias Rietschel/Direitos Reservados

    Manaus - Subiu para 2.270 mil o número de casos confirmados do novo coronavírus (Covid-19) e 193 mortos em todo o Amazonas. Desde total, 1.809 casos são em Manaus, onde houve 163 mortes até à tarde desta terça-feira (21). No interior do Estado há 461 casos e 30 mortos. Neste último balanço, são 110 casos novos. Subiu para 726 o número de pacientes curados. 

    O Governo do Amazonas voltou a destacar o município Manacapuru (distante 89 quilômetros de Manaus), que já registrou 218 casos e 18 mortos pela Covid-19. O número de indígenas contaminados no Estado é de 29 e o registro de mortos é apenas dois. Em todo o Amazonas há 27 municípios com casos do novo coronavírus. 

    A diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Pinto, destacou o papel das prefeituras do interior no combate à doença. "Os municípios têm adotado medidas restritivas e a maioria da população está seguindo essas orientações. Porém, há ainda pessoas que não aceitam a isolação e continuam andando. Quero elogiar os prefeitos que emitiram decretos de isolamento social, eles estão atentos para quem entra e sai do município e têm imposto medidas restritivas de isolamento, além de liderarem ações de combate à doença", destacou.

    Para Rosemary, o principal problema do interior é o transporte clandestino. "Em Manaus, nós temos a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância], como, por exemplo, fiscalizando os portos. Mas, nós temos visto que as pessoas têm burlado essas fiscalizações, em portos clandestinos, em áreas rurais, como, por exemplo, atravessam a ponte e, de portos no Iranduba, seguem para outros municípios do interior", revela a diretora-presidente da FVS, destacando que, no Amazonas, o vírus está circulando de barco. "As pessoas que não acatam as medidas estão dissimulando o vírus para o interior", alerta.

    Manacapuru

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    A secretária da Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas (Susam), Simone Papaizfoi questionada sobre a assistência do Governo ao interior do Estado, como, por exemplo, Manacapuru, onde cresce a cada dia o número de casos da Covid-19. Na ocasião, ela citou algumas medidas adotadas para ajudar no combate.

    "O que nós temos feitos, não só em Manacapuru, mas também em outros municípios é dar assistência. Enviamos ventiladores, respiradores e bombas de infusão. O envio de insumos, medicamentos, testes rápidos, EPIs [Equipamentos de Proteção Individuais]. Vimos a necessidade também de auxiliar com um gerador para atendimento em nível hospitalar. Um  container, para refrigerar corpos, e um tanque de oxigênio, por conta do quadro dos pacientes em tratamento, também serão enviados ao município. Cilindros de oxigênio dificultam mais o procedimento para quem precisa nesse momento e o tanque vai dar um suporte mais eficaz", ressaltou a secretária da Susam. 

    Já Rosemary ressaltou que o município conta com uma epidemiologista, com moradia fixa na região, para ajudar na relação dos dados e na segurança epidemiológica.

    Hospital Universitário

    | Foto: Arquivo/AET

    Simone falou sobre o uso da estrutura do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV) no tratamento e na internação de pacientes da Covid-19. Ela destacou que a direção da unidade ressaltou a importância de continuidade à assistência em manter a origem das áreas de atuação, mas que reforçará o combate ao novo coronavírus dando apoio a pacientes do Estado.

    "Hoje, pela manhã, liberaram 18 leitos para tratamento da Covid-19 e mais 45 para internação, mas o HUGV tem capacidade de atingir 31 leitos, que anteriormente eram leitos da retaguarda para outras áreas de tratamento. O hospital receberá pacientes transferidos de UPAs [Unidades de Pronto Atendimento] e SPAs [Serviços de Pronto Atendimento]", explicou.

    Questionada sobre o porquê é necessário abrir tantas frentes de combate e tratamento ao mesmo tempo? A secretária da Susam destacou que os números de casos no Amazonas chamam a atenção e despertam a necessidade de apoio total. 

    "Nós pegamos o número da população em geral, capital e interior, e 80% dos casos cometidos pela doença não terão necessidade de apoio hospitalar. Porém, 20% necessitária. Desse total, 5% necessitará de um atendimento de alta complexidade. Estamos juntando esforços porque chagará um momento em que todos os leitos estarão ocupados. É necessário que os pacientes, quando cheguem, tenham acesso a esses novos leitos que estão sendo disponibilizados por mais hospitais", frisou Simone. 

    "Precisamos atuar em várias frentes para ter condições de atender e regular esses pacientes com confirmação ou suspeita da doença. A média de ocupação da sala rosa varia em torno de 95%. Para abertura de leitos são necessários RH e equipamento de insumo. Temos que trabalhar também com a contratação de mais profissionais para a área de saúde", acrescentou ela.  

    Áreas periféricas

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    Rosemary destacou que desde o primeiro caso positivo da doença em Manaus, o Governo do Estado vem adotando medidas para evitar aglomerações de pessoas. "Vários decretos já foram emitidos e regulados, inclusive hoje [terça]. A população tem sido orientada a ficar em casa, por meio de campanhas na mídia. Rádios comunitárias e carros de som auxiliam moradores em áreas periféricas, além do apoio da polícia. Mas o que nós vemos é um desrespeito total dessas orientações. A população não está aderindo, principalmente nas zonas Norte e Leste, ao 'fique em casa' em meio à pandemia", lamentou. 

    A diretora-presidente da FVS explica que um ou vários membros de uma família vão pra ruas, às vezes não ficam doentes porque estão assintomáticos, e levam a doença para dentro de casa - contaminando idosos e crianças.

    "Pessoas que acham que estão imunes ao vírus precisam deixar de pensar dessa forma. Não tem ninguém imune. Temos casos em bebê, crianças, jovens, adultos, grávidas e também os acima de 60 anos. Não existe um plano milagroso para evitar que o vírus se espalhe. A única forma é que todos fiquem em casa, usem máscaras, lavem exaustivamente as mãos, evite contato pessoal e mantenha limite de distância de 2 metros para uma outra pessoa", pediu Rosemary.  

    Número de exames

    | Foto: Divulgação

    A porta-voz da FVS informou, ainda, que atualmente há 200 amostras aguardando respostas. "Na máquina, tem 64 amostras que daqui a pouco serão liberadas. É um processo muito dinâmico que não pode ficar alimentando toda hora porque sofre alteração. São em média 270 por dia", revelou. 

    Indígenas

    A diretora-presidente da FVS explicou que não são disponibilizados casos da Covid-19 por etnia, pelo Ministério da Saúde. "A informação vem por Distrito de Saúde Indígena. Quem trata de saúde indígena não é a Susam e nem a FVS, é a Sesai do Ministério da Saúde que estabelece toda política de assistência à saúde dos indígenas aldeados. Todas as aldeias estão sendo acompanhadas por meio desse plano [do Governo Federal] para evitar que os índios saiam da aldeia e tenham contato com os não indígenas, que levam o vírus para dentro das aldeias", comunicou Rosemary.

    Intervenção Federal

    Sobre a intervenção federal aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas esta semana, a secretária da Susam disse que trocaria a palavra intervenção por apoio. "O Governo Federal tem se debruçado, ouvido a secretaria [Susam] e o Governo do Amazonas. Os dados da Covid-19 no Amazonas chamam a atenção para a sensibilização do Governo Federal", garante Simone.