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    Perigo


    Veículos clandestinos em Manaus ameaçam saúde de passageiros

    EM TEMPO flagrou veículos lotados e muitas pessoas despreocupadas com o uso da máscara

    A falta de fiscalização dos órgãos competentes e a grande demanda populacional fez com que esses veículos se tornassem mais frequentes durante a pandemia | Foto: Lucas Silva

    Manaus - O transporte clandestino em Manaus como ônibus, kombis e lotações, perigo frequente à população que desconhece os riscos de uma viagem sem itens de segurança, é um problema antigo, agravado pela ameaça à saúde pública, na pandemia. A falta de fiscalização dos órgãos competentes e a grande demanda populacional fez com que esses veículos se tornassem mais frequentes durante a pandemia. Porém um agravante à situação é justamente a falta de higienização dos veículos, assim como o desleixo da população com as medidas de prevenção à contaminação do novo coronavírus.

    Durante a rota é possível visualizar parte do corpo dos passageiros para fora do veículo, em uma situação de perigo
    Durante a rota é possível visualizar parte do corpo dos passageiros para fora do veículo, em uma situação de perigo | Foto: Lucas Silva

    Os veículos chamados clandestinos são aqueles que não têm autorização prévia dos órgãos responsáveis para atuarem como transportes coletivos. Eles podem ser localizados em diversas áreas da cidade, mas principalmente nas periferias. O EM TEMPO presenciou na última quarta-feira (17), na avenida Autaz Mirim, a superlotação dos veículos, com passageiros e até crianças no porta mala, duplicando o perigo e mostrando que a segurança não é prioridade.

    A usuária do ônibus público e também das lotações, Odirene Railane, 33, conta que a conscientização sobre os métodos de prevenção deve partir do próprio cidadão. Para ela, mesmo que a mídia divulgue informações sobre a importância do uso de máscaras, álcool em gel e do perigo da aglomeração, é dever da população também contribuir para a prevenção da contaminação do vírus.

    “Ninguém quer saber, as pessoas aproveitam para entrar sem máscara e não têm essa preocupação. As vezes preciso pegar as lotações, mas não gosto justamente pela falta de segurança. O ser humano deve ter a conscientização de se preocupar em se cuidar. Não adianta nada as pessoas falarem que deve ter fiscalização se elas mesmas não têm a consciência de se prevenir”, conta Odirene.

    Odirene reclama da superlotação nos ônibus e terminais
    Odirene reclama da superlotação nos ônibus e terminais | Foto: Lucas Silva

    O senhor Arivaldo Martins, 52, diz que tem medo de utilizar os veículos e que a falta de fiscalização também favorece a circulação deles. "Não pego essas lotações não, Deus me livre. Não tem segurança nenhuma, ainda mais por causa desse vírus pegar esses carros lotados, não tem como. As pessoas às vezes não estão nem aí ou são obrigadas, mas eu nunca gostei de pegar essas kombis ou lotações”.

    Ludmila Viana, 22, conta que quando necessário, também utiliza as lotações como forma de se locomover pela cidade, por serem um método alternativo de transporte. Ela conta que nesses veículos a aglomeração é frequente e que obviamente se preocupa com sua segurança, mas não tem outra escolha. “Nas lotações isso é bem pior, infelizmente eu preciso usar porque quando venho do trabalho é o horário de pico, quando meu pai pode ele consegue me buscar, mas nem sempre. As pessoas entram com a máscara e quando sentam elas tiram, coloca no queixo ou no bolso. Mas nos ônibus comuns também, tem gente que não respeita mesmo”.

    Ludmila Viana diz frequentar as conduções por necessidade
    Ludmila Viana diz frequentar as conduções por necessidade | Foto: Lucas Silva

    Desconhecimento das consequências

    Para Letícia Pineschi, conselheira da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), aqueles que optam por essas viagens arriscadas desconhecem as consequências dessa escolha. Além dos passageiros que arriscam a vida nesse tipo de transporte, avalia que a sociedade em geral, por desconhecimento, acha normal e até cômodo pegar um transporte em pontos improvisados, estacionamentos, por preços bem abaixo de mercado, sem saber que esses ônibus são conduzidos por motoristas despreparados e sem registro formal de contrato. "Além disso, eles operam de forma irregular, despejam resíduos sanitários fora das garagens de manutenção, em locais inadequados, sem compromisso com o meio ambiente e bem-estar do passageiro", diz a conselheira.

    Para Letícia Pineschi, conselheira da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), aqueles que optam por essas viagens arriscadas desconhecem as consequências dessa escolha
    Para Letícia Pineschi, conselheira da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), aqueles que optam por essas viagens arriscadas desconhecem as consequências dessa escolha | Foto: Lucas Silva

    Em nota, o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) informou que a fiscalização ocorre para coibir a circulação de transporte clandestino de passageiros. Por serem clandestinos a penalidade é a apreensão imediata do veículo. O ônibus ou outro veículo utilizado para transporte de passageiros só pode circular com autorização do poder concedente e atendendo à normas técnicas e de segurança para circulação.

    Nos ônibus coletivos regularizados pela Prefeitura de Manaus, a obrigatoriedade da máscara é um dos métodos para tentar controlar a transmissão, mas a aglomeração também é visível. Nos horários de pico é comum observar a circulação dos ônibus superlotados e, com isso, muitos passageiros preferem retirar as máscaras.

    Casos de constrangimento e até agressão a passageiros ou motoristas são comuns. No mais recente, em Belo Horizonte, capital mineira, um condutor levou socos de um dos passageiros depois que exigiu o uso de máscara dentro do veículo e o outro recusou-se a usar. As ameaças têm sido frequentes em todo o mundo e alguns casos já resultaram até em morte.

    Além da fiscalização, o IMMU recebe denúncias de transporte clandestino de passageiros pelo telefone 98802-3504. 

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