Fonte: OpenWeather

    Endemia


    Casos de dengue crescem em Manaus e Prefeitura lança campanha

    Em comparação com 2019, o aumento de casos, representa 203,5% no primeiro semestre deste ano

    A campanha conta com busca ativa de foco do mosquito e massiva divulgação de informações
    A campanha conta com busca ativa de foco do mosquito e massiva divulgação de informações | Foto: Ione Moreno / Semcom

    Manaus - Os casos confirmados de dengue cresceram mais de 200% na capital do Amazonas no comparativo dos primeiros semestres de 2020 e 2019. Para reforçar à população quanto aos cuidados necessários à prevenção da doença, em meio à pandemia do novo coronavírus, a Prefeitura de Manaus lançou uma campanha de combate ao mosquito aedes aegypti.

    “A mensagem da nossa campanha é clara: ‘enquanto você se preocupa com um perigo, não pode se esquecer do outro’, fazendo uma referência entre a Covid-19 e a dengue. Essa é uma orientação permanente do prefeito Arthur Virgílio Neto, de reforçar que a prefeitura tem o dever de realizar ações de combate ao mosquito transmissor, mas também de alertar que com simples ações podemos evitar a doença”, destacou a secretária municipal de Comunicação, Kellen Veras Lopes.

    Casos

    Somente no primeiro semestre de 2019, foram registrados 173 casos confirmados de dengue em Manaus. Já no mesmo período de 2020, a capital possui 525 confirmações, o que representa um aumento de 203,5% durante o inverno amazônico e o agravamento da pandemia que teve seu pico nos meses de abril e maio.

     Segundo a diretora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae/Semsa), a enfermeira Marinélia Ferreira, a campanha tem o intuito de sensibilizar os manauaras sobre a importância de manter os cuidados contra o mosquito. “Os criadouros geralmente ficam no ambiente familiar e se estamos passando mais tempo em casa, estamos mais expostos ainda. É um alerta para que a população se atente tanto à pandemia quanto aos demais perigos”, pontuou. 

    Trio de doenças

    Além da dengue, o aedes aegypti transmite também zika vírus e chikungunya. Apesar disso, as duas últimas doenças tiveram redução no mesmo período comparado, entre 2019 e 2020. O Devae contabilizou a queda de 33,3% dos casos confirmados da zika e de 95,2% em relação à chikungunya. A diferença se dá, pois a dengue possui quatro tipos de vírus, aumentando a possibilidade de contaminações. 

    “Neste ano, a dengue se sobressaiu, pois, de forma clínica, os vírus que têm um mesmo vetor como veículo de contaminação podem se alternar. E, além disso, a doença possui tipologias classificadas de 1 a 4, o que aumenta exponencialmente a capacidade de transmissão”, concluiu Marinélia.

    Campanha nas ruas 

    A campanha municipal de combate ao Aedes aegypti se alia às visitas domiciliares de agentes de endemia da Semsa. Nas ações, é feita a busca ativa de criadouros, além de orientações aos residentes das casas, com distribuição do check-list adesivo Dez Minutos Contra a Dengue. Com esse material afixado na parede de casa, os moradores podem realizar, a cada sete dias, vistorias em suas residências, seguindo a lista de locais com possibilidade de proliferação das larvas do mosquito. As visitas são feitas mantendo o distanciamento social. 

    O chefe do Núcleo de Controle da Dengue vinculado à Semsa, Alciles Comape, explicou que a inspeção dos moradores deve ser feita semanalmente, pois, a vida do mosquito é de sete a oito dias. “Criando esse hábito, a população reforça a proteção de suas casas, garantindo segurança não só da família, mas também de toda uma comunidade”, destacou, reforçando que durante a pandemia, com isolamento social, é possível ter um olhar mais atento para esses cuidados domiciliares. “Para vencer a dengue é fundamental que o poder público e sociedade caminhem junto”, finalizou.

    Prevenção 

    Embora o período sazonal tenha passado, as doenças são transmitidas o ano todo. A principal medida de combate a criadouros em residências é evitar qualquer tipo de depósito de água, tanto dentro quanto fora de casa. É importante manter tanques, caixas d’água e camburões bem tampados, lavando-os semanalmente; evitar o acúmulo de água parada em garrafas, pneus e entulhos; limpar sempre calhas, lajes e piscinas; colocar areia nos pratinhos dos vasos; remover galhos e folhas das calhas, para desobstruí-las; e manter lonas esticadas e sacos de lixo sempre fechados.

     Sintomas 

    Apesar das três doenças serem transmitidas pelo mesmo mosquito, há diferenças entre os sintomas que podem ajudar na distinção. A dengue costuma causar dor atrás dos olhos acompanhada de febre alta. A zika vírus desenvolve febre baixa, manchas na pele e coceira, sendo a doença mais relacionado a gestantes, pois causa microcefalia nos bebês. Já a chikungunya provoca dores em pulsos, mãos e tornozelos, acompanhada de inchaços e erupções na pele. 

    Em caso de sintomas, é muito importante que não se tome nenhum medicamento por conta própria. Se mantenha hidratado e procure uma unidade básica de saúde pois, nela, um profissional dará diagnóstico e a receita.

    Ajuda e denúncias 

    Focos de criadouros também podem ser denunciados pelo Disk-Saúde, no 0800 280 8280, de segunda a sexta-feira. Após o alerta, o município vai até o local para verificar se de fato existe o foco e, em caso de confirmação, é feita o controle químico com borrifação em um raio de nove quarteirões para conter o avanço do mosquito.


    Leia mais

    Mãe esperava trigêmeas e foi surpreendida com mais um bebê no parto

    Madonna faz nova postagem de 'Marina Silva de Manaus' e agradece ajuda

    Veja também