Petróleo


Total desiste de 5 blocos de exploração de petróleo na foz do Amazonas

O grupo petroleiro francês Total anunciou nesta segunda-feira (7) que encerra operação em cinco blocos de exploração no Brasil, na bacia da Foz do rio Amazonas, onde seus projetos foram questionados por organizações ambientais.

Corais na foz do rio amazonas
Corais na foz do rio amazonas | Foto: Greenpeace

Manaus (AM) - O grupo petroleiro francês Total anunciou nesta segunda-feira (7) que encerra seu papel de "operador" em cinco blocos de exploração no Brasil, na bacia da Foz do Amazonas, no estado do Amapá, onde seus projetos foram questionados por organizações ambientais.

A petroleira francesa já havia anunciado também que notificou seus parceiros Petrobras e BP, em 19 de agosto, sobre a decisão de renunciar à função de operadora de cinco blocos de exploração na bacia da Foz do Amazonas. Os blocos são conhecidos pelos códigos FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127. Os projetos da petroleira teriam sido questionados por organizações ambientais. 

A Total  comunicou a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de sua decisão, dando início a um período de seis meses durante o qual uma nova operadora será nomeada.  "Notificamos em 19 de agosto a nossos sócios sobre a nossa renúncia ao papel de operador de cinco blocos de exploração na Foz do Amazonas", afirmou a empresa em um comunicado,

A Total disse ainda que continuará monitorando todos os processos regulatórios em nome de seus parceiros.

Presente no Brasil há mais de 40 anos, a Total tem mais de 3 mil funcionários no país, segundo comunicado da empresa. A Total se associou à britânica BP e Petrobras em 2013 para adquirir os blocos de exploração na Foz do Amazonas.

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Ministro Tarcísio de Freitas disse que a discussão precisa ser mais técnica do que racional
Ministro Tarcísio de Freitas disse que a discussão precisa ser mais técnica do que racional | Foto: Agência Brasil

No fim do ano passado, O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, defendeu  a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. " A discussão tem que ser mais técnica, mais racional. Por que a gente não pode explorar petróleo na foz do Amazonas, se a Guiana, do outro lado, está explorando? Essa empresa opera no mundo inteiro com segurança. É de se espantar a ideia de que ela seja incapaz de apresentar estudos ambientais que sejam aprovados. O poço de petróleo só vai gerar riqueza e benefício para a sociedade se ele for explorado. Nós vamos condenar o estado do Amapá ao subdesenvolvimento? Se for para fazer voto de pobreza é melhor fazer de castidade e de obediência também, porque aí pelo menos a gente salva a alma", criticou o ministro à época.

Em dezembro de 2018, o Ibama indeferiu a licença para que a petrolífera Total explorasse a região. Segundo o órgão, um eventual vazamento poderia impactar a biodiversidade marinha e os recifes do local, além de haver "profundas incertezas" sobre o plano de emergência da companhia.

Ongs ambientais

Corais na foz do rio amazonas
Corais na foz do rio amazonas | Foto: Greenpeace

Thiago Almeida, porta-voz da campanha Corais da Amazônia, da ONG Greenpeace, criticou na mesma ocasião, a comparação com o caso da Guiana. "A exploração na Guiana é muito recente, a Exxon descobriu reservas lá há poucos anos, não estão produzindo ainda. E a costa do Amapá é diferente, as correntes são muito fortes, é difícil operar na região.  Não à toa, nenhuma das 95 tentativas de explorar petróleo ali desde os anos 1970 deu certo, e 27 foram interrompidas por acidentes, o último deles em 2011, quando uma plataforma da Petrobras não conseguiu manter sua posição e ficou à deriva", disse ele. 

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