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    Orla


    Esquecidos: moradores da orla do bairro São Raimundo pedem socorro

    Inaugurada em 2015, ainda na gestão José Melo, obra precisa de manutenção

     

    A equipe de reportagem foi ao local e mostra como está, hoje, uma das obras que deveria ser um cartão postal da cidade.
    A equipe de reportagem foi ao local e mostra como está, hoje, uma das obras que deveria ser um cartão postal da cidade. | Foto: Carlos Araújo

    Manaus - Moradores da rua Beira Mar, no Parque Rio Negro, orla do bairro São Raimundo, zona Centro – Oeste de Manaus, denunciaram ao portal Em Tempo as condições precárias de manutenção do lugar. Segundo eles, os comunitários convivem com a sujeira e com o matagal, que toma conta da área, e até com a presença de animais peçonhentos como cobras.

    A equipe de reportagem foi ao local e mostra como está, hoje, uma das obras que deveria ser um cartão postal da cidade.

     

    Segundo moradores, vários pedidos de manutenção já foram feitos para o poder público.
    Segundo moradores, vários pedidos de manutenção já foram feitos para o poder público. | Foto: Carlos Araújo

    Mato, cobras e lagartos

     

    Cáritas Jordana, autônoma, denuncia as condições do lugar.
    Cáritas Jordana, autônoma, denuncia as condições do lugar. | Foto: Carlos Araújo

    De acordo com a autônoma Cáritas Jordana, 28 anos, os moradores já fizeram vários pedidos ao poder público para a conservação do lugar. “É muito difícil eles virem fazer a manutenção. Quando o povo daqui da comunidade se reúne para fazer, somos vetados. É responsabilidade deles, os administradores, fazerem a parte deles. A gente entra com os impostos, pagamos tudo direitinho e já que nos mantiveram aqui, ficaram 13 casas (na rua) e estamos passando por isso. É uma peleja, os bueiros entopem e fica um esgoto a céu aberto”, afirma.

     

    Mato "toma conta" do Parque Rio Negro, que deveria ser um cartão postal de Manaus.
    Mato "toma conta" do Parque Rio Negro, que deveria ser um cartão postal de Manaus. | Foto: Carlos Araújo

    Ela relata, ainda, que crianças e pessoas que fazem caminhada costumam encontrar animais peçonhentos no local. “Elas brincam e tem muita gente que vem fazer o seu exercício e tem casos de aparecer cobra aqui, casas serem invadidas por sapos, lagartixas enormes. É um risco”, desabafa.

     

    Joana Silva, dona de casa, reclama da presença de cobras.
    Joana Silva, dona de casa, reclama da presença de cobras. | Foto: Carlos Araújo

    A dona de casa Joana Silva, 61 anos, afirma que está cansada da situação. Ela mora no local há cinco anos e também reclama do aparecimento de cobras. “Teve até um rapaz que caminha toda tarde e encontrou uma jararaca. Ele mostrou pra gente. Todo mundo tem medo. O animal foi pra frente da casa de uma vizinha”, disse.

     

    Animais como cobras e lagartixas invadem as casas das pessoas.
    Animais como cobras e lagartixas invadem as casas das pessoas. | Foto: Carlos Araújo

    Esgoto é mais um problema

     

    Anselmo Santos, autônomo, disse que os problemas com o esgoto são constantes.
    Anselmo Santos, autônomo, disse que os problemas com o esgoto são constantes. | Foto: Carlos Araújo

    Anselmo Santos, 45 anos, tem uma pequena oficina de eletrônicos no lugar. Para ele, o serviço de esgoto é outra questão que precisa de atenção urgente. “A tubulação entope constantemente e parece que eles fizeram um trabalho que não foi muito adequado. Sobe aquela água poluída e quando as pessoas vêm praticar esportes acabam passando em cima daquela água suja, uma lama apodrecida. Eles tentam resolver, mas parece que a tubulação não comporta. Isso é grave”, explica.  

     

    A aposentada Iracy Villar, disse que não está fácil conviver com o problema.
    A aposentada Iracy Villar, disse que não está fácil conviver com o problema. | Foto: Carlos Araújo

    Morando há mais de 40 anos na orla do São Raimundo, a aposentada Iracy Villar, 78 anos, disse que, depois que Governo do Estado entregou a obra, em 2015, não teve um segundo de paz, desde que os problemas com a manutenção do lugar começaram.

    “É bicho invadindo, sujeira e o mato dominando. Abandonaram isso aí! Eu já tenho problema na perna e estou evitando sair de casa por causa da pandemia e sou obrigada a conviver com toda essa falta de cuidado. A gente se une. Mas até quando queremos limpar, não deixam. Tudo é uma tal de autorização disso e daquilo. Até pra limpar? Por que eles não vêm, então?!”, fala, indignada.   

    Equipamentos deteriorados

    Não foi só mato, sujeira e animais peçonhentos o alvo da denúncia dos moradores. Os equipamentos das academias ao ar livre do lugar também necessitam de reparos, bem como placas de sinalização, bancos de madeira e concreto das praças.

     

    Bancos desgastados por falta de reparos.
    Bancos desgastados por falta de reparos. | Foto: Carlos Araújo

    “Está tudo abandonado. Queria ver qual é essa manutenção eficiente que eles dizem que fazem aqui. Os moradores se unem e vem fazer o que podem, mas não temos toda a liberdade pra isso e nem equipamentos”, diz Cáritas Jordana.

     

    Praça dentro do Parque, completamente suja.
    Praça dentro do Parque, completamente suja. | Foto: Carlos Araújo

     

    Equipamentos para a prática de atividades físicas deteriorados.
    Equipamentos para a prática de atividades físicas deteriorados. | Foto: Carlos Araújo

     

    Áreas para atividades físicas abandonadas.
    Áreas para atividades físicas abandonadas. | Foto: Carlos Araújo

    Governo se posiciona

    A equipe de reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Sec), pasta responsável pela administração do Parque Rio Negro. Por meio de nota, a secretaria informou que “ em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), por meio do programa 'Trabalhando a Liberdade', realiza a manutenção do Parque Rio Negro, no São Raimundo, de segunda a sexta-feira”, afirma.

    A pasta garantiu, ainda, que na próxima segunda-feira (26), “mais seis trabalhadores integrarão o projeto para intensificar a limpeza”.

    Sobre a presença de cobras, a Sec informou que “pedirá apoio da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp) sobre a existência de animais peçonhentos no local”.

    Cartão postal esquecido 

    O novo Parque Rio Negro foi inaugurado em 30 de abril de 2015, pelo então governador José Melo, e deveria funcionar como uma nova opção para lazer, cultura e práticas esportivas em um espaço público de frente para o Rio Negro.

    O complexo de lazer e cultura integra o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim III), financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

    No local, anteriormente, funcionava um porto irregular e residências em situação de risco. O custo total da obra foi de R$ 50,7 milhões. Na época da inauguração, o Parque foi entregue com pistas de caminhada limpas, jardins, gazebo (pequeno terraço), quatro mirantes, seis quiosques, quatro praças, uma academia ao ar livre com 16 equipamentos de ginástica para uso gratuito, playground com piso emborrachado, banheiros masculino e feminino, vagas de estacionamento. Hoje, boa parte da infraestrutura está deteriorada.

    Acompanhe a live do portal Em Tempo sobre as condições o lugar: 

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