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    Asfaltamento


    TCE irá fiscalizar obras de asfaltamento no Amazonas

    A finalidade ,segundo o TCE, é garantir que a obra seja bem executada, obrigando a suspensão, no caso de serviços de má qualidade

     

    Execução do asfaltamento e do solo em obras passará a ter fiscalização do Tribunal de Contas do Amazonas
    Execução do asfaltamento e do solo em obras passará a ter fiscalização do Tribunal de Contas do Amazonas | Foto: Márcio Melo/Arquivo em Tempo

    MANAUS (AM)- Há muito que se nota no Amazonas, especialmente na capital, sem nem mesmo ser especialista, que a qualidade do asfaltamento em vias públicas é de qualidade questionável. Geralmente, as camadas de asfalto são despejadas, sem que haja preparo da terra, planejamento para tubulações de saneamento básico ou material adequado para suportar as fortes chuvas que caem na região. Com isso, todos os anos, gasta-se uma quantidade enorme de recursos públicos para refazer obras que foram executadas há pouco tempo. 

    Fiscalização

     

    Instalações do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas
    Instalações do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas | Foto: Divulgação

    Essa realidade deve mudar. Isso, porque a execução do asfaltamento e do solo em obras públicas de pavimentação passará, a partir deste ano, a contar com a fiscalização ativa do Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) por meio de uma unidade móvel, exclusiva para essa ação. 

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    De acordo com  presidente do TCE, conselheiro Mario de Mello, a finalidade do projeto é garantir que a obra tenha uma boa execução, obrigando a suspensão das atividades, em casos de se constatar serviços com má qualidade.

    “Nossa intenção é tornar a fiscalização mais efetiva e permitir a correção preventiva, ou seja, antes que o desperdício se concretize, possibilitando uma melhor destinação dos recursos públicos", explicou o conselheiro.

    O Amazonas é o quarto Tribunal de Contas estadual a utilizar unidade móvel de fiscalização, acompanhado dos TCEs de Santa Catarina, Goiás e do Piauí.

     

    Asfaltamento no interior do Estado
    Asfaltamento no interior do Estado | Foto: Divulgação

    Laborátório Móvel com equipamentos adequados 

    De acordo com a secretária-geral do TCE-AM, Solange Maria Ribeiro da Silva, a unidade móvel de fiscalização é, na verdade, um laboratório móvel de qualidade asfáltica e do solo que terá as ações complementadas por análises em uma base de fiscalização na sede do Tribunal.

    A unidade é um caminhão adaptado com prensas, esclerômetros, balanças e todos os equipamentos necessários para os levantamentos de engenharia.

    “Os dados serão coletados pela unidade móvel e analisados em uma base instalada na sede do TCE-AM. Nossa previsão é que o laboratório seja finalizado até dezembro deste ano',  esclareceu a secretária-geral do Tribunal, Solange Maria Ribeiro da Silva.

    Os equipamentos do laboratório móvel têm a finalidade de medir com precisão a espessura das camadas do pavimento, a composição do material empregado na obra, resistência do concreto e a qualidade do serviço em prédios, rodovias e pontes.

    Os dados extraídos na fiscalização permitirão verificar se a execução dos serviços está de acordo com as especificações técnicas e legais exigidas.

    Fala dos especialistas

    Segundo o professor e doutor do Laboratório de Pavimentação de Engenharia Civil da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Nilton de Souza Campelo, o problema do asfaltamento no Estado não é falta de trabalho na área, mas sim como trabalho é feito, sem atender critérios básicos e sustentáveis para  durabilidade.

    "Em Manaus temos ausência do material pedrado. O melhor material seria o Concreto Asfáltico Usinado a Quente (AUQ), mas utilizamos, geralmente, nas vias da periferia da cidade a composição de Areia e Asfalto Usinado a Quente (AAUQ)".

    Ainda de acordo com o especialista, para melhorarmos a questão teríamos que colocar material agregado graúdo, como pedra britada.  "Isso não resolveria o problema como um todo para a cidade, mas faria com que a vida útil do pavimento fosse maior, o problema para executarmos essa solução é que esbarramos no custo", disse em entrevista ao EM TEMPO.

    Ondulações na pista

    Uma outra visão, segundo o engenheiro-civil Marcos Andrade é planejar a obra. "É preciso prever o que se espera para aquela via. Terá saneamento básico, precisará passar tubulação de gás, de energia, de água, de telefonia? Pensar ainda na mobilidade do pedestre, que também usa as laterais da ruas, além do trabalho que precisa ser feito com meio fio e calçadas. A gente percebe na região que tudo isso é feito  de forma muito amadora. 

    Ainda segundo Andrade, já é usual em outras capitais que a maioria das tubulações sejam subterrâneas. Então é preciso pensar no futuro para que não seja necessário fazer buracos no asfaltamento, ou ser for feito, que o recapeamento tenha qualidade. As empresas que o fazem, têm feito um trabalho que deixa muito a desejar, basta analisar a quantidade de ondulações e irregularidades nas pistas", analisa.

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